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"Crer e Querer para Vencer"
Movimento Patriótico
OLIVENÇA e JUROMENHA: 750 Km2 do Alentejo, Portugal, estão iligítimamente e ilegalmente ocupados e colonizados pelos espanhóis desde 1801. Ainda hoje a Espanha insiste por uma estratégia universal de apoderar-se e desmembrar, como tentou fazer em 1807 pelo Tratado (hispano-francês) de Fontainbleu, todo o nosso país.
Mesmo em 2005, continua vivo, sempre à moda castelhana, a política imperialista de Madri.
Notícias de Olivença Janeiro 2006
Portugal - 'de Jure' Fronteira/Border
25/Fev/2005
BREVE HISTÓRIA DE ELVAS
1) AS ORIGENSErgue-se a cidade de Elvas, uma das mais importantes de Portugal, a cerca de 70 Km. a Nordeste de Évora, 40 Km. a Leste de Estremoz, 9 Km. a Noroeste do Guadiana, e 12 Km. a Oeste de Badajoz. Trata-se duma daquelas cidades cuja origem remota é bastante obscura. Isto, porque sendo abundantes os vestígios dae presença humana desde a Pré-História até à Época visigótica, os mesmos estão normalmente dispersos pela área doConcelho (antas ou dólmens, estátuas romanas de grande qualidade,e outros artefactos),não sendo possível saber se no local onde hoje se ergue a Urbe existiu ou não uma povoação antiga de razoáveis dimensões. Considerando o factor geográfico,ébem provável que sim. Contudo, as teorias, inúmeras, avançadas a esse respeito,nada produziram de realmente concreto... não passando mesmo algumas de invenções e piedosas fantasias.
Ao certo, sabemos que os Muçulmanos ali ergueram uma cidade, com uma fortaleza, a que chamaram Yalbas ou Yelch. Dependeu da Taifa de Batalyaws (Badajoz), independente durante algum tempo. Em 1166, D. Afonso Henriques conquistou-a, para logo ser perdida. E só no ano de 1226 os Cristãos se aproximaram de novo. Em 7 de Setembro de 1228, rendia-se a D. Sancho II. Logo Elvas (nome claramente derivado dos topónimos árabes) recebeu uma Carta de Foral (Maio de 1229). As muralhas foram em seguida e rapidamente reconstruídas, aproveitando a traça moura. É perfeitamente visível a herança arábica nas ruas mais antigas, e, na fortificação medieval, a mesma herança é por vezesimpossível de separar da cristã.
2) INTEGRAÇÃO DEFINITIVA EM PORTUGAL E IDADE MÉDIA
Em 1228 ou 1230, Batalyaws (Badajoz) caía em posse do Reino de Leão. As duas cidades tomavam, quase ao mesmo tempo, o lugar por que mais ficaram conhecidas na História. Duas urbes fortificadas, vigiando-se e hostilizando-se, em tempo de guerra, e comerciando e fazendo o papel de porta de entrada de Portugal, de um lado, e de Leão, depois Castela, por fim Espanha, do outro, em tempo de paz. A importância que Elvas teve desde o início está patente no facto de em 1262 nela se efectuar uma primeira Feira. D. Afonso III também beneficiou a cidade, em 1271, enquanto D. Dinis, em 1280, mandou fazer obras no seu Castelo.
Evidentemente, vários conflitos internos e algumas guerras com Castela se fizeram sentir ali. Em 1383, era assinado em Elvas um Tratado pelo qual o rei D. Fernando casava a sua filha D. Beatriz com D. João de Castela. Como se sabe, tal casamento foi uma das causas da crise de 1383-1385. As cidades e vilas do Centro e Sul de Portugal, quase todas, e algumas do Norte, abraçaram a Revolução. Também o fez Elvas, vendo-se todavia rodeada, por algum tempo, por praças favoráveis a Beatriz e João de Castela (Campo Maior, Olivença, e Vila Viçosa), o que provocou muitos confrontos na Região. Gil Frenandes, ou Gil "Navalha", o alcaide,
desembaraçou-se com habilidade e valentia, sendo por isso considerado um dosprimeiros heróis de fama nacional dali oriundos. Abundam episódios sobre a sua vida, alguns dos quais seguramente míticos..
O Castelo tinha, ao tempo, 22 torres e 11 portas. Até pouco depois de 1390, portugueses e castelhanos defrontaram-se à sua beira e nos territórios próximos, fazendo incursões e destruindo com afã, dum e doutro lado, tudo o que podiam...
provando, como se tal ainda fosse necessário, ser a guerra uma das actividades mais destrutivas, estéreis, e desumanas, já inventadas pelo Homem. A Paz, definitiva, chegou em 1411, e, com ela, reatou-se um profícuo laço comercial entre Elvas e Badajoz.
3) ERA DOURADA
D. João II, que mandou proceder a obras nas praças fronteiriças, fez levantar no Castelo a Torre de Menagem, por volta de 1488, além de ordenar que se iniciasse a construção de uma barbacã, só terminada já no reinado de D.
Manuel I. Aliás, o reinado de D. Manuel, e os seguintes, foram dos mais importantes para a História da Região. A Paz reinante ajudava a que se verificassem vários progressos, com poucos sobressaltos.
Elvas e Olivença terão sido as povoações da Raia que mais beneficiaram com isso. Portugal, recorde-seestava no seu apogeu. Os Descobrimentos pareciam trazer riquezas sem fim. Em Elvas, foi construída a Igreja Matriz (Sé), alterada uns séculos depois, e foi remodelada a Igreja de São Domingos, que datava do Século XIV. Foi construída a Ponte da Ajuda entre Elvas e Olivença (talvez 1510-1520). E continuaram as obrasdo imponente Aqueduto da Amoreira, aliás já iniciadas no século XV, e que se prolongariam até ao Século XVII. No numeramento de 1527, Elvassurge como a quinta maior cidade portuguesa, atrás de Lisboa, Évora, Porto, e Santarém. Próximo, só Olivença, e, um pouco mais longe, Estremoz e Portalegre, podiam aspirar, remotamente, a com ela rivalizar. Olhando os números, sem dúvida que Elvas, com os seus cerca de 8000 habitantes, se destacava no meio de
Olivença (4000 habitantes), Estremoz (3200), Vila Viçosa (3 000), Campo Maior (2500), e Portalegre (6000). A capital da província, Évora, andaria por volta dos 15000 moradores.
Esta situação justifica o facto de pouco antes, em 21 de Abril de 1513, ter sido atribuída a Elvas a categoria de Cidade. E em 1570, surgiu nova promoção, ao ser transformada em sede de Bispado, com os territórios vizinhos do extinto
Bispado de Ceuta ( Olivença, Campo Maior, Ouguela) e outros, retirados a Évora. Só em 1881 desapareceria esta dignidade, como se verá.
