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Notícias de Olivença  Janeiro 2007

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Olivença - “uma espécie de condomínio”

21 de Jan de 2007  (Jornal das Caldas)
http://www.jornaldascaldas.com/sociedade.htm#8

Duque de Bragança no 109º aniversário da restauração do concelho de Cadaval

D. Duarte Nuno deslocou-se ao Cadaval, onde se celebrou o 109º aniversário
de restauração do concelho e foi assinado um acordo de geminação entre o
município local e Olivença, localidades com afinidades históricas,

O Duque de Bragança manifestou no passado sábado, no Cadaval, que os
direitos de soberania que Portugal possui sobre Olivença não devem ser
esquecidos e sugeriu uma solução intermédia para resolver um litígio com
Espanha que se arrasta há dois séculos - a criação do que designou de um
"condomínio", no qual o Rei de Espanha e o presidente da República português
podiam ser simultaneamente chefes de Estado do território autónomo de
Olivença.
D. Duarte Nuno, que se deslocou ao Cadaval, onde se celebrou o 109º
aniversário de restauração do concelho e foi assinado um acordo de geminação
entre o município local e Olivença, localidades com afinidades históricas,
afirmou que "assim como Andorra tem dois chefes de Estado - o presidente de
França e o bispo do Urgel, podia haver uma solução dessas para Olivença".
Segundo apontou, "Olivença é uma cidade portuguesa, inclusive a nível da
Nato e Nações Unidas é visto como território português, só que está sob
administração espanhola. É como Gibraltar, que os espanhóis garantem que
deles mas está sob administração inglesa".
"A solução seria fazer uma espécie de condomínio, no qual o Rei de Espanha e
o presidente de Portugal podiam ser simultaneamente chefes de Estado do
território autónomo de Olivença", sublinhou.
"Era uma maneira de se resolver um problema político e que é uma pedra que
está sempre nas relações entre os nossos dois países", adiantou.
Para o Duque de Bragança, "seria de justiça o regresso de Olivença à
administração portuguesa", considerando que "não se pode abdicar de um
direito histórico".
"A Espanha tem óptimas relações com Inglaterra, apesar do conflito de
Gibraltar. Nós não temos razão nenhuma para que este problema com Olivença
dificulte as relações com Espanha. Agora, se nós cedermos, não ganhamos nada
com isso e só perdemos", sustentou.
O herdeiro da Coroa Portuguesa revelou que tem tido diversas conversas, a
nível particular, com membros do Governo, indicando que "nenhum põe em
dúvida a soberania portuguesa sobre Olivença".
No passado sábado foi assinado um acordo de geminação entre Cadaval e
Olivença, tendo D. Duarte manifestado que este tipo de parcerias pode ser
uma forma de facilitar a transferência do território para administração
portuguesa.
No entanto, Ramón Maqueda, alcaide de Olivença, desvalorizou essa intenção,
tendo declarado que "a questão de Olivença faz parte do passado e agora
estamos numa Europa sem fronteiras e não devemos voltar a criar limites". "É
um assunto que está ultrapassado, somos irmãos e trabalhamos juntos",
comentou.
A origem de Olivença está ligada à reconquista de Badajoz, pelo rei León
Alfonso IX na Primavera do ano de 1230. Mais tarde foi cedida por Fernando
IV de Castilla ao rei D. Dinis de Portugal através do Tratado de Alcanices
de 1297.
Através do Tratado de Badajoz, de 6 de Junho de 1801, incorpora formalmente
a soberania espanhola, mas pelo Tratado de Viena de 1815, a Espanha
comprometeu-se a devolver Olivença a Portugal, o que até hoje ainda não
cumpriu.
A ligação entre Cadaval e Olivença remonta ao 1.º Duque de Cadaval, D. Nuno
Álvares Pereira de Melo (1638-1727), detentor do Ducado de Cadaval e
simultaneamente Alcaide-mor da vila e do castelo de Olivença. Desde então
Cadaval e Olivença seguiram caminhos distintos, sem qualquer tipo de ligação
entre si.
Olivença situa-se no Alto Alentejo, na margem esquerda do Rio Guadiana,
quase em frente da cidade de Elvas, a cerca de 24 Km a sul de Badajoz. Se
Olivença passasse para administração portuguesa integraria, provavelmente, o
distrito de Portalegre.
O Cadaval foi elevado a vila e constituído concelho por carta régia de D.
Fernando no dia 1 de Dezembro de 1371. Em 1513, D. Manuel concedeu o Foral
ao Cadaval. Em Setembro de 1895 o concelho foi extinto e as suas freguesias
distribuídas por quatro concelhos limítrofes. Quase três anos decorridos,
foi reconstituído o concelho a 13 de Janeiro de 1898 (devido a contestações
e manifestações colectivas), daí o feriado municipal ser nesse dia, tendo
decorrido diversas cerimónias, entre as quais uma recriação histórica.

Francisco Gomes (texto)
Carlos Barroso (fotos)

Legendas:
1- O presidente da Câmara do Cadaval, o Duque de Bragança e o alcaide de
Olivença

 

