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"Crer e Querer para Vencer"

A Polémica da Ponte Nossa Senhora da Ajuda, Alentejo, Portugal

Mapa dos Territórios Portugueses (em azul) de Olivença and Vila Real (Alandroal) ocupados ilegalmente pela Espanha

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A INVASÃO ESPANHOLA - 2003

A Espanha apodera-se da Ponte Portuguesa de Nossa Senhora da Ajuda - construida em 1501 para unir as duas localidades portuguesas de Elvas e Olivença - e território circundante (pela primeira vez desde 1801) na margem esquerda do Odiana (Guadiana)

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18/Abr/2003 - Linhas de Elvas/Região

As Obras Continuam na Ponte da Ajuda

Amigos de Olivença Contestam Progressão

As obras prosseguem na Ponte Antiga da Ajuda, tal como demonstra a fotografia anexa. Sobre esta evolução, o Grupo de Amigos de Olivença (que defende a restituição da cidade à soberania portuguesa) defende que "“negando quaisquer ‘explicações’ e alheio a compromissos legais que voluntariamente assumiu - designadamente, sujeitar o projecto de ‘reconstrução’ da ponte da Ajuda à apreciação e autorização do IPPAR - o Ministério do Fomento Espanhol prossegue, abusivamente, as ‘obras’ naquele Monumento Nacional português. Técnica e material: betão..."” Esta mesma associação já apresentou, nos últimos dias, um recurso judicial para "“obrigar a parar as obras”".

Entretanto, num artigo publicado no diário “"Hoy"”, a 13 de Abril, é revelado que o projecto de reedificação da velhinha ponte é do engenheiro espanhol José António Ordóñez. Em 1993, o profissional defendeu que “"a ponte devia ser pedonal e destinada a excursões campestres, pescadores, amantes da natureza ou, simplesmente, estudiosos e visitantes do lugar atraídos pela sua beleza, valor histórico, artístico ou ambiental”". Nessa mesma edição, o periódico refere que "“o técnico, falecido há alguns anos, recebeu o encargo do Ministério das Obras Públicas de então para realizar os projectos de reconstrução da velha ponte e da nova”". Contudo, adianta o jornal, "“o governo de Lisboa decidiu tomar o cargo da nova ponte mas renunciou ao projecto elaborado por Ordóñez. Por seu turno, o governo de Madrid, a quem correspondia a reconstrução da velha, decidiu seguir o projecto do engenheiro espanhol, que se propõe realizar uma fiel reconstrução da obra tal como estava antes de ser destruída em 1709”".

Mais adiante, aquela edição do "“Hoy”" salienta que o documento da remodelação "“parte da premissa de que seria ridículo empregar os materiais de então para ‘levantar’ novamente a ponte. Por isso, o que faz é utilizar uma estrutura de betão que depois se reveste de pedra, justamente o material com que se construiu a ponte no século XVI. Assim, desta maneira, o espectador verá uma obra no seu conjunto mas, por sua vez, diferenciará perfeitamente a parte velha da nova”".

O diário pacense publica igualmente declarações do alcaide de Olivença, Ramón Rocha, sobre a planta protegida que cresce no tabuleiro da antiga travessia sobre o Guadiana. "“O ‘narcisus humili’ pode atrasar as obras da margem direita do rio”", assegura o autarca. "“A espécie floresce na margem portuguesa”", pelo que antes de se actuar nessa zona, "“os técnicos de Meio Ambiente de Portugal terão de recolher este tipo de plantas e transplantá-las para outras zonas da margem do rio. Isto provoca um certo atraso, mas entretanto a empresa construtora pode actuar na parte espanhola”", pode ler-se ainda nesse artigo.

Entretanto, no "“El periódico de Extremadura"”, de 6 de Abril, a Ponte da Ajuda era apontada como “"a ‘pedra de toque’ do problema político de fundo, que é a disputa pela soberania de Olivença”". O excerto corresponde às palavras de Luís Alfonso Limpo, cronista oficial da cidade. O especialista está convencido de que "“após se ter defendido, durante séculos, a cidade como portuguesa, chegou a hora de obrigar a que se reconheça que Olivença é espanhola”".

O jornal extremenho refere ainda que "“nunca uma ponte cumpriu uma função tão díspar do que aquela que pela sua natureza, tem subjacente. A Ajuda em vez de servir para unir dois territórios converteu-se no contrário e marca uma separação enraizada em pressupostos históricos, anacronismos dentro de uma Europa sem fronteiras”".