A época dos Descobrimentos viu inúmeros elvenses partirem para todos os cantos do mundo, tendo alguns ficado famosos. Entretanto, o Século XVI veria o País passar da prosperidade a uma crescente situação de crise.
4) CRISE E GUERRA
Em 1580, ao contrário do que sucedera em 1383, Elvas abriu as portas a Filipe II de Espanha, que nela ficou durante algum tempo antes de seguir para Lisboa. A propósito, assinale-se que, pela sua importância, a cidade foi recebendo visitas, algumas prolongadas, de vários soberanos, quase desde a sua integração em Portugal. Diga-se desde já que assim continuou a acontecer a partir de então.
A União das coroas de Portugal e Espanha num mesmo soberano beneficiou inicialmente Elvas, mas não tanto como se pensava ou desejava. E, à medida que os tempos corriam, surgiram situações de descontentamento, comuns a todo o País.
Não foi por acaso que, em 1637, surgiu uma revolta de alguma importância. Curiosamente, durante essa revolta popular que passou à História com o nome de "Revolta do Manuelinho", pouca ou nenhuma agitação se viu em Elvas, o que parece ser estranho, dado que se produziram levantamentos em terras próximas (Olivença, Alandroal, Vila Viçosa, Borba, Cabeço de Vide, e outras). Parece que as classes dominantes em Elvas conseguiram prevenir problemas, e talvez os laços com Badajoz de que a cidade muito dependia, o tenham evitado.
A verdade é que, no início de 1640, Elvas não parece ter reagido muito contra os impostos lançados por Olivares. Todavia, em Dezembro do mesmo ano, a notícia da separação de Portugal não provocou hostilidade, antes uma aceitação pacífica. E, logo no início de 1641 Elvas se armou com homens e material de guerra, e em 1642 iniciaram-se trabalhos acelerados de construção de uma nova cintura de fortificações, capaz de resistir à artilharia ( o chamado "estilo Vauban" ). Nasciam assim as modernas muralhas de Elvas, às quais mais tarde seriam acrescentados os fortes circundantes. Como a cidade dispunha já de uma
poderosa muralha, em parte edificada nos tempos de D. Manuel I, foi possível, em alguns casos, uma reconversão. Todavia, a concepção era completamente nova, e muitas vezes os muros existentes serviram apenas de "pedreira" ao pé da porta para novas paredes. Também Estremoz e Olivença foram beneficiadas com muralhas semelhantes, bem como a mais pequena Juromenha. Campo Maior e Vila Viçosa efectuaram obras de vulto nos seus castelos medievais.
Situações semelhantes ocorreram ao longo de toda a Raia, do Minho ao Algarve. Em 1644, a Guerra chegou mesmo, sendo Elvas cercada inutilmente por algum tempo pelo exército espanhol. O quadro já descrito para 1383-1390 repetiu-se.
Mais uma vez, exércitos dos dois lados em confronto se odiaram na fúria da Guerra, causando a morte e a destruição dos dois lados da fronteira. Eis o resultado e o triste preço a pagar pelas desastrosas políticas de governantes e classes dirigentes, ansiosos por aumentar os seus domínios e as suas riquezas sem olhar a meios, e esquecendo-se de procurar beneficiar as classes mais desfavorecidas. E, como em todas as guerras, era o povo simples, e quase sempre só ele, independentemente de raça ou língua, a pagar o preço das consequências desastrosas de tantas ambições e fracassos. Graves confrontos, entretanto, se produziram em 1657. Olivença caíu, e muitos dos seus habitantes se refugiaram em Elvas, enquanto outros se distersavam por Juromenha, Alandroal, Vila Viçosa, e Estremoz. Elvas resistiu, mas ficou mais ameaçada no flanco sudeste.
5) O ANTIGO REGIME
O fim, todavia, estava próximo. A 14 de Janeiro de 1659 a batalha, dita "das Linhas de Elvas", destroçava uma poderosíssima invasão espanhola, e punha praticamente fim a qualquer esperança de Madrid de vir a conseguir recuperar Portugal. Ao lado das batalhas do Ameixial e de Montes Claros, este evento assinalou claramente o apogeu da guerra, mas também o seu final. É quase inútil dizer que correu sangue, muito sangue, naqueles campos de batalha. Não é sempre assim? Por que será que não serve de lição? A Paz de 1668 foi evidentemente bem vinda. As fronteiras na Península foram repostas como eram, regressando as populações aos seus lares, muitas vezes destroçados. Poder-se-ia agora voltar a comerciar e a contactar normalmente com o vizinho, procurando benefícios mútuos.
Infelizmente, o Alentejo e a Extremadura espanhola pouco tempo tiveram para sarar as suas feridas. Entre 1703 e 1713, a Guerra regressou. E Elvas, bem como Badajoz, foram de novo palco de confrontos. Em 1709, por exemplo, o exército espanhol do Marquês de Bay fazia ir pelos ares os arcos centrais da Ponte da Ajuda, talvez um pouco como vingança de em 1706 não ter conseguido entrar em Elvas.
Ficaram assim dificultadas as ligações entre as duas margens do Guadiana e entre as urbes irmãs até então. A paz veio, mas a reconstrução da Ponte foi sempre sendo adiada ao longo de todo o século XVIII. Ninguém podia duvidar que Elvas era uma cidade militar. Por volta de 1750, quando surgiu nova ameaça de conflito, viviam nela 10000 "civis" e 7400 militares! E, contudo, algo de negativo estava a surgir. Aparentemente, nada mudava, mas, na verdade, a importância relativa de Elvas no País ia decrescendo. Elvas crescia com o natural aumento demográfico geral, mas não mais do que isso. O litoral português começava a "adiantar-se em relação ao interior, ainda que na época passasse despercebido. Entretanto, Elvas era uma das capitais das cinco subdivisões administrativas maiores em que o Alentejo se subdividia desde o século XV. De Elvas dependiam os Concelhos de Ouguela, Campo Maior, Vila Boim, Barbacena, Vila Fernando, Juromenha, Olivença, Alandroal, Terena, Capelins, e Monsaraz. Quase toda a Raia, afinal. Note-se que este era um dos tipos de subdivisões existentes. Outras existiam, paralelas, com competências por vezes contraditórias, o que provocava muitas confusões. O Alandroal, por exemplo, "obedecia" a Elvas em determinados assuntos, mas dependia de Vila Viçosa para outros, e até de Avis para alguns outros.