18 de Jan de 2007
A VELHA PONTE DA AJUDA SEMPRE VAI SER RECUPERADA
Há acontecimentos que dir-se-ia integrados numa trama novelesca... quase rocambolesca... tantos são os episódios inesperados que o rodeiam. O que é verdade num dia, deixa de ser no seguinte, volta a sê-lo pouco depois... uma sucessão interminável de surpresas.
Está nesta situação o processo de recuperação da velha ponte manuelina da Ajuda, entre Elvas e Olivença, que, afinal, sempre vai ser recuperada.
É inevitável fazer, ou tentar fazer, um breve historial do caso, para se tentar perceber minimamente o que se passou, ou o que se está a passar.
A Ponte foi destruída em 1709. A partir de 1801, com a ocupação espanhola de Olivença, a sua reconstrução tornou-se mais problemática, por se inserir na questão de soberania da Terra das Oliveiras.
Encurtando episódios, decidiu-se em 1994 (Agosto) que seria reconstruída por Portugal, sendo construída uma nova ao lado, igualmente pelo Estado Português, de forma discreta, para que não se interpretassem as obras como uma abdicação de soberania sobre o território por parte de Lisboa.
Em Outubro de 1999, quando as obras da nova Ponte alcançavam já a margem oliventina do Guadiana, as autoridades espanholas intervieram, e, contra o acordado, obrigaram à paragem dos trabalhos. Este episódio só se tornou público em Março de 2001.
Retomadas as obras em Fevereiro de 2000, a nova ponte foi inaugurada, de forma não oficial mas festiva, em 11 de Novembro do mesmo ano de 2000. Só depois se soube que Portugal aceitara que fossem entidades espanholas a recuperar a velha ponte, desde que com um projecto aprovado pelo luso I.P.P.A.R.. Associações cívicas protestaram, e uma Providência cautelar impediu que se iniciassem quaisquer trabalhos no monumento histórico.
Entretanto, assinara-se em Albufeira (12-Janeiro-2000) uma Convenção cujos termos só depois viriam a mostrar a sua importância.
A Providência cautelar foi contestada pelo Estado Português (13 de Setembro de 2001), e foi decidido considerá-la despropositado, com alguns argumentos que adiante se reproduzirão.
Em 2003, a velha Ponte começou a ser reconstruída, subitamente, sem prévia aprovação pelo I.P.P.A.R., com poucos cuidados histórico-arquitectónicos. Choveram os protestos, e deu entrada em Tribunal um processo contra o que se estava a passar. O processo foi levado a Tribunal (Elvas), onde foi "derrotado". Mas,no que se pode considerar um acontecimento do ano, no final de 2006, após recurso,o Tribunal de Évora decidiu que que o citado processo deveria ser de novo examinado.
Mas... muita água passara debaixo da Ponte. O I.P.P.A.R., que acabara por reprovar claramente as obras interrompidas, foi recebendo novas propostas, e, no final do já citado ano de 2006, autorizou nova reconstrução do Monumento Histórico, uma vez respeitadas uma série de normas ( parece que se vai colocar uma estrutura metálica, que não "ofenderá" o "esqueleto" manuelino ). Assim, como passagem peadonal, a Ponte voltará a cumprir a sua função muito em breve.
O que concluir de tantas peripécias?
Para já, que o Estado Português acautelou as suas posições de princípio. Pode-se ler, no texto da Convenção de Albufeira (12-Janeiro-2000), o seguinte:"A construção e manutenção de Pontes de interesse comum para serviço ferroviário, rodoviário, e pedonal, bem como das respectivas acessibilidades,...NÃO MODIFICAM A LINHA DE FRONTEIRA ENTRE OS DOIS PAÍSES."
O Estado Português, na sua "contestação" de 13 de Setembro de 2001, já citada, não hesita em reafirmar, sem equívocos, que mantém a sua posição de não reconhecimento da soberania espanhola sobre Olivença ( citando: "O Estado Português tem-se recusado a definir os limites fronteiriços entre Portugal e Espanha no troço que medeia a foz do Rio Caia à foz da Ribeira de Cuncos(...).(...) de forma a afastar a interpretação jurídica (...) se cedia na soberania sobre o território Oliventino, respectivos monumentos e demais património.").
(Não se pode esquecer que Portugal, neste ponto, não pode ser "negligente", porque a posse da bacia do Guadiana e das águas do Alqueva têm uma relação importante com o problema de Olivença...)
Nessa mesma contestação (de 13 de Setembro de 2001), entre inúmeras considerações, afirma-se que "o Reino de Espanha se coloca em posição de fragilidade, porquanto se obriga a submeter, como já submeteu, o seu projecto, à apreciação do IPPAR."
Resumindo, perdoam-se a "actuação" das autoridades espanholas em Outubro de 1999, bem como as obras ilegais de reconstrução citadas. Como as questões de princípio, bem como o respeito pela arquitectura original da Ponte, acabam por ser contempladas, segue-se em frente como se nada se tivesse passado.
O que se fará com os trabalhos ilegais iniciados e interrompidos, que desvirtuaram o velho monumento, bem como o que se apurará sobre as responsabilidades neste tristíssimo episódio, ficará decerto por decidir, pelo menos até que o Processo judicial seja "reanimado", como decidiu o Tribunal de Évora em 2006.
Não há agora dúvidas sobre a legalidade das obras que se farão na velha ponte manuelina, nem de que as mesmas não porão em causa a posição tradicional de Portugal em relação à soberania sobre a Região de Olivença. E, contudo, fica a sensação, desagradável, que o Estado Português poderia ter assumido outras posições, mais firmes e mais públicas, em toda esta história. O segredo dos gabinetes continua a ser o método preferido para tratar das questões pendentes sobre a posse da citada Região. E pergunta-se quando haverá a coragem, sem excessivos melindres bilaterais, de se discutir abertamente a Questão de Olivença... como é próprio de Estados Democráticos e unidos por laços fraternos, e obrigados, todos, independentemente do seu tamanho, a respeitar um MESMO Direito Internacional.
Seja feita a obra. Perdoem-se os atropelos, já que os princípios são claramente salvaguardados. Mas não se elogiem e prolonguem as tibiezas diplomáticas. Estas não poderão durar eternamente, pois não dignificam muito o Estado que as pratica.
Estremoz, 17-Janeiro-2007
Carlos Eduardo da Cruz Luna

 

Grupo dos Amigos de Olivença

www.olivenca.org

 

 

 

Divulgação 1-2007

  

Geminação entre os Municípios de Olivença e Cadaval

 

Integrado nas comemorações do 109º Aniversário da Restauração do Concelho de Cadaval, realizou-se um acordo de geminação deste Município com o Município de Olivença.

O acordo de geminação, conforme informou a Câmara Municipal do Cadaval, visa a promoção de relações culturais, associando as forças vivas dos dois Concelhos, que estão profundamente ligados, em termos históricos.

Na concretização do acto, esteve presente uma forte e ilustre representação de Olivença, chefiada pelo Presidente do Município, Sr. Ramón Rocha, na qual se integravam o Rancho Folclórico «A Azinheira», a Filarmónica de Olivença e muitos oliventinos.

Foi em clima de grande solidariedade e comunhão que a população do Cadaval recebeu e acompanhou a representação oliventina. Como é norma nas ocasiões em que Olivença e os Oliventinos visitam qualquer outra terra portuguesa, a sua presença não deixa de sensibilizar e entusiasmar todos os portugueses.

Na ocasião, o Sr. Presidente do Município de Olivença cumprimentou o Sr. Duque de Bragança que, a propósito, propôs a criação de “uma espécie de condomínio”, em que o rei de Espanha e o Presidente da República portuguesa seriam “simultaneamente chefes de Estado do território autónomo de Olivença”. 

 

Lx., 14-01-2007.

SI/Grupo dos Amigos de Olivença

 

Pode ler-se em:

 

Correio da Manhã, 14-01-07:

http: //www.correiomanha.pt/noticia.asp?id=227511&idCanal=21

 

Câmara M. Cadaval:

 

http://feriado.cm-cadaval.pt/


www.olivenca.org

olivenca@olivenca.org

 Geminação do Município do Cadaval com o Município de Olivenza
 
6 de Jan de 2007 
No âmbito do 109º Feriado Municipal
Duque de Bragança desloca-se ao Cadaval

As comemorações do 109º Aniversário da Restauração do Concelho de Cadaval, que decorrem de 12 a 14 de Janeiro, assumirão um significado particular, na medida em que contarão, no dia de Feriado Municipal, 13 de Janeiro, com a ilustre presença do Duque de Bragança e da Duquesa de Cadaval. No mesmo dia, realizar-se-á um acordo de Geminação do Município do Cadaval com o Município de Olivenza (Espanha).

