Duque de Bragança no 109º aniversário da restauração
do concelho de Cadaval
D. Duarte Nuno deslocou-se ao Cadaval, onde se celebrou o 109º
aniversário
de restauração do concelho e foi assinado um acordo de geminação entre o
município local e Olivença, localidades com afinidades históricas,
O Duque de Bragança manifestou no passado sábado, no Cadaval, que os
direitos de soberania que Portugal possui sobre Olivença não devem ser
esquecidos e sugeriu uma solução intermédia para resolver um litígio com
Espanha que se arrasta há dois séculos - a criação do que designou de um
"condomínio", no qual o Rei de Espanha e o presidente da República
português
podiam ser simultaneamente chefes de Estado do território autónomo de
Olivença.
D. Duarte Nuno, que se deslocou ao Cadaval, onde se celebrou o 109º
aniversário de restauração do concelho e foi assinado um acordo de
geminação
entre o município local e Olivença, localidades com afinidades
históricas,
afirmou que "assim como Andorra tem dois chefes de Estado - o presidente
de
França e o bispo do Urgel, podia haver uma solução dessas para Olivença".
Segundo apontou, "Olivença é uma cidade portuguesa, inclusive a nível da
Nato e Nações Unidas é visto como território português, só que está sob
administração espanhola. É como Gibraltar, que os espanhóis garantem que
deles mas está sob administração inglesa".
"A solução seria fazer uma espécie de condomínio, no qual o Rei de
Espanha e
o presidente de Portugal podiam ser simultaneamente chefes de Estado do
território autónomo de Olivença", sublinhou.
"Era uma maneira de se resolver um problema político e que é uma pedra
que
está sempre nas relações entre os nossos dois países", adiantou.
Para o Duque de Bragança, "seria de justiça o regresso de Olivença à
administração portuguesa", considerando que "não se pode abdicar de um
direito histórico".
"A Espanha tem óptimas relações com Inglaterra, apesar do conflito de
Gibraltar. Nós não temos razão nenhuma para que este problema com
Olivença
dificulte as relações com Espanha. Agora, se nós cedermos, não ganhamos
nada
com isso e só perdemos", sustentou.
O herdeiro da Coroa Portuguesa revelou que tem tido diversas conversas,
a
nível particular, com membros do Governo, indicando que "nenhum põe em
dúvida a soberania portuguesa sobre Olivença".
No passado sábado foi assinado um acordo de geminação entre Cadaval e
Olivença, tendo D. Duarte manifestado que este tipo de parcerias pode
ser
uma forma de facilitar a transferência do território para administração
portuguesa.
No entanto, Ramón Maqueda, alcaide de Olivença, desvalorizou essa
intenção,
tendo declarado que "a questão de Olivença faz parte do passado e agora
estamos numa Europa sem fronteiras e não devemos voltar a criar limites".
"É
um assunto que está ultrapassado, somos irmãos e trabalhamos juntos",
comentou.
A origem de Olivença está ligada à reconquista de Badajoz, pelo rei León
Alfonso IX na Primavera do ano de 1230. Mais tarde foi cedida por
Fernando
IV de Castilla ao rei D. Dinis de Portugal através do Tratado de
Alcanices
de 1297.
Através do Tratado de Badajoz, de 6 de Junho de 1801, incorpora
formalmente
a soberania espanhola, mas pelo Tratado de Viena de 1815, a Espanha
comprometeu-se a devolver Olivença a Portugal, o que até hoje ainda não
cumpriu.
A ligação entre Cadaval e Olivença remonta ao 1.º Duque de Cadaval, D.
Nuno
Álvares Pereira de Melo (1638-1727), detentor do Ducado de Cadaval e
simultaneamente Alcaide-mor da vila e do castelo de Olivença. Desde
então
Cadaval e Olivença seguiram caminhos distintos, sem qualquer tipo de
ligação
entre si.
Olivença situa-se no Alto Alentejo, na margem esquerda do Rio Guadiana,
quase em frente da cidade de Elvas, a cerca de 24 Km a sul de Badajoz.
Se
Olivença passasse para administração portuguesa integraria,
provavelmente, o
distrito de Portalegre.
O Cadaval foi elevado a vila e constituído concelho por carta régia de
D.
Fernando no dia 1 de Dezembro de 1371. Em 1513, D. Manuel concedeu o
Foral
ao Cadaval. Em Setembro de 1895 o concelho foi extinto e as suas
freguesias
distribuídas por quatro concelhos limítrofes. Quase três anos decorridos,
foi reconstituído o concelho a 13 de Janeiro de 1898 (devido a
contestações
e manifestações colectivas), daí o feriado municipal ser nesse dia,
tendo
decorrido diversas cerimónias, entre as quais uma recriação histórica.
Francisco Gomes (texto)
Carlos Barroso (fotos)
Legendas:
1- O presidente da Câmara do Cadaval, o Duque de Bragança e o alcaide de
Olivença
18 de Jan de 2007
A VELHA PONTE DA AJUDA SEMPRE VAI SER RECUPERADA
Há acontecimentos que dir-se-ia integrados numa trama novelesca... quase
rocambolesca... tantos são os episódios inesperados que o rodeiam. O que
é verdade num dia, deixa de ser no seguinte, volta a sê-lo pouco depois...
uma sucessão interminável de surpresas.
Está nesta situação o processo de recuperação da velha ponte manuelina
da Ajuda, entre Elvas e Olivença, que, afinal, sempre vai ser recuperada.
É inevitável fazer, ou tentar fazer, um breve historial do caso, para se
tentar perceber minimamente o que se passou, ou o que se está a passar.
A Ponte foi destruída em 1709. A partir de 1801, com a ocupação
espanhola de Olivença, a sua reconstrução tornou-se mais problemática,
por se inserir na questão de soberania da Terra das Oliveiras.
Encurtando episódios, decidiu-se em 1994 (Agosto) que seria reconstruída
por Portugal, sendo construída uma nova ao lado, igualmente pelo Estado
Português, de forma discreta, para que não se interpretassem as obras
como uma abdicação de soberania sobre o território por parte de Lisboa.
Em Outubro de 1999, quando as obras da nova Ponte alcançavam já a margem
oliventina do Guadiana, as autoridades espanholas intervieram, e, contra
o acordado, obrigaram à paragem dos trabalhos. Este episódio só se
tornou público em Março de 2001.
Retomadas as obras em Fevereiro de 2000, a nova ponte foi inaugurada, de
forma não oficial mas festiva, em 11 de Novembro do mesmo ano de 2000.
Só depois se soube que Portugal aceitara que fossem entidades espanholas
a recuperar a velha ponte, desde que com um projecto aprovado pelo luso
I.P.P.A.R.. Associações cívicas protestaram, e uma Providência cautelar
impediu que se iniciassem quaisquer trabalhos no monumento histórico.
Entretanto, assinara-se em Albufeira (12-Janeiro-2000) uma Convenção
cujos termos só depois viriam a mostrar a sua importância.
A Providência cautelar foi contestada pelo Estado Português (13 de
Setembro de 2001), e foi decidido considerá-la despropositado, com
alguns argumentos que adiante se reproduzirão.
Em 2003, a velha Ponte começou a ser reconstruída, subitamente, sem
prévia aprovação pelo I.P.P.A.R., com poucos cuidados
histórico-arquitectónicos. Choveram os protestos, e deu entrada em
Tribunal um processo contra o que se estava a passar. O processo foi
levado a Tribunal (Elvas), onde foi "derrotado". Mas,no que se pode
considerar um acontecimento do ano, no final de 2006, após recurso,o
Tribunal de Évora decidiu que que o citado processo deveria ser de novo
examinado.
Mas... muita água passara debaixo da Ponte. O I.P.P.A.R., que acabara
por reprovar claramente as obras interrompidas, foi recebendo novas
propostas, e, no final do já citado ano de 2006, autorizou nova
reconstrução do Monumento Histórico, uma vez respeitadas uma série de
normas ( parece que se vai colocar uma estrutura metálica, que não "ofenderá"
o "esqueleto" manuelino ). Assim, como passagem peadonal, a Ponte
voltará a cumprir a sua função muito em breve.
O que concluir de tantas peripécias?
Para já, que o Estado Português acautelou as suas posições de princípio.
Pode-se ler, no texto da Convenção de Albufeira (12-Janeiro-2000), o
seguinte:"A construção e manutenção de Pontes de interesse comum para
serviço ferroviário, rodoviário, e pedonal, bem como das respectivas
acessibilidades,...NÃO MODIFICAM A LINHA DE FRONTEIRA ENTRE OS DOIS
PAÍSES."
O Estado Português, na sua "contestação" de 13 de Setembro de 2001, já
citada, não hesita em reafirmar, sem equívocos, que mantém a sua posição
de não reconhecimento da soberania espanhola sobre Olivença ( citando:
"O Estado Português tem-se recusado a definir os limites fronteiriços
entre Portugal e Espanha no troço que medeia a foz do Rio Caia à foz da
Ribeira de Cuncos(...).(...) de forma a afastar a interpretação jurídica
(...) se cedia na soberania sobre o território Oliventino, respectivos
monumentos e demais património.").
(Não se pode esquecer que Portugal, neste ponto, não pode ser "negligente",
porque a posse da bacia do Guadiana e das águas do Alqueva têm uma
relação importante com o problema de Olivença...)
Nessa mesma contestação (de 13 de Setembro de 2001), entre inúmeras
considerações, afirma-se que "o Reino de Espanha se coloca em posição de
fragilidade, porquanto se obriga a submeter, como já submeteu, o seu
projecto, à apreciação do IPPAR."
Resumindo, perdoam-se a "actuação" das autoridades espanholas em Outubro
de 1999, bem como as obras ilegais de reconstrução citadas. Como as
questões de princípio, bem como o respeito pela arquitectura original da
Ponte, acabam por ser contempladas, segue-se em frente como se nada se
tivesse passado.
O que se fará com os trabalhos ilegais iniciados e interrompidos, que
desvirtuaram o velho monumento, bem como o que se apurará sobre as
responsabilidades neste tristíssimo episódio, ficará decerto por decidir,
pelo menos até que o Processo judicial seja "reanimado", como decidiu o
Tribunal de Évora em 2006.