6) A DIFÍCIL ENTRADA NO SÉCULO XIX
A Revolução Francesa ( 1789 ) teve reflexos mais ou menos profundos em Portugal e Espanha, principalmente pelo pavor que se apoderou das classes dirigentes e das Casas Reais. Para Portugal, a situação piorou principalmente quando a Espanha, esquecido pragmaticamente o pavor, entrou na órbita francesa (1795-1796). Em 1801, o exército espanhol sob o comando de Godoy, após a capitulação de Olivença, cerca Elvas. A cidade não se rendeu, mas Godoy arrancou junto às muralhas dois ramos de laranjas que enviou à Rainha de Espanha, gesto que deu o nome, irónico e jocoso, ao curto conflito: Guerra das Laranjas. Houve ainda tempo para, após duras lutas e uma resistência encarniçada, tomar Campo Maior.
A Paz, consagrada no Tratado de Badajoz, assinalou também, desde a sua assinatura, o surgimento de um litígio cuja resolução final ainda se aguarda, concretamente a questão da posse de Olivença. De qualquer forma, logo em 1807 recomeçava a Guerra. Invasores franceses, aliados aos espanhóis, ocuparam Portugal. Em Elvas estiveram até 1 de Outubro de 1808, seguindo para Lisboa para regressarem à Gália. A segunda invasão francesa em nada afectou Elvas, mas a terceira viu portugueses, ingleses, e espanhóis ( agora aliados ), lutarem, juntos para expulsar os invasores, nomeadamente nas regiões de Elvas e Badajoz, perseguindo-os até território francês (1813). Os acordos de Paris de 1814 eViena de Àustria de 1815 pacificaram a Europa. Segundo Portugal, tais acordos implicariam a retrocessão de Olivença. Esta situação dúbia impediu, no mínimo, até aos nossos dias, que a velha Ponte da Ajuda fosse reconstruída, pois rodeiam-na delicadas questões diplomáticas. Apenas se conseguiu, depois de inúmeros contratempos, e só em 2000 (11 de Novembro) construir umanova a cem metros das ruínas da antiga, o que significou o abrir de novos horizontes, mas não levou à resolução do litígio nascido na época napoleónica.
Em 1820, Portugal conheceu o primeiro esboço de Democracia. Mas, poucos anos decorridos, voltou a vigorar o tradicional regime absolutista. Foi necessária uma dolorosa guerra civil (1832-1834) para se entrar na modernidade. Como os últimos episódios dessa guerra decorreram no Alentejo, Elvas foi por isso algo afectada.
7) NOVOS TEMPOS
Muitas mudanças se produziram então. Eram novos tempos. Por exemplo, muitos edifícios religiosos, principalmente conventos, passaram para as mãos do Estado, que neles instalou serviços seus ( Câmara Municipal, Hospital,
Tribunais, etc.). Por outro lado, Elvas viu o seu concelho ser engrandecido coma anexação de vários antigos concelhos vizinhos extintos: Vila Boim, Barbacena, Vila Fernando, e Terrugem. Ainda afectou Elvas a nova divisão administradtiva de 1835, que dividiu o Alentejo em três distritos. O mais setentrional abrangeu Elvas, mas a sua sede acabou por ser colocada em Portalegre, perdendo a primeira importância administrativa. Ainda hoje os elvenses tendem a afastar-se da área de influência de Portalegre, quase parecendo esquecer-se que dela dependem...
A Regeneração, em 1851, veio por fim a alguns conflitos que, por mais de uma vez, afectaram os primeiros tempos do Regime Liberal, e que tiveram algum eco, por vezes, em Elvas.
É na segunda metade do século XIX que se constrói a ponte luso-espanhola sobre o Caia. Mais tarde, surgiria o comboio,e a ligação a Badajoz. Todavia, em 1881, era extinto o Bispado, e Elvas passou a depender eclesiasticamente deÉvora. Afinal, confirmava-se o que começara a ser vagamente perceptível no século XVIII: o peso relativo de Elvas ia diminuindo.
Claro que Elvas se viu afectada pelas convulsões da Primeira República (1910-1926), mas este regime, demasiado concentrado em Lisboa, não convidou a uma participação muito activa das povoações do Interior. Pior seria a Centralização do Regime que se seguiu (Ditadura e Salazarismo, ou Estado Novo), que só findaria com o regresso à Democracia em 25 de Abril de 1974.
Não se pode deixar de assinalar que a desigualdade da distribuição da riqueza e as injustiças sociais a ela associadas caracterizaram a sociedade elvense, bem como a alentejana em geral, nos séculos XIX e XX. Não que não
existissem antes, claro, mas porque uma maior liberdade de expressão, uma crescente consciencialização de tal realidade, e as necessidades económicas, tornaram mais evidente esta situação. Tudo isto, associado a um relativamente fraco desenvolvimento das forças produtivas e a uma insuficiente inovação tecnológica, foi-se revelando prejudicial a um verdadeiro desenvolvimento, muito menos de forma harmoniosa para a sociedade em geral.
8) O SÉCULO XX
Claro que a cidade não ficou parada. Foi alastrando mesmo para fora das muralhas, e no século XX um plano de urbanização, concluído em 1986, procurou que tal ocorresse de forma ordenada. A Guerra Civil de Espanha (1936-1939) deixou igualmente as suas marcas em Elvas, por vezes de uma forma, digamos, "personalizada". Parte das elites, apavorada com uma eventual ameaça comunista, pactuou, com o apoio do Governo Central, com as forças repressivas franquistas, ajudando a enviar refugiados para Badajoz, onde foram quase todos fusilados. Outros extractos da população,
bem como parte das elites, procurou auxiliar e esconder muitos pacenses que procuravam salvar a vida saindo de Badajoz ou arredores e entrando em Portugal. Porque este tema é delicado, falta fazer a sua História.
As décadas de 1950 e 1960, apesar das barreiras alfandegárias e de dificuldades pontuais, viram intensificarem-se as relações entre Elvas e Badajoz. Inclusivamente com o recurso, também tradicional, ao contrabando. Inicialmente, era o lado português que dispunha de vantagens económicas e de maior poder de compra, mas a partir das décadas de 1970 e 1980 a situação foi-se invertendo.
Aliás, ao longo dos séculos XIX e XX (neste, principalmente), Badajoz, durante séculos comparável a Elvas, e pontualmente com menos população, cresceu de forma assinalável, sendo hoje quatro ou cinco vezes maior do que a sua vizinha, o que criou alguns complexos de inferioridade. A população de Elvas também foi crescendo, mas lentamente, até à década de 1960, quando começou a verificar-se a situação inversa. Apesar da actividade comercial, muito ligada a Badajoz e à Espanha em geral, ocupar muita gente,
revelou-se, na verdade, e continua a revelar-se, insuficiente para, por si só, contrariar essa tendência. No início do Segundo Milénio, o Concelho de Elvas tinha cerca de 23800 habitantes, cerca de 18000 só na cidade.
Recorde-se aqui um episódio de valor simbólico: em 11 de Novembro de 2000, foi inaugurada uma nova ponte enttre Elvas e Olivença, o que, como já se disse, deverá ter aberto novos horizontes. Trata-se de procurar caminhos para o futuro, não abdicando de princípios.