"Reforço da Identidade Cultural" é a temática do 109º aniversário da restauração do Concelho de Cadaval, que tem, este ano, por objectivo principal sensibilizar a população para a importância do conhecimento e valorização da história do Concelho, ao mesmo tempo que se promove o desenvolvimento do sentimento de pertença ao Município.
O dia 13 de Janeiro - dia em que se celebrarão 109 anos sobre a restauração do Concelho do Cadaval, ocorrida em 1898 - contará com ilustres presenças da realeza nacional, nomeadamente o Chefe da Casa Real Portuguesa, Dom Duarte Pio de Bragança, a Senhora Duquesa de Cadaval, Dona Diana Álvares Pereira de Melo e sua mãe, Senhora Duquesa Viúva de Cadaval, Dona Claudine, e ainda de uma representação da Associação Real do Ribatejo.

Paralelamente, neste insigne dia, decorrerá também a assinatura de um acordo de geminação entre os municípios de Cadaval e de Olivença, a ter lugar no salão nobre da Câmara Municipal do Cadaval, acordo esse que visa a promoção de relações culturais, associando as forças vivas dos dois Concelhos, que historicamente estão profundamente ligados. A cerimónia contará com a presença do "Alcalde-Presidente do Ayuntamiento" (Câmara Municipal) de Olivenza, Ramón Rocha Maqueda.

Prevê-se ainda a possibilidade de assinatura de dois acordos de Cooperação Cultural/União, um entre o município do Cadaval e a Senhora Duquesa de Cadaval, outro entre o referido Município e o Duque de Bragança.

A destacar do programa deste ano, saliente-se logo no dia 12, uma sessão evocativa dos 30 anos do poder local democrático, promovida pela Assembleia Municipal do Cadaval, que contará com a presença e intervenção dos presidentes da Câmara do Cadaval do período pós-25 de Abril, que terá lugar no auditório municipal, pelas 21 horas.

Recriação histórica e animação musical, no dia 13, e Festival de Natação, no dia 14, completam o cartaz deste ano. Fique, pois, atento ao programa festivo deste 109º Feriado Municipal do Cadaval!

Dados históricos sobre o Ducado de Cadaval

A 26 de Abril de 1648 foi criado, por D. João IV, o Ducado de Cadaval. D. João IV, ao consumar a independência de Portugal relativamente à Espanha, fez com que a Vila de Cadaval passasse a ser cabeça de ducado, dando assim nascimento a uma das mais sólidas casas nobres do país.

O primeiro título de Duque de Cadaval foi concedido no dia do nascimento do infante D. Pedro (D. Pedro II, rei de Portugal), e foi passando de geração em geração ao longo dos séculos, tendo tido, até ao momento, 11 titulares. O título foi atribuído a D. Nuno Álvares Pereira de Melo, que herdou de seus pais o título de Conde de Tentúgal e de Marquês de Ferreira. Assim, D. Nuno era, simultaneamente, o 1.º Duque de Cadaval, 4.º Marquês de Ferreira e 5.º Conde de Tentúgal. A fusão destas Casas tornou D. Nuno um dos mais poderosos nobres do reino. Para estas benesses, muito contribuiu a luta desta família pela causa da Independência, quer em 1580, quer em 1640.

Os Duques de Cadaval eram uma ramificação da família dos Duques de Bragança, a mais poderosa de Portugal e da qual saiu a IV Dinastia. Beneficiando dos laços familiares com os Reis e do apoio que sempre lhes deram, os Duques de Cadaval prosperaram durante os séculos seguintes.
 


 

 "SOL", 6-Janeiro-2007
(NOTA: SEGUE-SE CARTA/PROPOSTA DE RESPOSTA... QUE O "SOL" PUBLICARÁ, OU NÃO, EM 13-JANEIRO-2007)

Secção "ESCRITA EM DIA"
A CAUSA DE OLIVENÇA
No seguimento de uma minha carta publicada a 16 de Dezembro, recebi do senhor Carlos Luna a cópia da carta que me dirige no "SOL" de 23 de Dezembro. Diz-me que as autoridades de Olivença tinham comprado exemplares do número do "SOL" que traz a carta de 1641 escrita por Francisco de Melo Torres a D. João IV, o que prejudiucava a sua campanha em prol de Olivemça portuguesa. Ora a carta não é novidade, vem na biografia do homem - um dos conjurados de 40 e o futuro grande diplomata da Restauração - que foi governador de Olivença em 1641. Esse meu livro saiu em 1974.
Acontece que estou a preparar a dita biografia para uma possível reeedição, e achei que vinha a propósito dar a conhecer as impressões do jovem governador que tomou conta da praça em 1641.
A revelação do seu desabafo a esse respeito perigou a causa do senhor Carlos Luna ? Creia que o lamento muito sinceramente, mas a história não se pode cortar à medida de cada um, escondendo, enaltecendo, ignorando ou empolando os factos conforme e quando nos convém.
Theresa M. Schedel Castello Branco
LISBOA

PROPOSTA DE RESPOSTA

EMPOLAMENTOS (resp. a carta de 6 de Janeiro de 2007)
EMPOLAMENTOS (curta resposta a D. Theresa Castello Branco)
Li com atenção a nova carta da Dona Theresa M. Schedel Castello Branco, no "Sol" de 6 de Janeiro de 2007. Fico contente que tenha recebido a minha carta, bem como a documentação que lhe enviei, pois ia tudo junto.
Respeito e aplaudo a sua intenção de publicar um livro sobre Francisco de Melo Torres.
Devo dizer, todavia, que conheço vários relatórios da situação das praças fronteiriças em 1640/41. Quase todos dão testemunho de dificuldades em organizar a defesa, pelo manifesto desinteresse, e lógico, em iniciar uma guerra. Só os loucos vão para a Guerra com alegria. Contestei, e contesto, a oportunidade de destacar só Olivença nesse contexto. Também me pareceu revelar alguma desatenção não revelar, também, a resistência dos oliventinos em 1641, em 1644, em 1648, e a atitude em 1657 (abandono em massa da localidade, para não viver sob administração espanhola), porque só lançando todos estes dados para a Praça Pública se poderá analisar a atitude dos oliventinos durante os 28 anos do conflito. Citar só uma primeira atitude, que todas as outras desmentem, não me pereceu muito correcto.
Não me tenho por inconsciente. Sei que "a luta por Olivença" é difícil, e que duzentos anos de espanholização, particularmente profunda na época franquista, criaram uma situação complexa. Não sou neutral nesta questão, como sabe. Mas dizer que eu empolo o período que me convém parece-me um tanto exagerado, pois eu baseio-me em ocorrências históricas de quatro ocasiões (1641, 1644, 1648, e, principalmente, e por ser a mais significativa, 1657), enquanto o relatório "negativista" de Francisco de Melo Torres se refere a uma só ocasião (inícios de 1641). Não me parece que isto seja empolar um lado da História, mas sim destacar quatro momentos historicamente comprovados, contra um só.
Aguardarei o seu livro, de que me declaro desde já comprador.
Com os meus respeitosos cumprimentos,
Carlos Eduardo da Cruz Luna ESTREMOZ
 

