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Portugal, é a Hora!

Miguel Coutinho - 11:36, 09 Dezembro 2002 - ExpressoOnline

Estudante universitário a participar no programa «Erasmus» em Madrid

O termo «patriota» é confundido em Portugal com o termo «nacionalista» ou até mesmo com «fascista».

Mas não tem nada a ver. Ser patriota é defender o que é nosso. É mostrar que temos orgulho no que somos, no que fazemos, no que os nossos fazem e fizeram. Pelo menos pernante os outros.

No nosso lar podemos criticar e ser criticados pela nossa mulher, o nosso marido e os nossos filhos e assim sermos pessoas melhores. Mas para fora será sempre a melhor família do mundo. Fará com que sejamos respeitados. Porque nos respeitamos a nós próprios e respeitamos o grupo a que pertencemos, seja uma família, um grupo de amigos, um partido político, um governo ou um país.

É óbvio que defender o nosso grupo não é obter compadrios. É saber defender de uma forma saudável e moralmente correcta. E saber castigar membros que não estejam de acordo com a moral vigente, sejam os grupos, partidos políticos ou organizações coorporativas como a Maçonaria ou o Opus Dei.

Ora, o problema é que em Portugal cada pessoa pensa só em si. A curto prazo será uma solução para resolver pequenos problemas, mas a longo prazo será devastador.

Não pagamos impostos, tentamos sempre contornar a lei, montamos as «negociatas» que nos podem dar lucro mais rapidamente e com menor esforço, vendemos as empresas e a banca nacional a estrangeiros, desbaratamos os subsídios europeus, não temos coragem de perseguir os poderosos corruptos, porque são nossos familiares, amigos, conhecidos.É a pequenez de espírito, a mesquinhez «à Potuguesa», a «chico-esperteza».

A curto prazo vamos ganhar mais uns cêntimos, trabalhar menos, ganhar um «amigo» que nos arranja um emprego ao nosso filho, ou um carro mais barato. Mas por outro lado vamos perdendo o prestígio internacional, a identidade nacional, o nosso orgulho e o respeito por nós próprios.

E daqui a algumas décadas Portugal corre o risco de ser uma espécie de «colónia» dos grandes europeus, como a Alemanha, a França ou a Espanha. Sem qualquer poder decisório, sem qualquer orgulho em si próprio e sem dinheiro ou argumentos para ter uma opinião relevante no seio da Europa, vagueando ao rumo dos interesses dos mais fortes. E vamos trabalhar mais, ganhar menos, e o «amigo» já não o é.

Mas ainda vamos a tempo. E tem de partir de cada um de nós. Não vamos culpar o político, o jornalista, o juíz, o dirigente de futebol. Porque estas pessoas são a face visível do país ao qual pertencemos. E a mudança tem de partir de todos, desde as classes com maior responsabilidade no destino do país até cada um de nós. Porque «somos todos Portugal».

Sou EU que tenho de comprar produtos portugueses, pagar impostos, votar e participar na vida pública, denunciar o incumpridor, estudar mais na escola, trabalhar mais na minha empresa e respeitar o meu superior. Porque se o todo for bom, é por certo melhor do que a soma de todas as partes, e, individualmente ganharemos todos mais.

Sou EU que devo amar a minha bandeira, o meu hino, o meu país e respeitar as instituições. Porque são meus. E se não respeitarmos o que é nosso, quem é que vai respeitar? Os Espanhóis?

Portugal, é a Hora!

 

 

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