Não há agora dúvidas sobre a legalidade das obras que se farão na velha
ponte manuelina, nem de que as mesmas não porão em causa a posição
tradicional de Portugal em relação à soberania sobre a Região de
Olivença. E, contudo, fica a sensação, desagradável, que o Estado
Português poderia ter assumido outras posições, mais firmes e mais
públicas, em toda esta história. O segredo dos gabinetes continua a ser
o método preferido para tratar das questões pendentes sobre a posse da
citada Região. E pergunta-se quando haverá a coragem, sem excessivos
melindres bilaterais, de se discutir abertamente a Questão de Olivença...
como é próprio de Estados Democráticos e unidos por laços fraternos, e
obrigados, todos, independentemente do seu tamanho, a respeitar um MESMO
Direito Internacional.
Seja feita a obra. Perdoem-se os atropelos, já que os princípios são
claramente salvaguardados. Mas não se elogiem e prolonguem as tibiezas
diplomáticas. Estas não poderão durar eternamente, pois não dignificam
muito o Estado que as pratica.
Estremoz, 17-Janeiro-2007
Carlos Eduardo da Cruz Luna
Geminação entre os
Municípios de Olivença e Cadaval
Integrado nas
comemorações do 109º Aniversário da Restauração do Concelho de Cadaval,
realizou-se um acordo de geminação deste Município com o Município de
Olivença.
O acordo de
geminação, conforme informou a Câmara Municipal do Cadaval, visa a
promoção de relações culturais, associando as forças vivas dos dois
Concelhos, que estão profundamente ligados, em termos históricos.
Na
concretização do acto, esteve presente uma forte e ilustre representação
de Olivença, chefiada pelo Presidente do Município, Sr. Ramón Rocha, na
qual se integravam o Rancho Folclórico «A Azinheira», a Filarmónica de
Olivença e muitos oliventinos.
Foi em clima
de grande solidariedade e comunhão que a população do Cadaval recebeu e
acompanhou a representação oliventina. Como é norma nas ocasiões
em que Olivença e os Oliventinos visitam qualquer outra
terra portuguesa, a sua presença não deixa de sensibilizar e entusiasmar
todos os portugueses.
Na ocasião, o
Sr. Presidente do Município de Olivença cumprimentou o Sr. Duque de
Bragança que, a propósito, propôs a criação
de “uma espécie de condomínio”, em que o rei de Espanha e o Presidente
da República portuguesa seriam “simultaneamente chefes de Estado do
território autónomo de Olivença”.
Geminação do Município do Cadaval com o
Município de Olivenza
6 de Jan de 2007
No âmbito do 109º Feriado Municipal
Duque de Bragança desloca-se ao Cadaval
As comemorações do 109º Aniversário da Restauração do Concelho de
Cadaval, que decorrem de 12 a 14 de Janeiro, assumirão um significado
particular, na medida em que contarão, no dia de Feriado Municipal, 13
de Janeiro, com a ilustre presença do Duque de Bragança e da Duquesa de
Cadaval. No mesmo dia, realizar-se-á um acordo de Geminação do Município
do Cadaval com o Município de Olivenza (Espanha).
"Reforço da Identidade Cultural" é a temática do 109º aniversário da
restauração do Concelho de Cadaval, que tem, este ano, por objectivo
principal sensibilizar a população para a importância do conhecimento e
valorização da história do Concelho, ao mesmo tempo que se promove o
desenvolvimento do sentimento de pertença ao Município.
O dia 13 de Janeiro - dia em que se celebrarão 109 anos sobre a
restauração do Concelho do Cadaval, ocorrida em 1898 - contará com
ilustres presenças da realeza nacional, nomeadamente o Chefe da Casa
Real Portuguesa, Dom Duarte Pio de Bragança, a Senhora Duquesa de
Cadaval, Dona Diana Álvares Pereira de Melo e sua mãe, Senhora Duquesa
Viúva de Cadaval, Dona Claudine, e ainda de uma representação da
Associação Real do Ribatejo.
Paralelamente, neste insigne dia, decorrerá também a assinatura de um
acordo de geminação entre os municípios de Cadaval e de Olivença, a ter
lugar no salão nobre da Câmara Municipal do Cadaval, acordo esse que
visa a promoção de relações culturais, associando as forças vivas dos
dois Concelhos, que historicamente estão profundamente ligados. A
cerimónia contará com a presença do "Alcalde-Presidente do Ayuntamiento"
(Câmara Municipal) de Olivenza, Ramón Rocha Maqueda.
Prevê-se ainda a possibilidade de assinatura de dois acordos de
Cooperação Cultural/União, um entre o município do Cadaval e a Senhora
Duquesa de Cadaval, outro entre o referido Município e o Duque de
Bragança.
A destacar do programa deste ano, saliente-se logo no dia 12, uma sessão
evocativa dos 30 anos do poder local democrático, promovida pela
Assembleia Municipal do Cadaval, que contará com a presença e
intervenção dos presidentes da Câmara do Cadaval do período pós-25 de
Abril, que terá lugar no auditório municipal, pelas 21 horas.
Recriação histórica e animação musical, no dia 13, e Festival de Natação,
no dia 14, completam o cartaz deste ano. Fique, pois, atento ao programa
festivo deste 109º Feriado Municipal do Cadaval!
Dados históricos sobre o Ducado de Cadaval
A 26 de Abril de 1648 foi criado, por D. João IV, o Ducado de Cadaval.
D. João IV, ao consumar a independência de Portugal relativamente à
Espanha, fez com que a Vila de Cadaval passasse a ser cabeça de ducado,
dando assim nascimento a uma das mais sólidas casas nobres do país.
O primeiro título de Duque de Cadaval foi concedido no dia do nascimento
do infante D. Pedro (D. Pedro II, rei de Portugal), e foi passando de
geração em geração ao longo dos séculos, tendo tido, até ao momento, 11
titulares. O título foi atribuído a D. Nuno Álvares Pereira de Melo, que
herdou de seus pais o título de Conde de Tentúgal e de Marquês de
Ferreira. Assim, D. Nuno era, simultaneamente, o 1.º Duque de Cadaval,
4.º Marquês de Ferreira e 5.º Conde de Tentúgal. A fusão destas Casas
tornou D. Nuno um dos mais poderosos nobres do reino. Para estas
benesses, muito contribuiu a luta desta família pela causa da
Independência, quer em 1580, quer em 1640.
Os Duques de Cadaval eram uma ramificação da família dos Duques de
Bragança, a mais poderosa de Portugal e da qual saiu a IV Dinastia.
Beneficiando dos laços familiares com os Reis e do apoio que sempre lhes
deram, os Duques de Cadaval prosperaram durante os séculos seguintes.
"SOL", 6-Janeiro-2007
(NOTA: SEGUE-SE CARTA/PROPOSTA DE RESPOSTA... QUE O "SOL" PUBLICARÁ, OU
NÃO, EM 13-JANEIRO-2007)
Secção "ESCRITA EM DIA"
A CAUSA DE OLIVENÇA
No seguimento de uma minha carta publicada a 16 de Dezembro, recebi do
senhor Carlos Luna a cópia da carta que me dirige no "SOL" de 23 de
Dezembro. Diz-me que as autoridades de Olivença tinham comprado
exemplares do número do "SOL" que traz a carta de 1641 escrita por
Francisco de Melo Torres a D. João IV, o que prejudiucava a sua campanha
em prol de Olivemça portuguesa. Ora a carta não é novidade, vem na
biografia do homem - um dos conjurados de 40 e o futuro grande diplomata
da Restauração - que foi governador de Olivença em 1641. Esse meu livro
saiu em 1974.
Acontece que estou a preparar a dita biografia para uma possível
reeedição, e achei que vinha a propósito dar a conhecer as impressões do
jovem governador que tomou conta da praça em 1641.
A revelação do seu desabafo a esse respeito perigou a causa do senhor
Carlos Luna ? Creia que o lamento muito sinceramente, mas a história não
se pode cortar à medida de cada um, escondendo, enaltecendo, ignorando
ou empolando os factos conforme e quando nos convém.
Theresa M. Schedel Castello Branco
LISBOA
PROPOSTA DE RESPOSTA
EMPOLAMENTOS (resp. a carta de 6 de Janeiro de 2007)
EMPOLAMENTOS (curta resposta a D. Theresa Castello Branco)
Li com atenção a nova carta da Dona Theresa M. Schedel Castello Branco,
no "Sol" de 6 de Janeiro de 2007. Fico contente que tenha recebido a
minha carta, bem como a documentação que lhe enviei, pois ia tudo junto.
Respeito e aplaudo a sua intenção de publicar um livro sobre Francisco
de Melo Torres.
Devo dizer, todavia, que conheço vários relatórios da situação das
praças fronteiriças em 1640/41. Quase todos dão testemunho de
dificuldades em organizar a defesa, pelo manifesto desinteresse, e
lógico, em iniciar uma guerra. Só os loucos vão para a Guerra com
alegria. Contestei, e contesto, a oportunidade de destacar só Olivença
nesse contexto. Também me pareceu revelar alguma desatenção não revelar,
também, a resistência dos oliventinos em 1641, em 1644, em 1648, e a
atitude em 1657 (abandono em massa da localidade, para não viver sob
administração espanhola), porque só lançando todos estes dados para a
Praça Pública se poderá analisar a atitude dos oliventinos durante os 28
anos do conflito. Citar só uma primeira atitude, que todas as outras
desmentem, não me pereceu muito correcto.
Não me tenho por inconsciente. Sei que "a luta por Olivença" é difícil,
e que duzentos anos de espanholização, particularmente profunda na época
franquista, criaram uma situação complexa. Não sou neutral nesta questão,
como sabe. Mas dizer que eu empolo o período que me convém parece-me um
tanto exagerado, pois eu baseio-me em ocorrências históricas de quatro
ocasiões (1641, 1644, 1648, e, principalmente, e por ser a mais
significativa, 1657), enquanto o relatório "negativista" de Francisco de
Melo Torres se refere a uma só ocasião (inícios de 1641). Não me parece
que isto seja empolar um lado da História, mas sim destacar quatro
momentos historicamente comprovados, contra um só.