9) REFLEXÕES FINAIS
Alguns dos problemas actuais de Elvas são os de Portugal no seu conjunto. O interior do País tende a desertificar-se, perdendo peso. Com isso, torna-se menos atractivo. Não há investimento produtivo porque, entre outras coisas, não há mercado consumidor. Não havendo produção, não há nada para consumir. É um ciclo fechado. Como se tal não bastasse, o Poder Central vai incentivando, ou nada faz para o evitar, o encerramento de serviços. Ainda recentemente circularam notícias nesse sentido ( Quartel, Maternidade ), o que acentua a idéia de declínio e aumente a sensação de inferioridade.
Os responsáveis elvenses, melhor ou pior, têm feito o possível e o impossível para sair deste círculo vicioso. Mas... muita coisa há que mudar em Portugal no seu todo para que se atenuem e combatam as muitas assimetrias que subsistem. Apesar de tudo, dispõe-se de um bem precioso. A Paz. E Elvas sempre prosperou, às vezes nem tanto como seria desejável, num tal clima. Relacionando-se, por exemplo, amigavelmente com os seus vizinhos do Leste. Há que aproveitar projectos que, num clima de respeito mútuo e de igualdade, beneficiem todos os envolvidos.
Elvas herdou uma arquitectura invejável e quase única. As suas muralhas "estilo Vauban", intactas, fazem dela, e mesmo que fosse só por isso, um monumento sem par. São inúmeras as construções grandiosas, religiosas ou não, que por detrás delas se abrigam, algumas mesmo fora delas. As velhas ruaspopulares, com o seu traçado mourisco, constituem outro tesouro histórico.
Tudo isto, herança do passado, tem imenso valor no presente, e é um factor inigualável de valorização da cidade. Claro que o futuro passará por inúmeros factores, necessariamente inovadores, mas este dado adquirido, bem aproveitado,é desdfe já uma vantagem. Este texto, porque limitado no espaço, não pormenorizou inúmeros outros aspectops importantes da História de Elvas. Claro que existem muitos mais monumentos do que os poucos referidos, e não se referiram inúmeras personalidades de relevo nascidas na cidade ao longo dos séculos. Pretendeu-se, apenas, dar uma idéia geral e breve da História do Burgo elvense, quedesperte em quem o leia a curiosidade de saber mais e, claro, o desejo de o visitar.
Estremoz, 22 de Fevereiro de 2006
Carlos Eduardo da Cruz Luna
Envie o seu comentário: portugal-livre@freeola.comJornal "PÚBLICO", secção "Local Lisboa", 15-FEVEREIRO-2006
(Olivença)O NOVO PRESIDENTE E A DIFERENÇA PROMETIDA
É sabido que o Presidente da República tem algumas competências em
matéria de Política Externa, embora o essencial nesse campo pertença à
área do executivo. Não se pode deixar de perguntar o que fará o novo
Presidente neste campo. Muito provavelmente, mantendo uma postura autónoma, evitar entrar em choque com o Governo.
Um aspecto será de lembrar ao novo Presidente Aníbal Cavaco Silva...e talvez solicitar-lhe alguma iniciativa. Trata-se do contencioso de Olivença,
território que o Estado Português considera legalmente ("de jure") português,
ainda que "de facto" administrado pela Espanha. O Presidente cessante, Jorge
Sampaio, evitou pronunciar-se sobre o assunto, ainda que evitando "gaffes". Em 1997, aquando da celebração dos 700 anos do Tratado de Alcanizes, não
recebeu os representantes da Câmara de Olivença, enquanto integrantes das
povoações espanholas abrangidas pelo dito Tratado. Uma posição de Estado,
digamos, a todos os títulos louvável.O novo Presidente Cavaco Silva, como todos os candidatos, recebeu um
"Dossier" sobre Olivença, pessoalmente; ao entregar o dito "Dossier", o elemento que o fez procurou de viva voz chamar a atenção para o que nele estava contido de mais relevante, pelo que tratou rapidamente destacar a ligação da posse das águas do Alqueva à questão da fronteira no Guadiana na região, apontado os elementos documentais que o provam; realçou o carácter "frentista" dos grupos que continuam a lembrar-se do problema, que abrangem todo (mas todo, mesmo!) o espectro partidário português; procurou fazer notar que, por exemplo, um dos presidentes do Grupo dos Amigos de Olivença (curiosamente, à data do 25 de Abril) foi o conhecido anti-salazarista Prof. Hernâni Cidade; chamou a atenção para a hipocrisia que tem consistido em não se falar do problema, quando é sabido que ele existe, dentro dos limites da Democracia e da salvaguarda de boas relações diplomáticas com Madrid, e aproveitando mesmo, se necessário, o quadro da União Europeia... como o fazem, por essa Europa fora, outros Estados com problemas de definição de soberanias, sem que tal signifique que entre eles ocorram sérios problemas de relacionamento; procurou apelar a saudáveis sentimentos patrióticos e de auto-estima, que não devem ser confundidos com nacionalismos serôdios; finalmente, chamou a atenção para a necessidade de se estar informado sobre a assunto... para evitar, no mínimo, "erros" diplomáticos.Desta forma, procurou-se sensibilizar os candidatos, incluindo o escolhido
pelo povo português, para um assunto que, por ter alguma importância, não
deve ser ignorado, principalmente se o for por manifesta falta de informação,
ou por preconceito.Subsiste a Esperança que o novo Presidente, que tanto prometeu no sentido de não abdicar de um Inquestionável Sentido de Estado orientado por firmes
princípios, seja, neste campo, mais firme, até, que os seus antecessores, e
que "faça a diferença" encarando com a necessária seriedade, que não exclui a discrição, desta pequena polémica fronteiriça em redor da Cidade de
Olivença, cujo arrastamento no tempo cada vez se torna menos compreensível, principalmente quando entre os dois maiores Estados da Península Ibérica reina um clima de grande abertura e de excelentes Relações Diplomáticas.
Carlos Eduardo da Cruz Luna Estremoz, 12 de Fevereiro de 2006Envie o seu comentário: portugal-livre@freeola.com
A Fortaleza "A Famosa", Malaca (Século XVI)
Fev 6, 2006
PATRIMÓNIO MUNDIAL DE ORIGEM PORTUGUESA
ENCONTRO INTERNACIONAL
PATRIMÓNIO MUNDIAL DE ORIGEM PORTUGUESA
Universidade de Coimbra - Auditório da Faculdade de Direito
27 a 29 de Abril de 2006
Inscrições gratuitas em: www.uc.pt/whpo
Programa em: www.uc.pt/whpo/programa.html
O significado e a influência cultural do património de origem portuguesa disperso pelo mundo como resultado das grandes viagens de descoberta, que propiciaram o contacto entre diferentes povos e civilizações, são largamente reconhecidos. Não só a língua portuguesa conta hoje com 200 milhões de
falantes, como a própria Lista do Património Mundial estabelecida pela UNESCO inclui, a par dos 13 bens localizados em Portugal, outros 21 de origem portuguesa, distribuídos por quinze países e três continentes.