 

Semanário "O SOL", 23-DEZEMBRO-2006

 "OLIVENÇA LUTOU EM 1640-1668 !"
Li, com muita atenção, como é lógico, a carta de Theresa Schedel de Castello Branco, de Lisboa, no "Sol" de 16 de Dezembro de 2006, sob o título "Olivença agradecerá o esforço?"
Não sei o que me impressionou mais. Talvez a incapacidade da autora em compreender que há quem lute por causas apenas por as considerar justas, mesmo quando parecem "perdidas". A autora deve ter um ´sentimento de desprezo imenso por quem, ao longo da História da Humanidade, morreu sem ver realizados os seus sonhos, tantas vezes utópicos, tantas vezes quixotescos, mas que acabaram por se concretizar. Foi o caso dos filósofos iluministas, por exemplo.
Nem ouso especular sobre o que terá pensado esta senhora sobre os quixotescos que acreditaram, nas décadas de 80 e 90, que ainda valia a pena acreditar num Timor Livre.
Também não vou entrar em pormenores sobre o "quixotismo", no qual há um aspecto que me apaixona: o Cavaleiro da Triste Figura lutava obstinadamente pelos seus ideais, a maioria dos quais bem generosos. Para mim, prefiro-o ao0s seus adversários, frios, calculistas, interesseiros.
O que eu não perdoo (enfim, é uma maneira de dizer...) é o desconhecimento Histórico. A autora, de entre os documentos da época de 1640-1668, escolheu um dos mais pessimistas, quando poderia ter optado por muitos outros com outras opiniões. Desconhece algo que deveria ser um exemplo: em 1657/8, quando as tropas espanholas se apoderaram de Olivença, os seus seis mil habitantes, salvo 30, não aceitaram as propostas do ocupante, e abandonaram a povoação, dispersando-se por Elvas, Juromenha, Estremoz, Vila Viçosa, Alandroal, etc. Só regressaram a Olivença com a Paz de 1668 e a reentrega de Olivença a Portugal. Entretanto, espanhóis de Cheles, Alconchel, e Badajoz, tinham ido para a Terra das Oliveiras, principalmente para fazer uma recepção entusiástica ao Rei de Espanha... uma farsa abominável!
O facto foi bastante comentado, mesmo por toda a Europa. Fontes francesas, inglesas, e alemãs, apontam estes acontecimentos como demonstrativos da fidelidade de um povo ao seu rei (Afonso VI, então).
Um frade jesuíta compôs mesmo uma poesia em Latim, que reproduzo (seguindo-se a tradução):
DE URBE OLIVENTIA CAPTA

Quas tibi Palladias, Alfonse, Philippus olivas
abstulit incolumes has tibi Pallas alit.
Perfidae et fidei CERTATUM est robore, portas
perfidia intravit, corda fides tenuit.
Omnibus in patria manendi est facta potestas:
nullum captivum mansit in orbe caput.
Victrices Aquilas defixit in arce Philipus;
Lusiadum, Alfonse, in pectore fixus ades.
Victor uterque fuit, victoria dividit urbem:
Alfonsus cives; saxa Philippus habet.

A TOMADA DA CIDADE DE OLIVENÇA

As oliveiras de Palas, Afonso, que Filipe te arrebatou,
guarda-as Palas para ti, intactas.
Combateu-se com as forças da traição e da lealdade:
a traição cruzou as portas, mas a lealdade manteve os corações fiéis.
A todos se lhes deu a possibilidade de ficar na pátria (cidade),
mas nenhum permaneceu cativo no recinto urbano.
Filipe cravou no torreão as suas águias vitoriosas;
mas tu, Afonso, estás cravado no peito dos portugueses.
Cada um ficou vencedor, a vitória fez a divisão da cidade:
Afonso obtém os cidadãos, Filipe os muros de pedra.

Curioso, não é? Veja-se como a verdade histórica contraria a lógica da D. Theresa Castello Branco!
Acredito que a autora não tívesse má intenção. Na verdade, há tanta desinformação sobre o tema Olivença, em Portugal.
Claro, em Espanha (e Olivença) é pior. O oliventino quase nada sabe sobre a sua História, o que é lamentável, principalmente numa democracia.
Só para dar um exemplo: Olivença perdeu gente e importância no século XIX ( nos primeiros 100 anios de administração espanhola). Em 1801, segundo a "História da Extremadura" da Univ. Extremadura (Badajoz), Olivença era tão grande com, por exemplo, Badajoz (!!!). Era tão grande como uma cidade como Estremoz. Hoje, tem 11 000 Habitantes, enquanto Estremoz tem 18 000.
Espero ter contribuído para, de alguma forma, esclarecer os leitores do "Sol" e a autora da carta de 16-Dezembro-2006 ao mesmo.
Carlos Eduardo da Cruz Luna

 

RESPONDENDO A:
 OLIVENÇA AGRADECERÁ O ESFORÇO ? (16Dez2006)
CONCORDO com Marcelo Rebelo de Sousa, na sua coluna no "SOL", que é de admirar o esforço de Carlos Luna em prol de Olivença. Mas parece-me ligeiramente quixotesco. Será que os habitantes de Olivença lhe agradecem o esforço?
Em 1640, quando foram libertados do jugo espanhol, acolheram a coisa com pouco entusiasmo. Francisco de Melo Torres (futuro Conde da Ponte e Marquês de Sande), recém-nomeado governador da Praça, lamentava, a 5 de Março de 1641, em carta para D. João IV, a atitude pouco patriótica da população.
A gente da terra tinha muita comunicação com o lado espanhol, quase não havia um morador que não fosse casado com uma castelhana, ou filho de castelhana. Os mais ricos, os mais dispomníveis para servir, tinham gado, dinheiro, seara, em terra espanhola. A gente não se prestava ao serviço de Sua Majestade como devia, "havendo entre eles um modo de linguagem, que em suma é que com o que sofrem ao perder a comunicação com Espanha, já fizeram serviço de sobra a Vossa Megestade".
Quando Francisco de Melo Torres quer alojar os soldados que vieram com ele, o povo faz reclamações, quando faz um alarde para o treino da guarnição, ninnguém aparece, há pelo menos quarenta cavalos na vila, mas quando convocou os donos com os seus animais só onze se apresentaram. E conclui: "Afirmo a Vossa Majestade, com a verdade que devo falar, que é uma lástima o que nesta vila se vê. Todos estes senhores se acham potentados livres e eu escusado na sua assistência. Todos cuidam que deram o reino a Vossa Majestade e que em Olivença consiste".
Vale a pena, então, repetir a pergunta: Será que os habitantes de Olivença agradecem o esforço?
Theresa Schedel de Castello Branco



 TEXTO INTEGRAL ORIGINAL:
(nota: o Courrier optou por reproduzir/traduzir o texto enviado em castelhano para o "El País", um pouco mais curto)

OMISSÃO no "El País"(e, portanto, no "COURRIER"!!!!)