Aguardarei o seu livro, de que me declaro desde já comprador.
Com os meus respeitosos cumprimentos,
Carlos Eduardo da Cruz Luna ESTREMOZ
Semanário "O SOL",
23-DEZEMBRO-2006
"OLIVENÇA LUTOU
EM 1640-1668 !"
Li, com muita atenção, como é lógico, a carta de Theresa Schedel de
Castello Branco, de Lisboa, no "Sol" de 16 de Dezembro de 2006, sob o
título "Olivença agradecerá o esforço?"
Não sei o que me impressionou mais. Talvez a incapacidade da autora em
compreender que há quem lute por causas apenas por as considerar justas,
mesmo quando parecem "perdidas". A autora deve ter um ´sentimento de
desprezo imenso por quem, ao longo da História da Humanidade, morreu sem
ver realizados os seus sonhos, tantas vezes utópicos, tantas vezes
quixotescos, mas que acabaram por se concretizar. Foi o caso dos
filósofos iluministas, por exemplo.
Nem ouso especular sobre o que terá pensado esta senhora sobre os
quixotescos que acreditaram, nas décadas de 80 e 90, que ainda valia a
pena acreditar num Timor Livre.
Também não vou entrar em pormenores sobre o "quixotismo", no qual há um
aspecto que me apaixona: o Cavaleiro da Triste Figura lutava
obstinadamente pelos seus ideais, a maioria dos quais bem generosos.
Para mim, prefiro-o ao0s seus adversários, frios, calculistas,
interesseiros.
O que eu não perdoo (enfim, é uma maneira de dizer...) é o
desconhecimento Histórico. A autora, de entre os documentos da época de
1640-1668, escolheu um dos mais pessimistas, quando poderia ter optado
por muitos outros com outras opiniões. Desconhece algo que deveria ser
um exemplo: em 1657/8, quando as tropas espanholas se apoderaram de
Olivença, os seus seis mil habitantes, salvo 30, não aceitaram as
propostas do ocupante, e abandonaram a povoação, dispersando-se por
Elvas, Juromenha, Estremoz, Vila Viçosa, Alandroal, etc. Só regressaram
a Olivença com a Paz de 1668 e a reentrega de Olivença a Portugal.
Entretanto, espanhóis de Cheles, Alconchel, e Badajoz, tinham ido para a
Terra das Oliveiras, principalmente para fazer uma recepção entusiástica
ao Rei de Espanha... uma farsa abominável!
O facto foi bastante comentado, mesmo por toda a Europa. Fontes
francesas, inglesas, e alemãs, apontam estes acontecimentos como
demonstrativos da fidelidade de um povo ao seu rei (Afonso VI, então).
Um frade jesuíta compôs mesmo uma poesia em Latim, que reproduzo (seguindo-se
a tradução):
DE URBE OLIVENTIA CAPTA
Quas tibi Palladias, Alfonse, Philippus olivas
abstulit incolumes has tibi Pallas alit.
Perfidae et fidei CERTATUM est robore, portas
perfidia intravit, corda fides tenuit.
Omnibus in patria manendi est facta potestas:
nullum captivum mansit in orbe caput.
Victrices Aquilas defixit in arce Philipus;
Lusiadum, Alfonse, in pectore fixus ades.
Victor uterque fuit, victoria dividit urbem:
Alfonsus cives; saxa Philippus habet.
A TOMADA DA CIDADE DE OLIVENÇA
As oliveiras de Palas, Afonso, que Filipe te arrebatou,
guarda-as Palas para ti, intactas.
Combateu-se com as forças da traição e da lealdade:
a traição cruzou as portas, mas a lealdade manteve os corações fiéis.
A todos se lhes deu a possibilidade de ficar na pátria (cidade),
mas nenhum permaneceu cativo no recinto urbano.
Filipe cravou no torreão as suas águias vitoriosas;
mas tu, Afonso, estás cravado no peito dos portugueses.
Cada um ficou vencedor, a vitória fez a divisão da cidade:
Afonso obtém os cidadãos, Filipe os muros de pedra.
Curioso, não é? Veja-se como a verdade histórica contraria a lógica da
D. Theresa Castello Branco!
Acredito que a autora não tívesse má intenção. Na verdade, há tanta
desinformação sobre o tema Olivença, em Portugal.
Claro, em Espanha (e Olivença) é pior. O oliventino quase nada sabe
sobre a sua História, o que é lamentável, principalmente numa democracia.
Só para dar um exemplo: Olivença perdeu gente e importância no século
XIX ( nos primeiros 100 anios de administração espanhola). Em 1801,
segundo a "História da Extremadura" da Univ. Extremadura (Badajoz),
Olivença era tão grande com, por exemplo, Badajoz (!!!). Era tão grande
como uma cidade como Estremoz. Hoje, tem 11 000 Habitantes, enquanto
Estremoz tem 18 000.
Espero ter contribuído para, de alguma forma, esclarecer os leitores do
"Sol" e a autora da carta de 16-Dezembro-2006 ao mesmo.
Carlos Eduardo da Cruz Luna
RESPONDENDO A:
OLIVENÇA AGRADECERÁ O ESFORÇO ? (16Dez2006)
CONCORDO com Marcelo Rebelo de Sousa, na sua coluna no "SOL", que é de
admirar o esforço de Carlos Luna em prol de Olivença. Mas parece-me
ligeiramente quixotesco. Será que os habitantes de Olivença lhe
agradecem o esforço?
Em 1640, quando foram libertados do jugo espanhol, acolheram a coisa com
pouco entusiasmo. Francisco de Melo Torres (futuro Conde da Ponte e
Marquês de Sande), recém-nomeado governador da Praça, lamentava, a 5 de
Março de 1641, em carta para D. João IV, a atitude pouco patriótica da
população.
A gente da terra tinha muita comunicação com o lado espanhol, quase não
havia um morador que não fosse casado com uma castelhana, ou filho de
castelhana. Os mais ricos, os mais dispomníveis para servir, tinham gado,
dinheiro, seara, em terra espanhola. A gente não se prestava ao serviço
de Sua Majestade como devia, "havendo entre eles um modo de linguagem,
que em suma é que com o que sofrem ao perder a comunicação com Espanha,
já fizeram serviço de sobra a Vossa Megestade".
Quando Francisco de Melo Torres quer alojar os soldados que vieram com
ele, o povo faz reclamações, quando faz um alarde para o treino da
guarnição, ninnguém aparece, há pelo menos quarenta cavalos na vila, mas
quando convocou os donos com os seus animais só onze se apresentaram. E
conclui: "Afirmo a Vossa Majestade, com a verdade que devo falar, que é
uma lástima o que nesta vila se vê. Todos estes senhores se acham
potentados livres e eu escusado na sua assistência. Todos cuidam que
deram o reino a Vossa Majestade e que em Olivença consiste".
Vale a pena, então, repetir a pergunta: Será que os habitantes de
Olivença agradecem o esforço?
Theresa Schedel de Castello Branco
TEXTO INTEGRAL ORIGINAL:
(nota: o Courrier optou por reproduzir/traduzir o texto enviado em
castelhano para o "El País", um pouco mais curto)
OMISSÃO no "El País"(e, portanto, no "COURRIER"!!!!)
Enviei, a propósito do trabalho de Miguel Mora no "El País", para este
jornal uma carta com as omissões GRAVES que o texto continha. Não sei se
o "El País" a publicou, mas penso que não (aí vai o texto que enviei, no
fim). Para o "Courrier, aqui vai o mesmo texto, com as referências aos
jornais, português e espanhol, que PROVAM as omissões !
EIS O TEXTO QUE PROPONHO:
Não hesito em dar os parabéns pelo excelente trabalho sobre Olivença
publicado no "El País" de 04-Dezembro-2006, e reproduzido no "Courrier
Internacional" de 8 de Dezembro de 2006.
Há, todavia, uma grave omissão... que toca ao ano decisivo de 1994...
sobre o "Dossier" da Ponte da juda. Os documentos mais importantes sobre
a Reconstrução da velha Ponte e a construção de uma nova foram "promulgados
nesse ano. Quiçá o jornalista espanhol o desconhecesse.
Assim, o "Público" de 24 de Agosto de 1994 noticiava que "Os governos de
Portugal e Espanha chegaram finalmente a acordo quanto à maneira de
reconstruir a Ponte da Ajuda, na zona de Elvas, sem prejudicar a posição
portuguesa sobre Olivença; o artifício (...) traduz-se na assunção
integral, por parte do Governo de Lisboa, de todo o investimento
necessário ao projecto; Madrid, que se absteve de objectar em sentido
inverso ao do Palácio das Necessidades, financiará uma outra ponte, de
custo equivalente, a construir num local de fronteira a definir pelos
dois países;(...)a aprovação desta solução pelo governo de Felipe
González foi comunicada a Lisboa, há cerca de duas semanas, pelo
Ministério da Hacienda, e recebeu agora o sim definitivo do Ministério
de Durão Barroso (nota: Actualmente, Presidente de UE)(...);o projecto
já aprovado contempla a reconstrução da ponte manuelina propriamente
dita, a construção de uma nova ponte, nas proximidades, por onde
circulará o tráfego automóvel, e os acessos ao local de ambos os lados
do rio.(...); isto porque se o investimento fosse partilhado por ambas
as partes, a posição de Portugal, que não reconhece a soberania
espanhola sobre Olivença, sairia enfraquecida, e poderia ser
interpretada como um recuo relativamente a Madrid.(...)"