Existem, além destes, muitos outros bens com a mesma origem que por condicionalismos diversos ainda não puderam aceder àquela Lista. Uma vez confirmado o seu carácter excepcional, os novos bens que venham a ser considerados Património Mundial poderão contribuir para reequilibrar a representatividade geográfica da Lista.
O principal objectivo deste Encontro é o de contribuir para a criação de uma rede de cooperação internacional entre especialistas de todos os países com património de origem portuguesa, que permita articular diferentes modos de
gestão e de valorização dos sítios classificados, aprofundar práticas de protecção e salvaguarda e, bem assim, melhorar o acesso desses países à Lista do Património Mundial, através de Listas Indicativas e Candidaturas devidamente fundamentadas.
Este Encontro destina-se a todos os especialistas, docentes, investigadorese alunos que trabalhem ou se interessem pelos temas relacionados com opatrimónio, nas suas mais diversas vertentes.
O Encontro é promovido pela Universidade de Coimbra, pelo InstitutoPortuguês do Património Arquitectónico e pela Comissão Nacional da UNESCO.
World Heritage of Portuguese Origin
Rua Pinheiro Chagas, 96, 1º
3000-333 Coimbra
Telef. +351 239 480 944
Fax. +351 239 480 960
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Fev 5, 2006 6:19 pm
HISTÓRIA DE UMA ANTIGA VILA, HOJE INTEGRADA NO CONCELHO DO ALANDROAL
UMA ANTIGA VILA DE FRONTEIRA : JUROMENHA
1) Introdução
A história pode ser madrasta, mesmo no vale do Guadiana. O rio e seus afluentes convidam o Homem a instalar-se nas suas margens, ou próximo delas. Com bons resultados, quase sempre. Mas... acontecimentos diversos podem influir no desenvolvimento normal e no progresso dos aglomerados humanos.
2) Juromenha (até ao século XVI)
A fortaleza abandonada de Juromenha, sobre o Guadiana, 18 km a nordeste do Alandroal, 16 km a sudoeste de Elvas, 17 km a leste de Vila Viçosa, e 11 km a noroeste de Olivença, impressiona pela sua dignidade fantasmagórica.
A sua origem perde-se na noite dos tempos. Sem provas, quer-se que tenha sido fundada por galo-celtas, por volta de 400 a.C. Embora existam vestígios romanos, é muito improvável que tenha sido fundada por Júlio César em 50 a.C., com o nome de “Julii Moenia” (Muralhas de Júlio). Outra lenda dá-a como fundada pelos visigodos, onde estaria a origem do seu nome, numa princesa de nome Menha a quem um irmão queria arrancar um juramento indecoroso (- Jura, Menha, que não!).
Tal lenda não é digna de crédito, independentemente da sua beleza, pois surge muito depois da fixação do topónimo.
Nos tempos muçulmanos, foi uma cidade importante, cujo nome seria, segundo alguns, “Chel-Mena”. Mas o topónimo árabe mais provável terá sido o de “Yulumaniya” ou “Julumaniya”, uma, repete-se, cidade moura importante, e nele se deverá ver a origem mais provável do termo JUROMENHA, que conheceu algumas
variantes, como Jeremenha, Gerumenha, ou Jorumenha.
Não se pode pôr de lado a hipótese de a forma árabe Yulumaniya derivar de “Julli Moenia” (Muralhas de Júlio)... se acaso tal lenda (a da origem romana) já existia no século VIII !
D. Afonso Henriques terá conquistado a povoação em 1167. D. Gonçalo Viegas, filho ou sobrinho de D. Egas Moniz, talvez já no tempo de D. Sancho I, tê-la-á recebido em doação, atravessando então o Guadiana e ocupando o lugar de Vila
Real, embora pouco se saiba sobre a veracidade destes factos. Os muçulmanos reocuparam a região, decerto entre 1169 e 1189, já que a data de 1242 referida em algumas enciclopédias como de “conquista moura”, estará decerto errada, pois sabe-se com razoável certeza ter o fidalgo D. Paio Peres Correia ocupado
definitivamente a região por volta de 1220, 1230 o mais tardar. Em 1242, já os mouros estavam muito, muito longe.
Após a pacificação da fronteira em 1297 (Tratado de Alcañices), D. Dinis mandou reedificar as muralhas e o castelo de Juromenha, dando-lhe foral em 1312. As suas terra ficaram dentro da área atribuída à Ordem de Avis.
Sem dúvida que no século XIV teve assinalável importância, nela se efectuando três casamentos reais: o de D. Afonso IV com D. Beatriz de Castela, ainda no século XIII e a rematar o já citado Tratado de Alcañices; o de D. Maria de Portugal com Afonso XI de Castela em, 1328; e o de D. Pedro I com D. Constança de Castela em 1340.
Durante a crise de 1383-1385, Juromenha não parece ter desempenhado nenhum papel de realce, pois raramente é referida, o mesmo ocorrendo no século XV. Podemos, todavia, estar a ser enganados por eventual destruição de documentos. De
qualquer forma, não deverá ter perdido importância, pois D. Manuel I concedeu-lhe, em Lisboa, novo Foral, em 15 de Setembro de 1512. As muralhas, por essa época, eram grandiosas, com 17 torres, sendo uma delas uma Torre de Menagem com 140 palmos (cerca de 30,8 metros) de altura.
No Numeramento de 1527-1573, o mais antigo de Portugal, Juromenha surge como tendo 150 fogos (pouco mais de 600 habitantes, ao que se julga), portanto
bastante menos que as vizinhas Elvas (1916 fogos, cerca de 7000 habitantes), Alandroal (284 fogos, cerca de 1100 habitantes), Olivença (1053 fogos, cerca de 4000 habitantes), Vila Viçosa (talvez 800 fogos e cerca de 3000 habitantes), Estremoz (969 fogos, aproximadamente 3200 habitantes) e Borba (600 fogos, cerca de 2300 habitantes). Igualava, todavia, Terena (170 fogos, talvez 650 habitantes).
A importância de Juromenha era essencialmente militar e estratégica, protegendo, à retaguarda, Olivença, uma urbe alentejana que, cercada por Castela/Espanha por três lados, constituía sempre um quebra-cabeças para as chefias militares
portuguesas. As terras do Concelho ultrapassavam aliás o Guadiana, pois pertencia-lhe o lugar de Vila Real, exactamente a sua melhor área agrícola.
