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Se a Espanha Não Aceitar as Nossas Condições Não Deve Haver Mercado Ibérico da Energia

 

Segunda-feira, 12 de Maio de 2003 - O Público

O interesse na integração ibérica e no mercado ibérico de energia É mais de Espanha, do que de Portugal, considera António Borges, acrescentando que se a Espanha não aceitar as nossas próprias condições, então, não deve haver mercado ibérico. C.F./C.R.C.

P - Concorda com o modelo de reestruturação do sector energético apresentado por João Talone?

Parece-me bem feito e as suas conclusões acertadas. A minha única duvida diz respeito separação da Transgás do negócio da distribuição de gás ... um modelo certo, para um sector maduro. Como o sector do gás em Portugal ainda está no principio, parece-me um pouco prematuro adoptar esta solução. Mas trata-se de um aspecto marginal. O que me parece importante É a ligação do gás electricidade, que permite obter sinergias grandes e criar uma empresa que pode começar a competir no mercado ibérico, que é o grande desafio que hoje se coloca.

P - Choca-o a nomeação de João Talone para CEO da EDP?

Nada. O precedente de muitos outros países. É que a pessoa que estuda e analisa os dossiers e está melhor colocada para gerir a empresa.

P - A Energia é um sector estratégico?

Não sei o que isso é. Porque razão o sector do petróleo é estratégico e a produção de trigo no Alentejo não é? ... caricato! Tenho as maiores duvidas em definir o que é um sector estratégico. O petróleo compra-se ao preço que desejarmos no mercado mundial e a indústria da refinação é das piores em termos de rentabilidade. Outra coisa é termos a obrigação de dar às empresas portuguesas de dimensão dando-lhe condições de competitividade. E se vamos apostar no mercado ibérico de energia, então temos que ter empresas portuguesas que possam competir de igual para igual com as espanholas. ... neste contexto que me parece importante a configuração apresentada por João Talone. Mas também lhes digo que uma coisa é conceber o modelo, outra é executá-lo. O mais importante está por fazer: com que alianças? com que accionistas? que relação vai existir entre EDP e a Galp?

P - Uma das dificuldades de aplicação do modelo de Talone está precisamente em Espanha, dada a hostilidade com que as autoridades espanholas receberam a entrada da EDP em Espanha. Acha que o modelo é exequível?

A EDP tem que ser privatizada logo que possível. Mesmo que não seja privatizada no imediato, É já uma empresa que está maioritariamente nas mãos de privados, pelo que terá que ser gerida na Óptica do sector privado. O primeiro objectivo que a EDP dever ter é o de atrair investidores sólidos, que lhe permitam competir de igual, para igual. Há muita poupança portuguesa que está a ser canalizada para investimentos em acções estrangeiras, pelo que há que restaurar a confiança e voltar a atrai-la para as nossas empresas. No que respeita a Espanha, e o nosso governo está perfeitamente consciente disso, temos que discutir de igual para igual. O interesse na integração ibérica e no mercado ibérico de energia É até mais de Espanha, do que de Portugal, pelo que devemos também ditar as nossas condições. E se a Espanha não aceitar as nossas próprias condições, então, não deve haver mercado ibérico. ... tão simples quanto isto. Temos que ter empresas portuguesas capazes de competir de igual para igual com as espanholas e depois ser capazes de impor condições de regulação que nos interessem.

 

A Polémica da Ponte Nossa Senhora da Ajuda, Alentejo, Portugal

- A INVASÃO ESPANHOLA 2003