A imprensa espanhola também referiu este acordo, como se pode ler no
"Hoy" (Badajoz) de 25 de Agosto de 1994: "PORTUGAL OPTA POR LA RECONSTRUCCIÓN DE PUENTE AYUDA PAGANDO LAS
OBRAS/España, como contrapartida, construirá un nuevo para vehiculo
aguas abajo del Guadiana/ Portugal ha dado al final marcha atrás en la
negativa de reconstruir Puente Ayuda, entre Olivenza y Elvas, corriendo
con todos los gastos el Estado luso.(...)En Mayo de este año
(1994)la administración lusa habia paralisado la convocatória de
concurso del proyecto, con financiación conjunta hispano-lusa, por
entender que equivaldría a reconocer la soberanía española sobre
Olivenza. El artifício encontrado por la Secretaría de Estado de
Desarrollo Regional de Portugal ha sido financiar en su totalidad la
reconstrución del puente. Portugal deja deconceptuar al puente como "fronterizo"
y lo considera "nacional". España, en contrapartida, construirá águas
abajo del Guadiana(...)proximo a la aldea de Villarreal".
No dia seguinte (26), o mesmo "Hoy" fazia uma correcção, pois revelava o
que se pode ler: "EL NUEVO PUENTE QUE CONSTRUIRÁ ESPAÑA A CAMBIO DE PUENTE AJUDA NO
ESTARÁ SITUADO EN OLIVENZA/A.Cid, Badajoz/El puente nuevo que (...)
construirá España (...) NO ESTARÁ SITUADO en OLIVENZA, sinó en un lugar
de la frontera aún por determinar (...) el puente de Ajuda será
reconstruido totalmente por Portugal DESPUÉS DE QUE ESPAÑA HAYA ACEPTADO
LA SOLUCIóN LUSA DE CORRER CON TODOS LOS GASTOS(...)."
A Câmara de Olivença gostou de ver encontrada uma solução. No "Hoy" de
25 referido, um parágrafo dava conta disso:
"SATISFACIÓN MUNICIPAL/El teniente de Alcalde del Ayuntamiento de
Olivenza, Justo Nuñez, expressaba ayer la plena satisfacción de la
corporación municipal por la notícia de la reconstrución del Puente de
Ajuda (...). Según sus palabras, la obra de Puente Ajuda ha sido apoyada
desde el princípio por todas las fuerzas políticas oliventinas (...)."
Creio que algo terá falhado no artigo de 04-Dezembro-2006, certamente
não de forma intencional, ao não se referirem tais pormenores. O que não
lhe retira mérito.
11-Dezembro-2006
Carlos Eduardo da Cruz Luna
Artigo no "El Pais" de 4 de
dezembro 2006
A ETERNA
DISPUTA DE OLIVENZA-OLIVENÇA
"Um Tribunal Português abriu um processo contra o Governo Espanhol por
obras ilegais na Ponte da Ajuda, monumento construído no tempo de D.
Manuel I e cujo restauro já foi várias vezes tentado, sem êxito."
EL PAÍS/Madrid
MIGUEL MORA(em Olivença)
En las calles la calma es absoluta, Olivenza es un lugar plácido. La
gente es simpática y muy habladora. Pero el disputado enclave extremeño,
que fue portugués durante seis siglos, tiene una condena: acaparar
siempre el protagonismo de las querellas ibéricas.
El pueblo más portugués de España
La última suena a broma pero es real. El Tribunal de Apelación de Évora
ha ordenado al juzgado de Elvas instruir la denuncia presentada en 2003
por la asociación lusa Amigos de Olivença contra el ministro de Fomento
español y otras autoridades de los dos países por realizar obras "ilegales
y clandestinas" en las ruinas del Puente de Ayuda.
A Ponte de Nossa Senhora de Ajuda fue construida (en portugués, 'puente'
es femenino) en el siglo XVI, durante el reinado del rey Don Manuel,
para comunicar Elvas con Olivença a través del Guadiana. Viéndolo hoy,
nadie diría que fue el más espectacular puente fortificado del reino
portugués: tenía 380 metros de longitud, cinco y medio de anchura, 19
arcos y una gran torre defensiva central de tres pisos.
Ahora apenas queda en pie una docena de arcos y la mayor parte de sus
piedras están debajo del agua. En la orilla española, de unos 50 metros,
los arcos, el suelo y la balaustrada han sido restaurados. La parte
portuguesa parece intacta.
La fama estratégica del puente duró menos de dos siglos. Fue volado por
los españoles durante la Guerra de Sucesión de 1709, y sus ruinas se
convirtieron en la mejor metáfora de la división ibérica. A pesar de los
deseos de la población, la siempre aplazada "cuestión de Olivenza"
parecía impedir a los dos países ponerse de acuerdo para restaurar esas
ruinas que guardan leyendas de contrabandistas y de republicanos que
huían de las tropas franquistas para darse de bruces con las de Salazar.
La situación pareció mejorar en 1990. Felipe González y Cavaco Silva
acordaron en la Cumbre de Quinta do Lago reformar el puente manuelino.
La iniciativa de los alcaldes socialistas de Elvas (João Brandão) y de
Olivenza (Ramón Rocha), que hermanaron ambas ciudades en 1991, impulsó
dos decisiones: construir un nuevo puente para vehículos, y restaurar el
antiguo.
Los dos proyectos fueron encargados al ingeniero José Antonio Fernández
Ordóñez, recuerda Ramón Rocha, 27 años en el cargo: "Portugal se
ocuparía de construir el puente nuevo y España de recuperar el viejo".
Las obras empezaron por el puente nuevo, que era más urgente. Pero,
tratándose de Olivenza, las cosas no podían ser fáciles. En 1996, el PP
ganó las elecciones. Y la falta de tacto o tal vez la nueva política
exterior de Aznar acabó complicando el asunto.
Antonio Marques, presidente de la asociación Grupo Amigos de Olivença
(GOA), narra lo que pasó en 1999: "Cuando Portugal estaba acabando de
construir el puente, la Guardia Civil lo tomó inopinadamente, echó de
allí al empresario portugués y precintó las máquinas".
"Fue así", confirma el alcalde de Olivenza. "Cuando los trabajadores
entraron en zona española para asfaltar la boca del puente y la
carretera nueva, la Guardia Civil se presentó, pidió la licencia de obra,
y como no la tenían precintó las máquinas. El número sirvió al menos
para desbloquear por fin la reforma de Ayuda".
Un año después, una minicumbre celebrada en Évora decidió que España
comenzara a restaurar el puente viejo. En marzo de 2003, siendo
Francisco Álvarez Cascos ministro de Fomento, la constructora Freyssinet,
contratada por el ministerio, valló las ruinas, levantó andamios en las
dos orillas del Guadiana y empezó las obras.
Con un fallo lamentable: nadie pareció acordarse de que para tocar el
monumento había que pedir permiso al Instituto Portugués de Patrimonio
Arquitectónico, que lo había catalogado como inmueble de interés público
en 1969.
Enseguida llegó la denuncia de los Amigos de Olivença, un grupo que se
fundó en 1938 para conceder la nacionalidad portuguesa a los oliventinos
que escapaban de España y que ahora trata de mantener viva la dormida
reivindicación de la soberanía lusa sobre el territorio.
GAO pidió a la Fiscalía que parara las obras "ilegales y clandestinas",
que habían causado daños "irreparables" -España echó una gran capa de
cemento en el suelo del puente-. Sin dar nombres, la querella acusaba de
un delito de daño a los responsables españoles de la obra (el ministro
de Fomento, el subdirector de carreteras y el de Arquitectura y los
administradores de la empresa) y de un delito de denegación de justicia
al alcalde de Elvas y el director del IPPAR, que "no vigilaron ni
detuvieron las obras". La fiscalía archivó el proceso y GAO pidió al
juzgado de Elvas que abriera diligencias, pero la jueza decidió no
hacerlo alegando que "no se identificaba con nombres y apellidos a los
acusados".
Los Amigos de Olivença apelaron entonces al Tribunal de Évora, que el 6
de octubre último ordenó reabrir la instrucción y que se decida, en su
caso, a quién se constituye acusados, si a los titulares de los cargos
públicos de entonces o a los actuales.
"La historia es muy seria", afirma António Marques. "España hizo obras
en un monumento y lo adulteró irremediablemente. Esperamos con la máxima
expectación la decisión del juzgado de Elvas, y confiamos en que se
conocerá la responsabilidad del Gobierno español".
El alcalde Rocha, que en 2004 logró que la Junta de Extremadura también
catalogara las ruinas como bien de interés público, espera que el asunto
acabe bien. "El nuevo proyecto tendrá elementos modernos, porque la UE
ahora prefiere que en las restauraciones se noten los cambios, y el
IPPAR ya ha dicho cómo quiere que se haga el puente". Según Rocha, el
levantamiento topográfico será realizado en enero.
El pueblo más portugués de España
M. M. - Olivenza - 04/12/2006
Olivenza es el pueblo más portugués de España: fue Olivença durante 504
años, desde 1297 hasta 1801. Ese año, el general Godoy lo ocupó con
40.000 soldados durante la Guerra de las Naranjas, llamada así porque el
invasor envío un cesto de frutas recogido en la también conquistada
Elvas a la reina María Luisa (su presunta amante).
Según los vecinos de la "muy noble, notable y leal villa", en Olivenza
apenas se habla ya la lengua de Camoens, aunque sus habitantes la llaman
"la vila" (en portugués), aunque muchos de los ancianos que juegan al
tute en el Hogar del Pensionista discuten y blasfeman en perfecto
portugués y muchos escolares de primaria y secundaria estudian el idioma
en los colegios desde hace algunos años. "Es difícil hablarlo, pero
cuando leemos los textos lo entiendo casi todo", dice Águeda, de 14 años.
En 205 años de soberanía española, Olivenza ha ganado bienestar y ha ido
perdiendo bilingüismo. La Guerra Civil y la dictadura contribuyeron al
regreso de muchos portugueses al otro lado de la Raya. La lusofonía se
fue haciendo doméstica: en privado, en casa. "Los menores de 65 años
apenas lo hablan ya", explica Yolanda Perera, un ama de casa, de 37 años.
"Pero muchos ancianos siguen hablándolo. Mi abuela, por ejemplo, habla
en portugués con sus amigas. ¡Sobre todo cuando no quiere que me entere
de algo!".