4) Juromenha (1640-1801)
O período das Guerras de Restauração aumentou o papel de Juromenha, e D. João IV ampliou-lhe e modernizou-lhe as fortificações, que passaram a ser em estilo “Vauban”. Em 1657, recebe milhares de oliventinos fugidos da sua vila, então
ocupada pelo inimigo, à qual só regressaram em 1668, quando a administração portuguesa foi reinstaurada.
Juromenha resistiu sempre durante a Guerra de 1640-1668, registando-se nela um triste evento em 19 de Janeiro de 1659, quando explodiu por descuido um armazém de pólvora, perecendo então toda a guarda ali aquartelada, composta por
estudantes de Évora capitaneados pelo Padre Francisco Soares (conhecido por “o Lusitano”).
Em 1709 (Guerra de Sucessão de Espanha) travaram-se combates nas proximidades, e ainda ao longo de todo o século XVIII a Praça de Juromenha foi alvo de constantes cuidados.
É evidente que, em todas estas guerras, toda a zona fronteiriça (raiana), tanto do lado português como espanhol, sofreu consideráveis destruições. O desenvolvimento é, necessariamente, inimigo da guerra.
O conflito seguinte, no início do século XIX, irá, uma vez mais, demonstrá-lo.
5) 1801, Data Incontornável
A Guerra das Laranjas levou à conquista da Vila de Juromenha em 20 de Maio de 1801. Alguns meses depois, foi devolvida pelos espanhóis, mas sem a parte do Concelho a leste do Guadiana, com a aldeia de Vila Real, aliás a mais rica em termos agrícolas desde sempre.
Ainda em 1837 Juromelha era considerada uma fortaleza de Primeira Classe, com uma forte guarnição militar, mas o declínio acelerou-se a partir de então. A meio do século XIX, deixava mesmo de ser sede de Concelhos, passando a depender
do Alandroal.
Os delicados problemas ligados à inexistência oficial de fronteira na região, resultantes da questão em aberto de Olivença, fizeram-se sentir duramente.
Durante algum tempo, alguns oliventinos procuravam escolarizar-se em Juromenha,
mas em breve a vigilância espanhola, em especial na época franquista, tornou tal quase impossível.
6) Os limites do concelho de Juromenha e a Ponte da Ajuda
Mas, afinal, quais eram os limites do extinto Concelho de Juromenha a leste do Guadiana ?
Um trabalho recente, de autoria de Mário Rui Simões Rodrigues, de Leiria, baseado em vários documentos, nomeadamente um mapa de 29 – Janeiro – 1802, existente no “Servicio Historico Militar” em Madrid, procura demonstrar que, muito provável e inesperadamente, a Ponte da Ajuda, que ligava Elvas a Olivença,
deveria, para lá do Guadiana, assentar em terras do termo de Juromenha. As investigaçõs do oliventino Miguel Ángel Vallecillo Teodoro, ao demonstrar, no seu livro “Olivença en su Historia”, que as herdades de Malpica de Portugal e
Joana Castanha, cujo limite norte era a fronteira da Ribeira de Olivença,pertenciam a Vila Real, freguesia do concelho de Juromenha, reforçam esta conclusão.
Sabe-se que a Ponte da Ajuda, construída no reinado de D. Manuel por volta de 1520, se destinava a pôr em contacto as 6ª (Elvas) e 13ª (Olivença) maiores povoações portuguesas. Com os seus 450 metros, 18 arcos, e quase 6 metros de largura, esta ponte, parcialmente destruída em 1709, durante a Guerra da
Sucessão de Espanha, é, ainda hoje, uma obra impressionante. Inevitavelmente, a polémica Luso-espanhola sobre as terras de Olivença tem-se reflectido no adiamento constante da sua recuperação. As dificuldades e as contradições diplomáticas não cessam. Note-se que, desde 1967, a Ponte foi declarada
Monumento de interesse Nacional pelo Estado Português.
No que respeita ainda a limites, Portugal não cessou de reclamar contra a ocupação de parte do concelho de Juromenha, em 1801, pela Espanha, contrária ao Tratado de Badajoz, independentemente de Portugal considerar este anulado desde
1807.
Com efeito, no Tratado de 1801 fala-se em colocar os limites fronteiriços no Guadiana, mas “... naquela parte que UNICAMENTE toca ao sobredito território de Olivença.” (Artigo III)
Vila Real, a aldeia que, segundo a lenda, foi fundada por Gonçalo Viegas, que quis recordar Vila real de Trás-os-Montes (sendo mais provável que o nome se deva a existirem ali terras da Coroa Portuguesa), bem como toda a área que lhe pertencia a oriente do Guadiana, foi pois anexada em violação do Tratado de
Badajoz.
7) Juromenha : declínio, um triste destino
Juromenha não se limitava a sofrer pela amputação de parte do seu território. As desgraças sucediam-se. Epidemias de febres (“sezões”) afugentavam a população.
No princípio do século XX, um surto de peste bubónica afugentou as poucas gentes que tinham ficado. Mais tarde, surgiu um povoado novo, fora das muralhas, e as ruínas de Juromenha passaram a ser utilizadas como palheiros e currais.
Distinguem-se, ainda, a antiga Câmara e a Casa do Senado, bem como as capelas da Misericórdia e de São Francisco de Assis. Da antiga cadeia, quase só resta um colorido brasão. Por vezes, e cada vez mais, distinguir estes antigos edifícios exige um grande esforço de imaginação.
Durante a Guerra Civil de Espanha (1936-1939), por ali passaram alguns refugiados, que as autoridades portuguesas procuravam deter para, conscientemente, os entregarem à desumana repressão franquista.
A população da nova Juromenha extra-muros tem vindo a diminuir desde o meio do século XX, com alguns movimentos ocasionais insuficientes para contrariar a tendência: 1399 habitantes em 1950, 1453 em 1960, 929 habitantes em 1970. e, em1991... 181 habitantes apenas !
A situação de fronteira administrativa, mas não legal, no Guadiana, não lhe permitiu ter uma verdadeira alfândega, embora funcionasse às vezes um muito pequeno posto de estatuto indefinido. A sua Feira Anual, em 10 de Agosto, sob o
seu antigo Orago de Nossa Senhora do Loreto, é muito modesta.
Juromenha é, fundamentalmente, uma ruína grandiosa. Um certo medo do local e das suas antigas epidemias subsistiu até 1940, já que num guia com essa data se
aconselhava a eventuais visitantes o cuidado de se preveniram com quinino.
A falta de água é um dos dramas do povoado, e é um problema muito antigo. E, todavia, era relativamente rica de trigo em volta, em especial além-Guadiana, e de madeira de queima, pelo que há memória de um ditado popular significativo
(“Juromenha, Juromenha, // boa de trigo, e melhor de lenha”).
Para visitar a fortaleza de Juromenha, segundo informações de 1996, tem de se pedir a chave no novo povoado de Juromenha fora das muralhas.