Enviei, a propósito do trabalho de Miguel Mora no "El País", para este jornal uma carta com as omissões GRAVES que o texto continha. Não sei se o "El País" a publicou, mas penso que não (aí vai o texto que enviei, no fim). Para o "Courrier, aqui vai o mesmo texto, com as referências aos jornais, português e espanhol, que PROVAM as omissões !

EIS O TEXTO QUE PROPONHO:
Não hesito em dar os parabéns pelo excelente trabalho sobre Olivença publicado no "El País" de 04-Dezembro-2006, e reproduzido no "Courrier Internacional" de 8 de Dezembro de 2006.
Há, todavia, uma grave omissão... que toca ao ano decisivo de 1994... sobre o "Dossier" da Ponte da juda. Os documentos mais importantes sobre a Reconstrução da velha Ponte e a construção de uma nova foram "promulgados nesse ano. Quiçá o jornalista espanhol o desconhecesse.
Assim, o "Público" de 24 de Agosto de 1994 noticiava que "Os governos de Portugal e Espanha chegaram finalmente a acordo quanto à maneira de reconstruir a Ponte da Ajuda, na zona de Elvas, sem prejudicar a posição portuguesa sobre Olivença; o artifício (...) traduz-se na assunção integral, por parte do Governo de Lisboa, de todo o investimento necessário ao projecto; Madrid, que se absteve de objectar em sentido inverso ao do Palácio das Necessidades, financiará uma outra ponte, de custo equivalente, a construir num local de fronteira a definir pelos dois países;(...)a aprovação desta solução pelo governo de Felipe González foi comunicada a Lisboa, há cerca de duas semanas, pelo Ministério da Hacienda, e recebeu agora o sim definitivo do Ministério de Durão Barroso (nota: Actualmente, Presidente de UE)(...);o projecto já aprovado contempla a reconstrução da ponte manuelina propriamente dita, a construção de uma nova ponte, nas proximidades, por onde circulará o tráfego automóvel, e os acessos ao local de ambos os lados do rio.(...); isto porque se o investimento fosse partilhado por ambas as partes, a posição de Portugal, que não reconhece a soberania espanhola sobre Olivença, sairia enfraquecida, e poderia ser interpretada como um recuo relativamente a Madrid.(...)"
A imprensa espanhola também referiu este acordo, como se pode ler no "Hoy" (Badajoz) de 25 de Agosto de 1994:
"PORTUGAL OPTA POR LA RECONSTRUCCIÓN DE PUENTE AYUDA PAGANDO LAS OBRAS/España, como contrapartida, construirá un nuevo para vehiculo aguas abajo del Guadiana/ Portugal ha dado al final marcha atrás en la negativa de reconstruir Puente Ayuda, entre Olivenza y Elvas, corriendo con todos los gastos el Estado luso.(...)En Mayo de este año (1994)la administración lusa habia paralisado la convocatória de concurso del proyecto, con financiación conjunta hispano-lusa, por entender que equivaldría a reconocer la soberanía española sobre Olivenza. El artifício encontrado por la Secretaría de Estado de Desarrollo Regional de Portugal ha sido financiar en su totalidad la reconstrución del puente. Portugal deja deconceptuar al puente como "fronterizo" y lo considera "nacional". España, en contrapartida, construirá águas abajo del Guadiana(...)proximo a la aldea de Villarreal".
No dia seguinte (26), o mesmo "Hoy" fazia uma correcção, pois revelava o que se pode ler:
"EL NUEVO PUENTE QUE CONSTRUIRÁ ESPAÑA A CAMBIO DE PUENTE AJUDA NO ESTARÁ SITUADO EN OLIVENZA/A.Cid, Badajoz/El puente nuevo que (...) construirá España (...) NO ESTARÁ SITUADO en OLIVENZA, sinó en un lugar de la frontera aún por determinar (...) el puente de Ajuda será reconstruido totalmente por Portugal DESPUÉS DE QUE ESPAÑA HAYA ACEPTADO LA SOLUCIóN LUSA DE CORRER CON TODOS LOS GASTOS(...)."
A Câmara de Olivença gostou de ver encontrada uma solução. No "Hoy" de 25 referido, um parágrafo dava conta disso:
"SATISFACIÓN MUNICIPAL/El teniente de Alcalde del Ayuntamiento de Olivenza, Justo Nuñez, expressaba ayer la plena satisfacción de la corporación municipal por la notícia de la reconstrución del Puente de Ajuda (...). Según sus palabras, la obra de Puente Ajuda ha sido apoyada desde el princípio por todas las fuerzas políticas oliventinas (...)."
Creio que algo terá falhado no artigo de 04-Dezembro-2006, certamente não de forma intencional, ao não se referirem tais pormenores. O que não lhe retira mérito.
11-Dezembro-2006
Carlos Eduardo da Cruz Luna

 

Artigo no "El Pais" de 4 de dezembro 2006

 A ETERNA DISPUTA DE OLIVENZA-OLIVENÇA
"Um Tribunal Português abriu um processo contra o Governo Espanhol por obras ilegais na Ponte da Ajuda, monumento construído no tempo de D. Manuel I e cujo restauro já foi várias vezes tentado, sem êxito."
EL PAÍS/Madrid
MIGUEL MORA(em Olivença) 

En las calles la calma es absoluta, Olivenza es un lugar plácido. La gente es simpática y muy habladora. Pero el disputado enclave extremeño, que fue portugués durante seis siglos, tiene una condena: acaparar siempre el protagonismo de las querellas ibéricas.

El pueblo más portugués de España

La última suena a broma pero es real. El Tribunal de Apelación de Évora ha ordenado al juzgado de Elvas instruir la denuncia presentada en 2003 por la asociación lusa Amigos de Olivença contra el ministro de Fomento español y otras autoridades de los dos países por realizar obras "ilegales y clandestinas" en las ruinas del Puente de Ayuda.

A Ponte de Nossa Senhora de Ajuda fue construida (en portugués, 'puente' es femenino) en el siglo XVI, durante el reinado del rey Don Manuel, para comunicar Elvas con Olivença a través del Guadiana. Viéndolo hoy, nadie diría que fue el más espectacular puente fortificado del reino portugués: tenía 380 metros de longitud, cinco y medio de anchura, 19 arcos y una gran torre defensiva central de tres pisos.

Ahora apenas queda en pie una docena de arcos y la mayor parte de sus piedras están debajo del agua. En la orilla española, de unos 50 metros, los arcos, el suelo y la balaustrada han sido restaurados. La parte portuguesa parece intacta.