En los últimos tiempos, en cambio, cada vez más portugueses vienen a
trabajar y a hacer compras a Olivenza, huyendo del IVA del 21%. "Con la
crisis, estamos bastantes aquí. Pagan un poco mejor y es más fácil
encontrar trabajo", cuenta Fernando Branco, vecino de Elvas, camarero en
el restaurante Dosca.
Vienen sobre todo a la restauración y a la construcción; un sector que,
según se ve en el centro, lleno de obras, tira de la economía local.
Manolo Silva, albañil, cuentan que en Construcciones Jerónimo todos los
currantes son españoles.
Olivenza rezuma herencia portuguesa por cada rincón. Incluso el
empedrado nuevo es portugués: pequeñas piedras blancas y negras haciendo
dibujos.
Ramón Rocha, el alcalde, es andaluz de origen pero presume de pueblo
mestizo y de cuidar la tradición lusa: "Intentamos no perderla. Es
nuestra historia y estamos orgullosos. Intentamos mantener también la
lengua; es un elemento más de nuestra cultura".
A TRADUÇÃO: "Courrier
Internacional", Edição Portuguesa
8 de Dez de 2006
A ESTE JORNAL PUBLICOU UMA TRADUÇÃO PARA PORTUGUÊS DO ARTIGO DO "EL
PAÍS".
(nota: a gravura é diferente; é uma fotografia de um escudo português "picado",
com a legenda "O escudo português está presente em vários edifícios de
Olivença")
A ETERNA DISPUTA DE OLIVENZA-OLIVENÇA
"Um Tribunal Português abriu um processo contra o Governo Espanhol por
obras ilegais na Ponte da Ajuda, monumento construído no tempo de D.
Manuel I e cujo restauro já foi várias vezes tentado, sem êxito."
EL PAÍS/Madrid
MIGUEL MORA(em Olivença)
PORTUGAL
RELAÇÕES IBÉRICAS
NAS ruas, a calma é absoluta,Olivença é uma terra plácida.As pessoas são
simpáticas e muito faladoras. Mas o disputado enclave da Estremadura,que
foi português durante seis séculos, está condenado a açambarcar o
protagonismo das querelas ibéricas. A última parece uma piada, mas é
real. O Tribunal da Relação de Évora ordenou ao Tribunal de Elvas que
instruísse o processo apresentado em 2003 pela associação lusa Grupo dos
Amigos de Olivença contra o então ministro do Fomento espanhol e outras
autoridades dos dois países, por realizarem obras «ilegais e
clandestinas» nas ruínas da Ponte da Ajuda.
A Ponte deNossa Senhora da Ajuda foi construída no século XVI, durante
o reinado do rei D. Manuel I,para ligar Elvas a Olivença através do
Guadiana. Quem a vir hoje não dirá que foi a mais espectacular ponte
fortificada do reino português: tinha 380 metros de comprimento, cinco e
meio de largura, 19 arcos e uma grande torre defensiva central de três
andares.Agora, apenas restam de pé uns 12 arcos e a maior parte das suas
pedras estão debaixo de água. Na margem espanhola, de cerca de 50
metros, os arcos, a base e a balaustrada foram restaurados. A parte
portuguesa parece intacta.
A fama estratégica da ponte durou menos de dois séculos. Foi abatida
pelos espanhóis, durante a Guerra de Sucessão de 1709, e as suas ruínas
converteram-se na melhor metáfora da divisão ibérica. Apesar dos desejos
da população, a sempre adiada «questão de Olivença» parecia impedir os
dois países de se porem de acordo para restaurar essas ruínas,que
guardam lendas de contrabandistas e republicanos que fugiam das tropas
de Franco para dar de caras com as de Salazar.
A situação pareceu melhorar em 1990. Na Cimeira da Quinta do Lago,Felipe
González e Cavaco Silva chegaram a acordo sobre o restauro da ponte
manuelina. A iniciativa dos autarcas socialistas de Elvas (João Brandão)
e Olivença (Ramón Rocha), que geminaram as duas cidades em
1991,impulsionou duas decisões: construir uma nova ponte para veículos e
restaurar a antiga. Os dois projectos foram encomendados ao engenheiro
José Antonio Fernández Ordóñez, recorda Rocha, há 27 anos no cargo:
«Portugal trataria da construção
da ponte nova e Espanha da recuperação da antiga»(NOTA À MARGEM DO TEXTO:
ESTA INFORMAÇÃO NÃO É EXACTA: EM AGOSTO DE 2004, FOI ACORDADA A
CONSTRUÇÃO, POR PORTUGAL, DE TODOS OS ACESSOS; FIM DA NOTA À MARGEM DO
TEXTO). As obras começaram pela ponte nova, que era mais
urgente.Tratando-se de Olivença, porém,as coisas não podiam ser fáceis.
Em 1996, o PP ganhou as eleições. E,por falta de tacto, ou talvez devido
à
nova política externa de Aznar, as coisasacabaram por se complicar.
António Marques, presidente do Grupo de Amigos de Olivença (GOA)(sic),
conta o que sucedeu em 1999:"Quando Portugal estava a acabar de
construir a ponte, a Guardia Civil ocupou-a inopinadamente, expulsou o
empreiteiro português e selou as máquinas». «Foi mesmo assim. Quando os
trabalhadores entraram na zona espanhola, para asfaltar a saída da ponte
e a estrada
nova, a Guarda apareceu, pediu a licença da obra e, como não a tinham,
selou as máquinas. Pelo menos,o episódio serviu para desbloquear a
remodelação da Ajuda», confirma o alcaide de Olivença.
Um ano depois, uma minicimeira em Évora decidiu que Espanha começasse a
restaurar a ponte velha. Em Março de 2003, quando Francisco
Álvarez-Cascos eraministro do Fomento, a empresa de construção
Freyssinet,contratada pelo Ministério, cercou as ruínas, levantou
andaimes nas duas margens do Guadiana e começou as obras. Com uma falha
lamentável: ninguém pareceu lembrar-se de que, para tocar no monumento,
era preciso pedir autorização ao Instituto Português do Património
Arquitectónico, que o catalogara como imóvel de interesse público em
1969.
A seguir, surgiu o processo do GAO, fundado em 1938 para conceder a
nacionalidade portuguesa aos naturais de Olivença que fugiam de Espanha
e que, agora, se dedica a manter viva a velha reivindicação da soberania
portuguesa sobre este território.
O GAO pediu ao Ministério Público (MP) que interrompesse as obras «ilegais
e clandestinas», que tinham causado danos «irreparáveis » - Espanha
colocou uma grande capa de cimento no piso da ponte.Sem citar nomes, o
processo acusava de delito de dano os responsáveis espanhóis da obra (ministro
do Fomento,subdirectores de Estradas e Arquitectura e administradores da
empresa)e de delito de denegação de justiça o presidente da Câmara de
Elvas e o director do IPPAR, porque «não vigiaram nem pararam as obras».
O MP arquivou o processo e o GAO pediu ao Tribunal de Elvas que
iniciasse diligências, mas a juíza decidiu não o fazer, alegando que «os
acusados não eram identificados com nomes e apelidos». Os Amigos de
Olivença recorreram para o Tribunal de Évora, que, a 6 de Outubro
último,ordenou que se reabrisse a instrução e que fosse decidido quem
iria ser constituído arguido: os titulares dos cargos públicos da época
ou de hoje.
«O problema é muito sério. Espanha fez obras num monumento e adulterou-o
irremediavelmente. Aguardamos com a máxima expectativa a decisão do
tribunal de Elvas e confiamos que a responsabilidade do Governo espanhol
seja reconhecida », afirma Marques. O autarca de Olivença, que, em 2004,
conseguiu que a Junta da Extremadura [governo regional] catalogasse as
ruínas como bem de interesse público, espera que a questão acabe bem. «A
nova ponte terá elementos modernos,porque a UE prefere que, nos
restauros, se notem as mudanças, e o IPPAR já disse como quer que se
faça». Segundo Rocha, o levantamento topográfico será feito em Janeiro.
Miguel Mora (em Olivença)
"A TERRA MAIS PORTUGUESA DE ESPANHA"
OLIVENZA é a terra mais portuguesa de Espanha: chamou-se Olivença
durante
504 anos, de 1297 a 1801. Nesse ano, o general Godoy ocupou-a com 40 mil
soldados, durante a Guerra das Laranjas,assim chamada porque o invasor
enviou um cesto de fruta, apanhada na também conquistada Elvas, à rainha
Maria Luísa (sua suposta amante).
Segundo a população da «mui nobre,notável e leal vila», em Olivença já
quase
ninguém fala a língua de Camões, ainda que os habitantes lhe chamem «a
vila»
(em português), que muitos velhotes que jogam ao «tute» [jogo de cartas]
no Lar dos Pensionistas discutam e se insultem em português perfeito, e
que muitos alunos da Primária e do Secundário estudem esta língua, desde
há uns anos. «É difícilde falar, mas ao ler os textos percebo quase tudo»,
diz Águeda, de 14 anos.
Em 205 anos de soberania espanhola,Olivença ganhou bem-estar e perdeu
bilinguismo.
A Guerra Civil e a ditadura contribuíram para o regresso de muitos
portugueses
ao outro lado da raia. A lusofonia foi-se tornando doméstica: em
privado,em casa. «Os que têm menos de 65 anos já quase não o falam»,
explica Yolanda Perera, dona de casa, de 37 anos. «Mas muitos idosos
continuam a falá-lo. A minha avó, por exemplo, fala português com as
amigas. Sobretudo quando não quer que eu perceba!», acrescenta.
Nos últimos tempos, pelo contrário,há cada vez mais portugueses a virem
trabalhar e fazer compras a Olivença, fugindo do IVA a 21 por cento.
«Com a crise, estamos cá muitos. Pagam um bocadinho melhor e émais fácil
arranjar trabalho », conta Fernando Branco, habitante de Elvas,
empregado de mesa no restaurante Dosca. Vêm sobretudo para a restauração
e para a construção, um sector que, como se pode ver no centro, cheio de
obras, puxa pela economia local. Manolo Silva, pedreiro, diz que nas
Construcciones Jerónimo todos os trabalhadores são espanhóis. Olivença
transpira herança portuguesa a
cada canto. Até o empedrado novo é português: pequenas pedras pretas e
brancas, que formam desenhos.