E o visitante logo concluirá que a actual situação de abandono não pode continuar. A fortaleza está ainda razoavelmente bem conservada, fazendo jus ao antigo brasão da Vila (uma torre de muralha, dentro de água, encimada por correntes), mas as ruínas do interior em breve não passarão de uma camada de pó. Urge, pois, salvar os maltratados monumentos, reconstruí-los, restaurar
tanto quanto possível o traçado urbano, e fazer da fortaleza fantasma um lugar de vida, talvez um ponto turístico, quiçá uma pousada, e outras atracções. Há notícias de que se começa a pensar em qualquer coisa. Qualquer solução será benvinda, mas o abandono actual não pode ter perdão. O que poderá fazer para acudir a esta região, progressivamente abandonada, onde
as pedras carregadas de história têm cada vez menos homens por companhia ? Fica a interrogação para quem de direito responder.
Estremoz, revisto em 08 de Janeiro de 2006
Carlos Luna ( Carlos Eduardo da Cruz Luna)Envie o seu comentário: portugal-livre@freeola.com
Escuela Oficial de Teatro y Danza de Extremadura
http://www.cedrama.com/olivenza/historia.html
HISTORIA / CRONOLOGÍA DE LA ESCUELA
La Escuela de Teatro y Danza del Centro Dramático y de la Música en Olivenza, fue creada en febrero de 1998 (Decreto 135/1998, de 17 de Noviembre- DOE 134 DE 21 DE NOVIEMBRE) con el fin de dotar a nuestra Región de una infraestructura que permita a los ciudadanos acceder a una formación teatral profesional.>>>>>>>>>>
La Escuela de Teatro y Danza de Extremadura se
ubica en el restaurado convento de S. Juan de Dios, un noble
edificio (S.XVI) de la Villa de Olivenza, en el que tras las madres
clarisas se asentarían los frailes hospitalarios de San Juan de
Dios, posteriormente los carabineros que combatían el contrabando
transfronterizo con Portugal y por último la Guardia Civil. El
edifico, adquirido por el Ayuntamiento de Olivenza en estado de
ruina, fue restaurado por la Escuela Taller durante largos años.>>>>>>>>>
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30.01.2006
Chefe de Estado vai estar no distrito de Viseu
Jorge Sampaio conclui visita a todos os concelhos do país de 7 a 10 de Fevereiro
http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1246338&idCanal=32
O Presidente da República, Jorge Sampaio,vai realizar entre os dias 7 e 10 do próximo mês a sua última visita pelo país, percorrendo os 11 concelhos onde nunca esteve ao longo dos seus dois mandatos,
todos do distrito de Viseu.
Ao longo de dez anos na Presidência da República, Jorge Sampaio visitou 297 dos 308 concelhos do país, cobrindo todos os distritos, à excepção de um.>>>>>>>>>
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30 Jan 2006
IES Puente Ajuda - Olivenza
Breve historia de Olivenza
http://centros4.pntic.mec.es/ies.puente.ajuda/olivenza/
La ciudad de Olivenza nació durante el siglo XIII, este territorio
pertenecía a Castilla(1), hasta que este reino la cedió a Portugal en
el Tratado de Alcañices de 1297(2). Portugal hizo de esta antigua aldea castellana(3) una villa privilegiada, su nacimiento como villa fue en 1298 con Don Dinis en el poder. Olivenza experimenta un notable crecimiento de población durante los siglos XIV y XV.
El siglo XVI, con el reinado de Manuel I, fue la época de mayor auge
monumentístico, de esta fecha datan las iglesias de Santa María de
la Asunción (conocida como Santa María del Castillo) y Santa María
Magdalena.
El siglo XVII fue un momento duro para Olivenza debido a los
enfrentamientos entre España y Portugal(4), también en este mismo año se fundó el Hospital de la Santa Casa de la Misericordia.La villa es una posesión legalmente española por el Art. III del Tratado de Badajoz del 6 de junio de 1801(5) que puso fin a la denominada Guerra de las Naranjas(6). Portugal trató de recuperar la ciudad en muchas ocasiones incluso en la actualidad(7) pero todos estos intentos han sido fallidos. Hoy en día Olivenza es una ciudad perteneciente(8) a la provincia de Badajoz.
Esta ciudad era visiblemente agrícola y ganadera ya que el campo
ocupaba la mayor parte de la población que junto con una modesta
artesanía, para abastecer la localidady sus aldeas, formaba el
sector eco- nómico de la villa. Hoy día nuestra ciudad ha apostado
por el sector turístico debido a la cantidad de cultura artística
que posee.
José Enrique CarvalloEnvie o seu comentário: portugal-livre@freeola.com
The Ajuda Bridge, Juromenha
Comment: Rui da Silva
(1)There is no documented evidence that the territory in question ever belonged to Castile before Olivença was founded. In fact, the Portuguese were the first to claim the territory in 1164, when they defeated the Almohads. Portugal's first King, Afonso I went on also to capture Alconchel to the south. Even Alfonso IX of Leon recognized Portuguese sovereignty to the area south of the River Olivença by "handing over" to the Portuguese Templars other territories to the east in gratitude for their aid in defeating the Moors at Badajoz and Merida in 1230.
(2)Olivença was restored to Portugal in 1297 after Castilian occupation from 1278. Since 1228, the Templars had set about building Olivença. In 1258, during their absence in the Holy Land, Alfonso X, egged on by the Catholic Bishop at Badajoz illegally appropriated it. These events are acknowledged by most Spanish historians.
(3)There never was an "old, Castilian village" because it was the Templars who founded it! Yes, after 1297, the Portuguese continued to enlarge Olivença and it became one of the most prosperous towns in Portugal.
(4)The 17th century was indeed a "hard" time. Portugal fought a long, "hard" war from 1640 to 1668 to remove Spanish forces from its soil. During those years, Spanish troops were beaten in several battles by the Portuguese, but time after time they came back in an attempt to annexe Portuguese territory. Finally they succeeded in occupying Olivença in 1657, and all the population left. In the Peace Treaty between the two Kingdoms in 1668, Spain inequivocably recognized Portugal's integrity and returned Olivença. All Treaties that followed (until 1801) accepted without dispute Portugal's borders.
(5)Portugal having already suffered a Spanish invasion because of its support to the United Kingdom against Napoleon, and under a serious threat of a further Franco-Spanish military onslaught, was forced to cede Olivença to Spain by the Treaty of Badajoz . This Treaty also included France, Spain's ally. Article III clearly states the limits between the two kingdoms was to be the River Guadiana, but "only in that part that it concerns the territory of Olivença". Despite Portuguese protests, Spain, through Godoy, abusively took also Vila Real, historically part of Juromenha, and not Olivença.