La fama estratégica del puente duró menos de dos siglos. Fue volado por los españoles durante la Guerra de Sucesión de 1709, y sus ruinas se convirtieron en la mejor metáfora de la división ibérica. A pesar de los deseos de la población, la siempre aplazada "cuestión de Olivenza" parecía impedir a los dos países ponerse de acuerdo para restaurar esas ruinas que guardan leyendas de contrabandistas y de republicanos que huían de las tropas franquistas para darse de bruces con las de Salazar.

La situación pareció mejorar en 1990. Felipe González y Cavaco Silva acordaron en la Cumbre de Quinta do Lago reformar el puente manuelino. La iniciativa de los alcaldes socialistas de Elvas (João Brandão) y de Olivenza (Ramón Rocha), que hermanaron ambas ciudades en 1991, impulsó dos decisiones: construir un nuevo puente para vehículos, y restaurar el antiguo.

Los dos proyectos fueron encargados al ingeniero José Antonio Fernández Ordóñez, recuerda Ramón Rocha, 27 años en el cargo: "Portugal se ocuparía de construir el puente nuevo y España de recuperar el viejo".

Las obras empezaron por el puente nuevo, que era más urgente. Pero, tratándose de Olivenza, las cosas no podían ser fáciles. En 1996, el PP ganó las elecciones. Y la falta de tacto o tal vez la nueva política exterior de Aznar acabó complicando el asunto.

Antonio Marques, presidente de la asociación Grupo Amigos de Olivença (GOA), narra lo que pasó en 1999: "Cuando Portugal estaba acabando de construir el puente, la Guardia Civil lo tomó inopinadamente, echó de allí al empresario portugués y precintó las máquinas".

"Fue así", confirma el alcalde de Olivenza. "Cuando los trabajadores entraron en zona española para asfaltar la boca del puente y la carretera nueva, la Guardia Civil se presentó, pidió la licencia de obra, y como no la tenían precintó las máquinas. El número sirvió al menos para desbloquear por fin la reforma de Ayuda".

Un año después, una minicumbre celebrada en Évora decidió que España comenzara a restaurar el puente viejo. En marzo de 2003, siendo Francisco Álvarez Cascos ministro de Fomento, la constructora Freyssinet, contratada por el ministerio, valló las ruinas, levantó andamios en las dos orillas del Guadiana y empezó las obras.

Con un fallo lamentable: nadie pareció acordarse de que para tocar el monumento había que pedir permiso al Instituto Portugués de Patrimonio Arquitectónico, que lo había catalogado como inmueble de interés público en 1969.

Enseguida llegó la denuncia de los Amigos de Olivença, un grupo que se fundó en 1938 para conceder la nacionalidad portuguesa a los oliventinos que escapaban de España y que ahora trata de mantener viva la dormida reivindicación de la soberanía lusa sobre el territorio.

GAO pidió a la Fiscalía que parara las obras "ilegales y clandestinas", que habían causado daños "irreparables" -España echó una gran capa de cemento en el suelo del puente-. Sin dar nombres, la querella acusaba de un delito de daño a los responsables españoles de la obra (el ministro de Fomento, el subdirector de carreteras y el de Arquitectura y los administradores de la empresa) y de un delito de denegación de justicia al alcalde de Elvas y el director del IPPAR, que "no vigilaron ni detuvieron las obras". La fiscalía archivó el proceso y GAO pidió al juzgado de Elvas que abriera diligencias, pero la jueza decidió no hacerlo alegando que "no se identificaba con nombres y apellidos a los acusados".

Los Amigos de Olivença apelaron entonces al Tribunal de Évora, que el 6 de octubre último ordenó reabrir la instrucción y que se decida, en su caso, a quién se constituye acusados, si a los titulares de los cargos públicos de entonces o a los actuales.

"La historia es muy seria", afirma António Marques. "España hizo obras en un monumento y lo adulteró irremediablemente. Esperamos con la máxima expectación la decisión del juzgado de Elvas, y confiamos en que se conocerá la responsabilidad del Gobierno español".

El alcalde Rocha, que en 2004 logró que la Junta de Extremadura también catalogara las ruinas como bien de interés público, espera que el asunto acabe bien. "El nuevo proyecto tendrá elementos modernos, porque la UE ahora prefiere que en las restauraciones se noten los cambios, y el IPPAR ya ha dicho cómo quiere que se haga el puente". Según Rocha, el levantamiento topográfico será realizado en enero.

El pueblo más portugués de España
M. M. - Olivenza - 04/12/2006 

Olivenza es el pueblo más portugués de España: fue Olivença durante 504 años, desde 1297 hasta 1801. Ese año, el general Godoy lo ocupó con 40.000 soldados durante la Guerra de las Naranjas, llamada así porque el invasor envío un cesto de frutas recogido en la también conquistada Elvas a la reina María Luisa (su presunta amante).

Según los vecinos de la "muy noble, notable y leal villa", en Olivenza apenas se habla ya la lengua de Camoens, aunque sus habitantes la llaman "la vila" (en portugués), aunque muchos de los ancianos que juegan al tute en el Hogar del Pensionista discuten y blasfeman en perfecto portugués y muchos escolares de primaria y secundaria estudian el idioma en los colegios desde hace algunos años. "Es difícil hablarlo, pero cuando leemos los textos lo entiendo casi todo", dice Águeda, de 14 años.

En 205 años de soberanía española, Olivenza ha ganado bienestar y ha ido perdiendo bilingüismo. La Guerra Civil y la dictadura contribuyeron al regreso de muchos portugueses al otro lado de la Raya. La lusofonía se fue haciendo doméstica: en privado, en casa. "Los menores de 65 años apenas lo hablan ya", explica Yolanda Perera, un ama de casa, de 37 años. "Pero muchos ancianos siguen hablándolo. Mi abuela, por ejemplo, habla en portugués con sus amigas. ¡Sobre todo cuando no quiere que me entere de algo!".

En los últimos tiempos, en cambio, cada vez más portugueses vienen a trabajar y a hacer compras a Olivenza, huyendo del IVA del 21%. "Con la crisis, estamos bastantes aquí. Pagan un poco mejor y es más fácil encontrar trabajo", cuenta Fernando Branco, vecino de Elvas, camarero en el restaurante Dosca.

Vienen sobre todo a la restauración y a la construcción; un sector que, según se ve en el centro, lleno de obras, tira de la economía local. Manolo Silva, albañil, cuentan que en Construcciones Jerónimo todos los currantes son españoles.

Olivenza rezuma herencia portuguesa por cada rincón. Incluso el empedrado nuevo es portugués: pequeñas piedras blancas y negras haciendo dibujos.

