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EXPRESSO - 9 de Novembro de 2002
http://semanal.expresso.pt/pais/artigos/interior.asp?edicao=1567&id_artigo=ES75908
Amigos de Olivença contra Sampaio
O GRUPO de Amigos de Olivença (GAO) contestou, em carta enviada ao Presidente da República, a atribuição da Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique ao presidente da Junta Governativa da Extremadura, Juan Carlos Ibarra, alegando que este preside ao organismo espanhol que «exerce, de facto, o domínio estrangeiro sobre aquela parcela do território português». A condecoração - que é a mais alta destinada a personalidades estrangeiras - foi atribuída na terça-feira por Jorge Sampaio, no decurso das «Jornadas Ágora o Debate Peninsular», que tiveram lugar em Mérida.
Na carta, a que o EXPRESSO teve acesso, o GAO manifesta «o seu mais veemente protesto pela concessão da honraria», lamentando que «esta não tivesse sido apreciada em todas as suas implicações», e convida o Presidente «a explicitar as razões da outorga». O grupo recorda que Ibarra havia produzido, em finais de Julho deste ano, na imprensa espanhola, nomeadamente nos jornais regionais «Hoy» e «El Periódico Extremadura», «declarações manifestamente inamistosas contra Portugal», ao entender que «as reclamações territoriais sobre Olivença são obra de um punhado de loucos que não reconhecem a sua espanholidade».
A finalizar, os Amigos de Olivença lembram a Sampaio que «a ordem jurídica portuguesa considera que Olivença, ocupada por país estrangeiro, é território nacional e que tal comando jurídico se impõe e obriga todo o Estado Português, com particular relevo para os seus mais Altos Representantes, receando que a condecoração dê de Portugal um sinal de menor dignidade e pouca elevação».
Em Mérida, na hora da outorga das insígnias, o Presidente da República justificou que a condecoração premiava Juan Ibarra pelo seu papel na abertura de «um novo ciclo das relações luso-espanholas, principalmente entre a Extremadura e o Alentejo, despida de preconceitos, assente numa visão equilibrada dos interesses e no entendimento daquilo que é verdadeiramente essencial».
José Frota
Olivenca
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