Ramón Rocha, o presidente da Câmara, é de origem andaluza, mas vangloria-se
da povoação mestiça e da tradição lusa: «Tentamos não a perder. Faz
parte da nossa História e estamos orgulhosos disso. Também tentamos
manter a língua: é mais um elemento da nossa cultura». (NOTA À MARGEM DO
TEXTO: QUASE TODOS OS TESTEMUNHOS RECENTES CONTRARIAM QUE ESTE PROCESSO
ESTEJA A SER LEVADO COMO É "PROPAGANDEADO"; FIM DE NOTA À MARGEM DO
TEXTO)
MM, El País, Madrid
("Tradução" (?) de ANTÓNIO PEDRO FERREIRA)
PORTUGAL LÁ FORA
EL PAÍS Espanha A DURA HERANÇA DE OLIVENÇA
(fotografia da página do "El País" com a reportagem citada)
"Nas ruas a calma é absoluta, Olivenza é um lugar plácido. A população é
simpática e muito faladora. Mas o disputado enclave estremenho, que foi
português durante seis séculos, está condenado", defendeu o "El País" de
segunda-feira, 4.
A sentença do diário fundamenta-se "nas querelas ibéricas", cujos
últimos desenvolvimentos, considera o jornal, parecem "uma brincadeira".
Os factos encaminham o relato para o Tribunal da Relação de Évora, que "ordenou
ao julgado de Elvas instruir a denúncia (...) contra o ministro do
Fomento espanhol e outras autoridades dos dois países". Na origem da
queixa, apresentada em 2003 pela associação lusa Amigos de Olivença está
a realização de "obras "ilegais e clandestinas" nas ruínas da Ponte da
Ajuda". A destruição da estrutura manuelina, durante a Guerra de
Sucessão de 1709, acabou por se converter "na melhor metáfora da divisão
ibérica", escreve o "El País". "Apesar dos desejos da população", a "questão
de Olivenza" parecia impedir que Portugal e Espanha chegassem a acordo
quanto à restauração das ruínas.
A situação começou a mudar em 1990, com a decisão de construir outra
ponte e recuperar a antiga. O problema é que as obras avançaram sem que
"ninguém se tenha lembrado de pedir autorização ao Instituto Português
do Património Arquitectónico, que o havia classificado como imóvel de
interesse público em 1969" (FIM)
(NOTA: é uma pena, MAS QUEM FEZ ESTE RESUMO NÃO SE INFORMOU MINIMAMENTE.
Assim, tudo surge de forma incorrecta, reproduzindo erros do texto do
"El País", e "piorando-os"(!!!). Parece que a idéia é dizer que o
projecto não avança porque há uns "chatos" (Amigos de Olivença,
burocratas do IPPAR) que o dificultam. Os atropelos de 1999, violando os
acordos de 1994, não são mencionados !)
9 de Dez de 2006
Presidente da direcção do Grupo
Amigos de Olivença
"A devolução definida no Congresso de Viena está por cumprir"
António João Teixeira Marques, tem 51 anos, é natural de Alcoutim (distrito
de Faro) e viveu a sua infância em terras vizinhas de Olivença (Campo
Maior, Alandroal), ouvindo os mais velhos falarem da terra das oliveiras...
É procurador-adjunto no Tribunal Judicial de Almada e inscreveu-se no
Grupo Amigos de Olivença (GAO), quando este, há pouco mais de dez anos,
veio a ser revigorado com o activismo de muitos jovens, entretanto,
chegados à luta pela causa de Olivença. Foi vogal da direcção, entre
1998 e 2000, depois vice-presidente, no período 2000-2002, e actualmente
é presidente da direcção, desde 2003.
Entrevistámos António Marques, actual presidente do GAO, bem como um ex-presidente
deste movimento, que, por sinal, é leiriense e um forte defensor desta
causa. Uma batalha que ainda está por ganhar, mas que tem tido avanços
consideráveis, graças a este número expressivo de amigos de Olivença.
A disputa de Olivença como território português é uma batalha que se
prevê ganha neste início do século XXI, ou está para durar?
A própria natureza do conflito impõe a sua resolução. A questão de
Olivença resulta da ocupação bélica do território, por Espanha, com a
posterior determinação, pelo Congresso de Viena, da sua devolução a
Portugal, o que está por cumprir. Nos tempos que correm, é inadmissível
que, entre dois Estados vizinhos e amigos, integrando as mesmas alianças
e organizações internacionais, persista a ocupação, por um deles, de
território do outro. Além disso, a persistência da disputa, dando origem
a dúvidas e suspeitas sobre a real intenção e postura da parte de
Espanha, inquina o diálogo entre ambos os Estados, prejudicando - como
tem sido verificado - a sua aproximação e envolvimento políticos. Enfim,
o caso configura-se como um daqueles «esqueletos nos armários» que,
quando menos se espera, aparecem à luz do dia a assombrar a realidade...
Tudo isso acaba por se traduzir num preço demasiado elevado que os
interesses de ambos os países não podem suportar, o que vai impor uma
solução para o problema.
Afirmam que os habitantes de Olivença, embora sejam considerados
cidadãos espanhóis, se sentem mais portugueses. Esta postura significa
que estão convosco na luta por esta causa?
Durante dois séculos, os oliventinos estiveram totalmente isolados do
resto de Portugal. A separação politicamente imposta foi rigorosa e
total o que teve, necessariamente, custos e consequências. Os
oliventinos, de facto umas pequena comunidade portuguesa no interior de
Espanha, foram isolados, vítimas de repressão cultural, com a proibição
da língua portuguesa, sendo-lhes escondida a sua identidade, sonegada e
deturpada a sua história. A época franquista foi especialmente activa
nos esforços para apagar a portugalidade de Olivença... Actualmente, com
as novas circunstâncias políticas, a abertura da fronteira e a
existência de uma nova ponte a ligar Olivença a Elvas, a aproximação
entre as duas margens tem sido pronunciada. Mas isso ocorre por vontade
dos oliventinos, que em Portugal se sentem naturalmente bem.
A nível nacional, foi criado este movimento, com adesão de um número
expressivo de portugueses. A união faz a força, mas a Espanha continua a
persistir na ocupação deste território. Quais são os principais
fundamentos do Grupo dos Amigos de Olivença?
A associação, que foi fundada em 1938, por influência directa de um
oliventino refugiado em Portgugal, Ventura Ledesma Abrantes, conta com o
apoio e participação de cidadãos de todos os quadrantes políticos e
sociais, representativo do comum desejo dos portugueses, tendo como
propósito, como regem os seus estatutos, «defender, por meios não
violentos, a reintegração da Vila de Olivença e seu termo no Território
nacional». Este programa corresponde à política oficial de Portugal e ao
direito legislado, nomeadamente ao comando constitucional. O Grupo
pretende, na sua actuação permanente e quotidiana, mobilizar a opinião
pública, dando-lhe a conhecer a situação iníqua do território, bem como
pressionar os órgãos de soberania de modo a que assumam, de maneira mais
determinada, a actualidade e urgência da questão de Olivença,
designadamente colocando-a na agenda diplomática luso-espanhola.
Como funcionou o GAO nestes 68 anos de esforços para a devolução daquele
território?
O Grupo passou por distintas situações políticas e sociais, em Portugal
e no âmbito do relacionamento peninsular, naturalmente com reflexos
directos no modo como a questão de Olivença foi encarada pelo poder
político e pela opinião pública, esta sendo condicionada pela maior e
menor liberdade em que o assunto era tratado na sociedade portuguesa.
Durante o Estado Novo, o Grupo não teve qualquer tratamento de favor ou
apoio oficiais, tal como o litígio foi afastado da política pública do
regime. Com a democratização, o assunto também não foi prioridade da
Administração política nem mereceu a devida atenção dos poderes públicos.
De tudo resultou e resulta que o Grupo sempre foi, como continua a ser,
uma criação da sociedade civil, sendo mantida com as contribuições dos
sócios e apoiantes, editando materiais de divulgação, estabelecendo
contactos próprios e directos com Olivença e com os oliventinos,
contactando os órgãos de soberania portugueses, encontrando-se e
informando os políticos nacionais, os deputados, as associações
populares, etc.
Recentemente ganharam uma causa no Tribunal de Évora, que deu razão ao
GAO. O que pode resultar desta sentença?
Trata-se de uma acção penal que visa apurar as responsabilidades penais
pela realização de obras não autorizadas na Ponte da Ajuda, que como
imóvel de interesse público exige a concordância da tutela (IPPAR),
obras essas efectuadas a mando do Estado espanhol e que, ao que tudo
indica, se traduziram na prática de crime de dano. Um tribunal superior
(a Relação de Évora) determinou agora que o processo continuasse, o que
implica que representantes políticos do Estado espanhol, nomeadamente o
Ministro do Fomento da altura (2003), venham a ser constituídos arguidos.
É fácil perceber a delicadeza do assunto...
Que vantagens reais existem na verdadeira conquista de Olivença para
território português?
Fundamentalmente, e isso bastará, trata-se de recuperar e trazer à
mãe-pátria uma parcela do seu território.
Que outras formas de luta o GAO prepara para o futuro?
Todas as que, dentro da absoluta legalidade, se apresentem, em cada
momento, como as mais apropriadas a despertar as consciências dos
portugueses de modo a desenvolver e incrementar um movimento
verdadeiramente nacional, através do qual se faça saber aos nossos
representantes políticos que a sociedade portuguesa, pugnando pela
assunção pública da questão de Olivença, não se conforma com a
menorização e falta de dignidade em que alguns parece quererem lançá-la.