Ramón Rocha, el alcalde, es andaluz de origen pero presume de pueblo mestizo y de cuidar la tradición lusa: "Intentamos no perderla. Es nuestra historia y estamos orgullosos. Intentamos mantener también la lengua; es un elemento más de nuestra cultura".

 

 A TRADUÇÃO: "Courrier Internacional", Edição Portuguesa
 8 de Dez de 2006

A ESTE JORNAL PUBLICOU UMA TRADUÇÃO PARA PORTUGUÊS DO ARTIGO DO "EL PAÍS".
(nota: a gravura é diferente; é uma fotografia de um escudo português "picado", com a legenda "O escudo português está presente em vários edifícios de Olivença")

 



A ETERNA DISPUTA DE OLIVENZA-OLIVENÇA
"Um Tribunal Português abriu um processo contra o Governo Espanhol por obras ilegais na Ponte da Ajuda, monumento construído no tempo de D. Manuel I e cujo restauro já foi várias vezes tentado, sem êxito."
EL PAÍS/Madrid
MIGUEL MORA(em Olivença)
PORTUGAL
RELAÇÕES IBÉRICAS
NAS ruas, a calma é absoluta,Olivença é uma terra plácida.As pessoas são simpáticas e muito faladoras. Mas o disputado enclave da Estremadura,que foi português durante seis séculos, está condenado a açambarcar o protagonismo das querelas ibéricas. A última parece uma piada, mas é real. O Tribunal da Relação de Évora ordenou ao Tribunal de Elvas que instruísse o processo apresentado em 2003 pela associação lusa Grupo dos Amigos de Olivença contra o então ministro do Fomento espanhol e outras autoridades dos dois países, por realizarem obras «ilegais e clandestinas» nas ruínas da Ponte da Ajuda.
A Ponte deNossa Senhora da Ajuda foi construída no século XVI, durante
o reinado do rei D. Manuel I,para ligar Elvas a Olivença através do Guadiana. Quem a vir hoje não dirá que foi a mais espectacular ponte fortificada do reino português: tinha 380 metros de comprimento, cinco e meio de largura, 19 arcos e uma grande torre defensiva central de três andares.Agora, apenas restam de pé uns 12 arcos e a maior parte das suas pedras estão debaixo de água. Na margem espanhola, de cerca de 50 metros, os arcos, a base e a balaustrada foram restaurados. A parte portuguesa parece intacta.
A fama estratégica da ponte durou menos de dois séculos. Foi abatida
pelos espanhóis, durante a Guerra de Sucessão de 1709, e as suas ruínas
converteram-se na melhor metáfora da divisão ibérica. Apesar dos desejos
da população, a sempre adiada «questão de Olivença» parecia impedir os dois países de se porem de acordo para restaurar essas ruínas,que guardam lendas de contrabandistas e republicanos que fugiam das tropas de Franco para dar de caras com as de Salazar.
A situação pareceu melhorar em 1990. Na Cimeira da Quinta do Lago,Felipe González e Cavaco Silva chegaram a acordo sobre o restauro da ponte manuelina. A iniciativa dos autarcas socialistas de Elvas (João Brandão) e Olivença (Ramón Rocha), que geminaram as duas cidades em 1991,impulsionou duas decisões: construir uma nova ponte para veículos e restaurar a antiga. Os dois projectos foram encomendados ao engenheiro José Antonio Fernández Ordóñez, recorda Rocha, há 27 anos no cargo: «Portugal trataria da construção
da ponte nova e Espanha da recuperação da antiga»(NOTA À MARGEM DO TEXTO: ESTA INFORMAÇÃO NÃO É EXACTA: EM AGOSTO DE 2004, FOI ACORDADA A CONSTRUÇÃO, POR PORTUGAL, DE TODOS OS ACESSOS; FIM DA NOTA À MARGEM DO TEXTO). As obras começaram pela ponte nova, que era mais urgente.Tratando-se de Olivença, porém,as coisas não podiam ser fáceis.
Em 1996, o PP ganhou as eleições. E,por falta de tacto, ou talvez devido à
nova política externa de Aznar, as coisasacabaram por se complicar.
António Marques, presidente do Grupo de Amigos de Olivença (GOA)(sic), conta o que sucedeu em 1999:"Quando Portugal estava a acabar de construir a ponte, a Guardia Civil ocupou-a inopinadamente, expulsou o empreiteiro português e selou as máquinas». «Foi mesmo assim. Quando os trabalhadores entraram na zona espanhola, para asfaltar a saída da ponte e a estrada
nova, a Guarda apareceu, pediu a licença da obra e, como não a tinham, selou as máquinas. Pelo menos,o episódio serviu para desbloquear a remodelação da Ajuda», confirma o alcaide de Olivença.
Um ano depois, uma minicimeira em Évora decidiu que Espanha começasse a restaurar a ponte velha. Em Março de 2003, quando Francisco Álvarez-Cascos eraministro do Fomento, a empresa de construção Freyssinet,contratada pelo Ministério, cercou as ruínas, levantou andaimes nas duas margens do Guadiana e começou as obras. Com uma falha lamentável: ninguém pareceu lembrar-se de que, para tocar no monumento, era preciso pedir autorização ao Instituto Português do Património Arquitectónico, que o catalogara como imóvel de interesse público em 1969.
A seguir, surgiu o processo do GAO, fundado em 1938 para conceder a nacionalidade portuguesa aos naturais de Olivença que fugiam de Espanha e que, agora, se dedica a manter viva a velha reivindicação da soberania portuguesa sobre este território.
O GAO pediu ao Ministério Público (MP) que interrompesse as obras «ilegais e clandestinas», que tinham causado danos «irreparáveis » - Espanha colocou uma grande capa de cimento no piso da ponte.Sem citar nomes, o processo acusava de delito de dano os responsáveis espanhóis da obra (ministro do Fomento,subdirectores de Estradas e Arquitectura e administradores da empresa)e de delito de denegação de justiça o presidente da Câmara de Elvas e o director do IPPAR, porque «não vigiaram nem pararam as obras». O MP arquivou o processo e o GAO pediu ao Tribunal de Elvas que iniciasse diligências, mas a juíza decidiu não o fazer, alegando que «os acusados não eram identificados com nomes e apelidos». Os Amigos de Olivença recorreram para o Tribunal de Évora, que, a 6 de Outubro último,ordenou que se reabrisse a instrução e que fosse decidido quem iria ser constituído arguido: os titulares dos cargos públicos da época ou de hoje.
«O problema é muito sério. Espanha fez obras num monumento e adulterou-o irremediavelmente. Aguardamos com a máxima expectativa a decisão do tribunal de Elvas e confiamos que a responsabilidade do Governo espanhol seja reconhecida », afirma Marques. O autarca de Olivença, que, em 2004, conseguiu que a Junta da Extremadura [governo regional] catalogasse as ruínas como bem de interesse público, espera que a questão acabe bem. «A nova ponte terá elementos modernos,porque a UE prefere que, nos restauros, se notem as mudanças, e o IPPAR já disse como quer que se faça». Segundo Rocha, o levantamento topográfico será feito em Janeiro.
Miguel Mora (em Olivença)