Article IV of the same Treaty also clearly states that if there should be a breach of any of the Articles agreed by the three countries, the Treaty will be nullified. Only six years later, Spain again invaded Portugal with the support of French forces; its objective to dismember the country into three parts! The Treaty was in tatters, Spain's claim to Olivença lost. Not surprisingly, Portugal through its Prince Regent repudiated early in 1808 the Treaty of Badajoz. At the Treaty of Paris in 1814, the Treaties of Badajoz, Madrid and others signed during the Napoleonic wars were declared null and void. This was confirmed at Vienna in 1815. Spain signed the return of Olivença in 1817.
(6)Mocking name given by the Spanish people on hearing about Godoy's gift to the Spanish Queen of a couple of branches taken from an orange tree during their failed attack on Elvas (Portugal)!
(7)No official negotiations made since the end of the First World War.
(8)Illegally incorporated into the province of Badajoz and currently administered by Spain.
This site does not censor Spanish articles written about Olivença. Unfortunately, as in the above example, the majority contain many errors and misinformation, either through blinkered ignorance or deliberate mischief on the part of the writer.
27 Jan 2006
A Revista "HISTÓRIA" errou...
"MUSEU SEM FRONTEIRAS"(texto corrigido)
Excelente, o artigo da Revista "HISTÓRIA" de Janeiro de 2006 sobre o Museu Etnográfico "González Santana", de Olivença. Na área da Etnografia, é difícil arranjar melhor, e o museu mererce todos os elogios.
Faço notar, todavia, que no Alentejo há alguns museus semelhantes, embora não tão completos: os de Santiago do Cacém e de Aljustrel. Não é muito correcto dizer que não há nenhuns.
Uma outra coisa me parece de destacar: a cozinha do século XIX que podem ser vista, em reconstituição, no referido Museu de Olivença é tipicamente extremenha, mas não oliventina. A esmagadora maioria das casas, principalmente no meio rural, na região, eram (e algumas ainda são) tipicamente alentejanas, com as suas gigantescas chaminés. Aliás, algumas das salas do museu reflectem os costumes da elite exterior à região que se instalou em Olivença, não os costumes mais tradicionais. Nesse século, a maior parte das elites tradicionais, bem como outras fanjas da população, atravessou o Guadiana, e demograficamente Olivença conheceu algum retrocesso.
Mas... página 43, na zona destacada sob o título "Subir à Torre", encontramos um erro um tanto mais estranho. Lê-se, e cito:"Em redor, o casco seiscentista arruma-se, em pinha irradiante, até à linha de fortificações FILIPINAS, de sistema Vauban, erguidas para fazer a guerra contra os PORTUGUESES, em 1640". Obviamente , e o mesmo trabalho, logo na página 49, noutro destaque, o confirma, trata-se de uma afirmação incorrecta! Na verdade, pertencendo Olivença a Portugal, e tendo sido as fortificações erguidas, principalmente por ordem de Matias de Albuquerque, para defesa contra Espanha, é evidente que há um erro. Aliás, na página 49 refere-se que Olivença caiu sob um ataque espanhol em 1657, tendo-a os seus habitantes abandonado, só regressando à posse de Portugal em 1668, altura em que os mesmos habitantes voltaram também.
Recentemente, em Novembro de 2003, o Museu em questão deixou de exibir um painel de azulejos, originário do Estoril , da casa de Ventura Ledesma Abrantes (Olivença, 1883-Estoril, 1956). Este oliventino foi um refugiado, instalado em Lisboa, onde abriu uma livraria, que também tinha uma vertente editorial. Foi o responsável, por ter sido o único com coragem para o fazer, pela edição dos livros sobre sexualidade(tema então tabu!) de Egas Moniz, o Prémio Nobel. Foi também um dos fundadores da Universidade Livre de Lisboa em 1911, e esteve à frente da Primeira Feira do Livro (OFICIAL) de Lisboa, em 1931... um ano após a primeira e amadorística realização. Figura de prestígio intelectual, participou em tertúlias literárias com, entre outros, Teófilo Braga e António Sardinha. Durante a Guerra de Espanha (1936-39), ajudou muitos oliventinos, o que o levou à beira da falência. Celebrizou-se também por entrar em polémica com Salazar, que não queria conceder-lhe bilhete de identidade português. Ao falecer, na sua casa no Estoril, a sua família pensou enviar o painel para Olivença, mas só na década de 1980 funcionários oliventinos o adquiriram, não sem algumas peripécias rocambolescas, e o colocaram mais tarde no Museu donde, afinal, veio a ser retirado.
Nele, podia ler-se: "CASAL OLIVENTINO//Neste casal, vive a ventura e a esperança/da História pátria! Não perturbes a sua Paz!//Se és meu amigo - Deus te guie!/Se és Português - Deus te guarde!/Se és alentejano - Deus te salve!/Mas se és de Olivença//entra, meu irmão - esta casa é sempre tua!//Aqui vive-se junto ao Céu/a alma alimenta-se de impecável Fé!/O coração sonha e adormece/olhando o mar...//É a saudade lusíada do passado!/É o culto da Pátria que só Deus mantém inalteravelmente!/É Portugal, aquecendo o peito ao fogo dos cânticos de Camões!/É o pensamento místico da Alma/é a fé do patrono...Nun`Álvares!//Casal Oliventino/Laus Deos/Olivença - Portugal"
Algumas das afirmações acima transcritas poderão parecer um pouco estranhas ou "fora de moda". Mas, por isso mesmo, são um testemunho histórico respeitável, de um dos filhos maiores de Olivença.
Espera-se que a Direcção dum tão excelente Museu se dê conta de que certos complexos de outros tempos não têm muita justificação hoje em dia, e que o Painel regresse ao seu lugar. É inevitável, pela História que comporta tudo o que se liga a Olivença, que haja quem o queira ver, com mais modernos ou mais retrógados sentimentos "patrióticos". Uma verdadeira sociedade democrática, como se vive tanto em Portugal como em Espanha, tem de estar acima disso, aceitar a liberdade de opinião, ter a convicção de estar na posse de argumentos sólidos, e, claro, tem de resistir a tentações censórias.
Como mensagem final, só resta secundar o autor do trabalho a que nos referimos, e aconselhar a que se visite Olivença, não deixando de fora esse óptimo "Museu González Santana".
Carlos Eduardo da Cruz Luna (prof. Hist. Ens. Sec.) Estremoz, 27-Janeiro-2006Envie o seu comentário: portugal-livre@freeola.com
Fev 25, 2006 12:49 am
Clube Taurino Alenquerense - ConferênciaGrupo dos Amigos de Olivença
www.olivenca.org
Divulgação 2-2006
No âmbito das iniciativas culturais do JORNAL D’ALENQUER, terá lugar no próximo dia 1 de Março, às 21:00 horas, no Clube Taurino Alenquerense, Av. Jaime Ferreira – ALENQUER, uma conferência sobre a Questão de Olivença, com a participação de dirigentes do GAO.
Convidam-se todos os que se interessam