Grupo dos Amigos de Olivença
O Grupo dos Amigos de Olivença - Sociedade Patriótica, é uma
organização nacional, apartidária, de fins patrióticos, culturais,
históricos e beneficentes, sem interesses lucrativos. Com a defesa da
unidade nacional, a salvaguarda da integridade territorial e a afirmação
da soberania portuguesa como pano de fundo, o Grupo dos Amigos de
Olivença, conforme prescrevem os seus estatutos, tem como objectivos
pugnar por meios não violentos, pela reintegração de Olivença em
Portugal, pressionar os órgãos de soberania a não alienarem esta parcela
do território nacional, em obediência à Constituição da República,
conservar e alimentar o interesse nacional sobre a história, a cultura e
o bem-estar das populações de Olivença, colaborar com os órgãos de
soberania na defesa dos direitos portugueses sobre Olivença,
designadamente os resultantes do Congresso de Viena de 1815, promover o
culto do amor pela Pátria portuguesa, o respeito e a admiração pelas
grandes figuras da História de Portugal, especialmente as relacionadas
com Olivença e todo o Alentejo e defender, activamente, o nosso
património cultural enquanto matriz da identidade portuguesa.
O grupo ultrapassa largamente as cinco centenas de associados,
espalhados por todo o País e na emigração. Igualmente são sócios muitos
estrangeiros naturais do Brasil, França, Reino Unido, Espanha (especialmente
Galegos e Catalães). Sendo o grupo uma associação nacional, aberta a
todos os que se interessam pela Questão de Olivença e por Portugal,
independentemente das suas convicções ideológicas, políticas, religiosas
ou outras, incorpora pessoas de todas as profissões, condições sociais e
culturais e vindas dos mais diversos quadrantes. A maioria dos
associados tem entre 20 e 45 anos e a generalidade possui habilitações
de nível superior.
Entrevista de: Joaquim Santos
9 de Dez de 2006
Mário Rodrigues, historiador leiriense ex-presidente do
GAO
"É dever moral de defender a integridade territorial de
Portugal"
Mário Rodrigues tem 39 anos, é natural de Angola, reside em Leiria, é
licenciado em História e é professor no ensino secundário, sendo
efectivo da Escola Secundária de Porto de Mós e destacado há 3 anos na
Escola Básica Integrada de Santa Catarina da Serra. Foi vice-presidente
da direcção do Grupo dos Amigos de Olivença entre 1997-1999 e presidente
da direcção no período 1999-2001.
Como historiador e ex-presidente do GAO, porque levou a cabo uma luta
pela recuperação de Olivença?
Ouvi falar na Questão de Olivença pela primeira vez quando tinha 14 ou
15 anos, numa aula de História, em Fátima, e desde então não mais deixei
o assunto fora das minhas preocupações e interesses. Basta ser-se
Português para se assumir o indeclinável dever moral de defender a
integridade territorial de Portugal. E, além do mais, o problema de
Olivença é uma questão de Justiça e de Legalidade a que não podem ficar
indiferentes todos quantos desejam viver numa autêntica Comunidade
Internacional de Direito.
Um dos primeiros artigos que escreveu sobre a questão de Olivença foi
publicado no jornal O Mensageiro, em 1994. Quis movimentar a nossa
região para esta causa?
Em 1994 estalou a problemática da reconstrução da Ponte da Ajuda,
situada entre Elvas e Olivença. Em Maio desse ano escrevi um artigo no
jornal O Diabo, intitulado "Olivença, a ponte do desentendimento". E em
Outubro, por via dos contactos e da relação de amizade que estabeleci
com o então director d' O Mensageiro, o Professor Matias Crespo,
publiquei neste semanário um extenso artigo, que se prolongou por quatro
números, com o expressivo título "Olivença: Uma Questão Nacional". Se
não me falha a memória, foi um dos primeiros artigos com alguma dimensão
que dei à estampa.
Como questão eminentemente nacional, sempre tentei agir à escala de todo
o País e sempre que possível no estrangeiro, nos países que podem ser
relevantes na solução do problema ou que nele podem ter interesses ainda
que indirectos.
Nunca tive uma preocupação especial com a região leiriense. Quando muito,
tentei pôr em prática a ideia contida numa frase muito usual: «pensar
globalmente, agir localmente».
Os cidadãos do distrito de Leiria aliaram-se aos fundamentos da Causa de
Olivença?
Muitos anos antes de ter nascido ou de me interessar pela Questão de
Olivença, desde os anos 50 e 60, já existiam activistas da Causa nesta
região, vários deles sócios do Grupo dos Amigos de Olivença, como Tomé
Feteira, Sertório Hingá Ferreira, Adriano Lopes dos Santos, entre vários.
Poderia acrescentar outros grandes patriotas que aderiram mais
recentemente à associação como Ruy de Moura Ramos e José Travassos dos
Santos. O próprio Professor Matias Crespo, apesar de nunca ter sido
associado do Grupo, interessava-se muito por Olivença, estando na origem
da ideia de geminação desta localidade com Leiria.
A questão de Olivença é política ou económica?
Prefiro entender a Questão de Olivença como uma questão essencialmente
simbólica, na acepção mais rica da palavra. Parafraseando Fernando
Pessoa, diria que «o símbolo é o nada que é tudo». Neste sentido,
Olivença tem de ser vista como o centro simbólico da mais profunda
realidade portuguesa. A situação jurídico-política em que se encontra
Olivença simboliza todas as fraquezas, defeitos e limitações do Povo
Português e sobretudo da sua classe política. Olivença é o símbolo da
pequenez territorial e mental a que estamos reduzidos, da falta de
coragem dos que nos governam ao longo de muitas décadas, do desleixo de
quase todos para com a nossa integridade física e moral, da indiferença
quase geral face à indignidade que macula a nossa existência, do atraso
que se cavou nos últimos tempos entre Portugal e Espanha, da
subserviência relativamente a Madrid que se tornou o timbre da maioria
dos nossos dirigentes políticos. Urge transformar Olivença num símbolo
de coragem, tenacidade,
hombridade, honorabilidade e sentido de justiça. Impõe-se recuperar
todos os valores que fizeram do Homem português um ser respeitável nas "quatro
partidas do Mundo". Quando merecermos o respeito da Espanha, em Olivença
voltará a tremular a Bandeira Nacional. A Questão de Olivença é, por
tudo quanto representa, a Questão de Portugal. É preciso que se cumpra
Portugal!
Até quando se prevê esta "luta oliventina"?
O Estado português tem-se limitado a não reconhecer a soberania
espanhola sobre Olivença, o que só por si já é jurídica e
diplomaticamente relevante. Mas, pouquíssimos têm sido os políticos
portugueses que nas últimas décadas ergueram a voz por Olivença. Não
espanta, pois, que independentemente de quem nos governe, o País esteja
como está.
As prioridades têm sido a Espanha e a Europa, duas entidades que sempre
nos foram adversas ao longo de muitos séculos de História. A situação só
mudará quando a nossa prioridade for Portugal e o Mundo Português, duas
realidades perigosamente ameaçadas pelos projectos madrilenos da Ibéria
e da Hispanidade.
A luta por Olivença é precisamente o combate que se nos impõe contra o
Iberismo na Península Ibérica e contra o Hispanismo no mundo onde ainda
se fala português...
Enquanto houver verdadeiros Portugueses, a luta continuará. É uma peleja
incessante, porque é necessário não só restaurar Olivença, mas sobretudo
restaurar Portugal. Não é tanto Olivença que está cativa pela Espanha. É
mais se a Alma Portuguesa que jaz prisioneira numa Olivença ocupada, por
causa da nossa resignação perante um fatalismo que não existe. Recuperar
Olivença será voltar a fazer de Portugal um País Livre e Independente.
5 de Jan de 2007, Jornal "TAL &
QUAL"
A PONTE É NOSSA
Muito se tem escrito sobre o ano que
agora finda (2006). Vários
acontecimentos têm sido destacados,
reflectindo muitas vezes mais a opinião
de jornalistas e comentadorex do que a
real importância dos mesmos.
Não se trata de criticar este aspecto. É
inevitável, pois o ser humeno distingue-se
dos outros animais pela sua capacidade
de pensar, e, portanto, de pensar ( o
que não é claro para os muitos ditadores
que ainda sobrevivem ).
Entre tantas opiniões e balanços, causa
alguma estranheza que não tenha sido
referido o "Caso da Ponte da Ajuda",
entre Elvas e Olivença.
Foi em Outubro de 2006 que o Tribunal da
Relação de Évora mandou reabrir
inquérito às obras feitas sem licença
pelas autoridades espanholas na velha
Ponte da Ajuda
(recorde-se: uma construção manuelina
hoje em ruínas que liga as duas margens
do Guadiana, entre Elvas e Olivença).
Trata-se do desfecho de um processo de
2003, que os Amigos de Olivença
levantaram em virtude da execução, pelas
autoridades espanholas, de um conjunto
de obras não licenciadas na Ponte da
Ajuda.
De acordo com aquela associação, os
responsáveis espanhóis pelos trabalhos
então feitos na ponte, classificada como
imóvel de interesse público pelo Ippar,
teriam cometido o crime público de dano,
enquanto os portugueses incorreram na
prática do crime público de denegação de
justiça, por nada, ou só tardiamente,
terem agido no sentido de pararem os
ditos trabalhos.(...)
Afinal, o clima de abertura e de total
honestidade alardeado em Cimeiras não
parece abranger aquele que é, queira-se
ou não, o único problema de fronteiras
pendente entre Lisboa e Madrid. Um
problema que dois Estados amigos devem
discutir abertamente. O clima político,
a amizade, proporcionam-no.
Senhores responsáveis: por favor, nos
vossos encontros, tenham a coragem de,
serenamente, falar francamente, e
resolver de forma digna este pequeno
espinho diplomático!
Carlos da Cruz Luna ( ESTREMOZ)
24 de Dez de 2006 REVISTA PÚBLICA (supl.
grat. Domingo do "Público"
NÃO AO IBERISMO!
É deprimente, ainda que legítimo
enquanto manifestação de Liberdade de
Expressão, ver como o pessimismo toma
conta de sectores de opinião portugueses
(generalizando-se...) quãndo algo corre
mal. Afinal, crises, piores ou melhores,
ocorrem em todos os países. Normalmente,
tenta-se
resolvê-las, contando com as próprias
forças (ainda que não desdenhando ajudas....),
promovendo as necessárias mudanças,
inclusivamente a nível de élites, a não
ser que estas mudem por sua iniciativa.
Parece é que temos élites muito pouco
empreendedoras em Portugal...
A actual Espanha, que, como qualquer
país, tem tido, e terá, os seus altos e
BAIXOS a nível económico e outros,
agrupa, graças a casamentos reais ( um
processo muito democrático...), vários
Reinos, alguns com identidades "étnicas"
específicas. Historicamente, desde
principalmente Filipe V (Século
XVIII), estas especificidades têm
sofrido um processo de castelhanização
que tem encontrado muitas resistências.
Sobre esta questão da "União Ibérica", é
difícil resistir a citar Olivença.
Ocupada em 1801, e então quase tão
grande como Elvas e Badajoz (assim o
afirma a historiografia ESPANHOLA),
deveria ter sido reintegrada em Portugal
em 1814,1815,1817. Tal ainda não sucedeu.
Durante o século XIX e inícios do XX,
foi perdendo gente e importância.
A língua e a Cultura portuguesas foram
adulteradas, reprimidas, negadas.
Ainda hoje, aí uns 80% da população
ignora a sua História, em lado nenhum
ensinada ( a democracia espanhola tem
destas coisas...). Conhece agora algum
desenvolvimento, que não compensa o que
perdeu.De momento, o nível de vida é
superior ao de Portugal (em 20%, mais ou
menos)...mas...o que se fará se a
situação se inverter dentro de alguns
anos? O que se argumentará? O que se
pode dizer é que, na década de 1950,
quanda se vivia menos mal em Portugal
do que em Espanha, isso era escondido...tentando-se
discretamente impedir
contactos entre oliventinos e
portugueses.
Como já se disse, hoje há democracia em
Espanha, mas tardam a democratizar-se as
mentalidades. Muitas vezes, o que há é
um "verniz" democrático.
É um pouco o exemplo de Olivença que me
leva a ver com olhares ainda mais
reprovadores uma subjugação a Madrid.
Quero ter consciência da minha História.
Porque a conheço, posso até dizer mal
dela. Mas não quero ser
obrigado a esquecê-la.
Carlos Luna, Estremoz
15 de Dez de 2006"courrier dos
Leitores"(pág. 3; carta única)
OLIVENÇA OU OLIVENZA
Parabéns pelo excelente trabalho
sobre Olivença. No entanto, existem
omissões. Em Agosto de 1994, a Espanha
aceitou a construção, por Portugal, das
duas pontes. Aqui vai uma transcrição do
jornal "Hoy", de Badajoz, de 25 de
Agosto de 1994: "Portugal opta pela
reconstrução da Ponte da Ajuda, pagando
as obras. Espanha, em contrapartida,
construirá uma nova ponte, rodoviária, a
jusante, no Guadiana. Portugal recuou na
recusa em reconstruir a Ponte da Ajuda,
entre Olivença e Elvas, assumindo o
estado luso todos os gastos.(...) Em
Maio deste anoo [1994], a administração
portuguesa paralisou a convocatória do
concurso do projecto, com financiamento
conjunto hispano-luso, por entender que
isso equivaleria a reconhecer a
soberania espanhola sobre Olivença. O
artifício encontrado pela Secretaria de
Estado do Desenvolvimento Regional
portuguesa foi financiar na totalidade a
reconstrução da ponte. Portugal deixa de
conceber a ponte como "fronteiriça" e
considera-a "nacional". Espanh
a, em contrapartida, construirá, a
jusante, no Guadiana (...)"
A 26 de Agosto de 1994, o "Hoy"
explicava melhor: "A nova ponte que
Espanha vai construir em vez da Ponte da
Ajuda não ficará situada em Olivença" e
"A nova ponte que (...) Espanha
construirá (...) não ficará em Olivença,
mas num local de fronteira ainda por
determinar (...). A Ponte da Ajuda será
totalmente reconstruída por Portugal
depois de Espanha ter aceite a solução
lusa de assumir todos os gastos (...)."
Todo este texto se baseava numa notícia
do "Público", de 24 de Agosto de 1994,
no qual se lia, entre outras coisas, que
"O artifício (...) traduz-se na assunção
integral, por parte do Governo de Lisboa,
de todo o investimento necessário ao
projecto. (...) A aprovação desta
solução pelo governo de Felipe González
foi comunicada a Lisboa, há cerca de
duas semanas, pelo Ministério [das
Finanças], e recebeu agora o sim
definitivo do Ministério de Durão
Barroso [então Ministro dos Negócios
Estrangeiros](...)O projecto já aprovado
contempla a reconstrução da ponte
manuelina propriamente dita, a
construção de uma nova ponte, nas
proximidades, por onde circulará o
tráfego automóvel, e os acessos ao local
de ambos os lados do rio.(...)."
Carlos Luna
NR: Esta carta foi enviada a "El País,
jornal em que foi publicaddo, no passado
dia 4 de Dezembro, o artigo "La eterna
disputa de Olivenza-Olivença" que o
Courrier reproduziu na sua Edição n.º
88.
14 de Dez de 2006
IBERISMO
António Mega Ferreira(AMF) está indignado por ter havido um grupo de
cidadãos (do qual faço parte) que entregou uma participação na
Procuradoria Geral da República(PGR),contra o Ministro Eng.Mário
Lino(ML),por este ter defendido ser aprazível e desejável submeter os
nacionais aos únicos vizinhos que temos. Está solidário com
ele,insurgindo-se contra os autores da participação aos quais "agradaria"que
ML "fosse parar à cadeia pelo menos por uns bons 10 anos".Não temos nada
contra entendimentos com a Espanha que sirvam os interesses nacionais
portugueses e defendemos todo o o tipo de cooperação e boa vizinhança
que nos favoreça.Mas a queixa refere-se a afirmações do ministro ML,que
diz ser "iberista confeso" e acrescenta estas pérolas:"tenemos una
historia comun,una lengua común.Hay unidad histórica y cultural y ibéria
es una realidad que persigue tanto el gobierno espanõl como el português".
Se AMF for ao dicionário verá que "iberismo"é o"partido dos que
pretendem a uni
ão politica de Portugal e Espanha"; e "ibérico"refere-se ao "partidário
da união politica com a Espanha". Não queira confundir os
leitores,dizendo que hoje em dia é diferente porque ele,e outros
correligionários de partido, assim o entendem. A Ibéria de que tanto
fala é uma realidade geográfica e não representa uma unidade politica.
Castela não deixou de ser uma realidade dentro da Espanha, e a mais
forte, pois foi ela que aglutinou todas as outras nacionalidades
peninsulares,à excepção justamente da nação dos Portugueses. Intriga-se
AMF que os autores da participação tenham esperado sete meses. Ãs
declarações de ML,podendo ser consideradas como crime público,não
prescrevem ao fim de 15 anos.E foi isso sim,curioso de observar,como uma
postura que pode claramente incorrer em matéria penal grave,não tenha
suscitado qualquer reacção consentânea de nenhum órgão de soberania. Foi
preciso ser o "povo",pela mão de muitos que se rebelou contra a
verborreia do sr ministro,ao escrever numerosas cartas para as redações
dos jornais.
José Brandão Ferreira
11/12/2006 Edición Impresa LITIGIO FRONTERIZO EN LA
PENÍNSULA IBÉRICA
Los últimos de Olivenza
1. . Un grupo de 700 miembros se queda solo reclamando a España la
devolución a Portugal de esa localidad
2. . Reconocen que los oliventinos se sienten españoles
Portugueses reclaman que Olivenza es Portugal.
VIRGINA LÓPEZ
LISBOA
Cada 1 de diciembre, Portugal celebra la expulsión de los españoles y la
restauración de su independencia en 1640. Este año, en la céntrica plaza
de los Restauradores, se conmemoró la fecha. No son muchos los que
asisten a los actos. Quienes nunca fallan son el Grupo Amigos de
Olivença, que defiende que la localidad extremeña pertenece "por derecho,
por cultura y
por historia a Portugal", como enfatizó el presidente de esta asociación,
António Marques.
En 1801, España le declaró la guerra a su vecino y decidió invadir la
localidad, obligando después a Portugal a firmar el Tratado de Paz de
Badajoz, por el cual se quedaba con Olivenza. El Congreso de Viena le
dio la
razón a Portugal reconociendo la soberanía lusa a esa localidad
fronteriza y España lo aceptó, pero sin llegar nunca a devolver el
municipio. Ante la falta de consenso, la actual línea de la frontera
entre España y Portugal se desdibuja a la altura del río Caia y no se
retoma hasta el río Cuncos.
Prohibida la lengua
Con estos antecedentes nació el Grupo Amigos de Olivença en la década de
los 40, justo cuando se prohibió hablar en portugués en el municipio
extremeño, que cuenta en estos momentos con 700 asociados que
reivindican la
nacionalidad portuguesa. "Si se le pregunta a los oliventinos si quieren
volver a ser portugueses, la mayoría dirá que no", confesó Marques. Aún
así, el presidente de los amigos entiende que "hay una parte de la
población que, a pesar de ser española, también se considera portuguesa".
El pasado 1 de diciembre, una docena de amigos mostraron a las
autoridades la pancarta en la que insisten en que Olivenza "sigue siendo
tierra portuguesa", la misma que exhiben cada año en las cumbres
hispano-lusas.
"Queremos que este asunto vuelva a estar en las agendas diplomáticas de
los dos gobiernos", afirmó un miembro del grupo.
Desde inicios del siglo XIX hasta ahora, el municipio de Olivenza ha
sufrido una total españolización pero los "amigos" insisten en que hay
un "pasado portugués incuestionable que no olvidan".
Agradecidos a Catalunya
Apuestan en las nuevas generaciones, con más estudios que sus padres,
para "cuestionar" la situación. "Si dejamos pasar otros 200 años se
agotará la
memoria", dicen. Por eso no desisten. "La independencia de Portugal se
la debemos a los catalanes", comenta Heduíno, un amigo, que precisa: "Castilla
no podía con los dos frentes y acabamos venciendo la revolución".
A Repressão espanhola na Galiza
Fazer parte da Espanha? O que fazem na Galiza, fariam os espanhóis em
Portugal!!