"A TERRA MAIS PORTUGUESA DE ESPANHA"

OLIVENZA é a terra mais portuguesa de Espanha: chamou-se Olivença durante
504 anos, de 1297 a 1801. Nesse ano, o general Godoy ocupou-a com 40 mil soldados, durante a Guerra das Laranjas,assim chamada porque o invasor enviou um cesto de fruta, apanhada na também conquistada Elvas, à rainha Maria Luísa (sua suposta amante).
Segundo a população da «mui nobre,notável e leal vila», em Olivença já quase
ninguém fala a língua de Camões, ainda que os habitantes lhe chamem «a vila»
(em português), que muitos velhotes que jogam ao «tute» [jogo de cartas] no Lar dos Pensionistas discutam e se insultem em português perfeito, e que muitos alunos da Primária e do Secundário estudem esta língua, desde há uns anos. «É difícilde falar, mas ao ler os textos percebo quase tudo», diz Águeda, de 14 anos.
Em 205 anos de soberania espanhola,Olivença ganhou bem-estar e perdeu bilinguismo.
A Guerra Civil e a ditadura contribuíram para o regresso de muitos portugueses
ao outro lado da raia. A lusofonia foi-se tornando doméstica: em privado,em casa. «Os que têm menos de 65 anos já quase não o falam», explica Yolanda Perera, dona de casa, de 37 anos. «Mas muitos idosos continuam a falá-lo. A minha avó, por exemplo, fala português com as amigas. Sobretudo quando não quer que eu perceba!», acrescenta.
Nos últimos tempos, pelo contrário,há cada vez mais portugueses a virem trabalhar e fazer compras a Olivença, fugindo do IVA a 21 por cento. «Com a crise, estamos cá muitos. Pagam um bocadinho melhor e émais fácil arranjar trabalho », conta Fernando Branco, habitante de Elvas, empregado de mesa no restaurante Dosca. Vêm sobretudo para a restauração e para a construção, um sector que, como se pode ver no centro, cheio de obras, puxa pela economia local. Manolo Silva, pedreiro, diz que nas Construcciones Jerónimo todos os trabalhadores são espanhóis. Olivença transpira herança portuguesa a
cada canto. Até o empedrado novo é português: pequenas pedras pretas e brancas, que formam desenhos.
Ramón Rocha, o presidente da Câmara, é de origem andaluza, mas vangloria-se da povoação mestiça e da tradição lusa: «Tentamos não a perder. Faz parte da nossa História e estamos orgulhosos disso. Também tentamos manter a língua: é mais um elemento da nossa cultura». (NOTA À MARGEM DO TEXTO: QUASE TODOS OS TESTEMUNHOS RECENTES CONTRARIAM QUE ESTE PROCESSO ESTEJA A SER LEVADO COMO É "PROPAGANDEADO"; FIM DE NOTA À MARGEM DO TEXTO)
MM, El País, Madrid
("Tradução" (?) de ANTÓNIO PEDRO FERREIRA)





Semanário "SOL", página 20, 8-Dezembro-2006, OLIVENÇA
 
PORTUGAL LÁ FORA
EL PAÍS Espanha
A DURA HERANÇA DE OLIVENÇA
(fotografia da página do "El País" com a reportagem citada)
"Nas ruas a calma é absoluta, Olivenza é um lugar plácido. A população é simpática e muito faladora. Mas o disputado enclave estremenho, que foi português durante seis séculos, está condenado", defendeu o "El País" de segunda-feira, 4.
A sentença do diário fundamenta-se "nas querelas ibéricas", cujos últimos desenvolvimentos, considera o jornal, parecem "uma brincadeira". Os factos encaminham o relato para o Tribunal da Relação de Évora, que "ordenou ao julgado de Elvas instruir a denúncia (...) contra o ministro do Fomento espanhol e outras autoridades dos dois países". Na origem da queixa, apresentada em 2003 pela associação lusa Amigos de Olivença está a realização de "obras "ilegais e clandestinas" nas ruínas da Ponte da Ajuda". A destruição da estrutura manuelina, durante a Guerra de Sucessão de 1709, acabou por se converter "na melhor metáfora da divisão ibérica", escreve o "El País". "Apesar dos desejos da população", a "questão de Olivenza" parecia impedir que Portugal e Espanha chegassem a acordo quanto à restauração das ruínas.
A situação começou a mudar em 1990, com a decisão de construir outra ponte e recuperar a antiga. O problema é que as obras avançaram sem que "ninguém se tenha lembrado de pedir autorização ao Instituto Português do Património Arquitectónico, que o havia classificado como imóvel de interesse público em 1969" (FIM)


(NOTA: é uma pena, MAS QUEM FEZ ESTE RESUMO NÃO SE INFORMOU MINIMAMENTE. Assim, tudo surge de forma incorrecta, reproduzindo erros do texto do "El País", e "piorando-os"(!!!). Parece que a idéia é dizer que o projecto não avança porque há uns "chatos" (Amigos de Olivença, burocratas do IPPAR) que o dificultam. Os atropelos de 1999, violando os acordos de 1994, não são mencionados !)
 

9 de Dez de 2006
Presidente da direcção do Grupo Amigos de Olivença
"A devolução definida no Congresso de Viena está por cumprir"

António João Teixeira Marques, tem 51 anos, é natural de Alcoutim (distrito de Faro) e viveu a sua infância em terras vizinhas de Olivença (Campo Maior, Alandroal), ouvindo os mais velhos falarem da terra das oliveiras...

É procurador-adjunto no Tribunal Judicial de Almada e inscreveu-se no Grupo Amigos de Olivença (GAO), quando este, há pouco mais de dez anos, veio a ser revigorado com o activismo de muitos jovens, entretanto, chegados à luta pela causa de Olivença. Foi vogal da direcção, entre 1998 e 2000, depois vice-presidente, no período 2000-2002, e actualmente é presidente da direcção, desde 2003.
Entrevistámos António Marques, actual presidente do GAO, bem como um ex-presidente deste movimento, que, por sinal, é leiriense e um forte defensor desta causa. Uma batalha que ainda está por ganhar, mas que tem tido avanços consideráveis, graças a este número expressivo de amigos de Olivença.

A disputa de Olivença como território português é uma batalha que se prevê ganha neste início do século XXI, ou está para durar?
A própria natureza do conflito impõe a sua resolução. A questão de Olivença resulta da ocupação bélica do território, por Espanha, com a posterior determinação, pelo Congresso de Viena, da sua devolução a Portugal, o que está por cumprir. Nos tempos que correm, é inadmissível que, entre dois Estados vizinhos e amigos, integrando as mesmas alianças e organizações internacionais, persista a ocupação, por um deles, de território do outro. Além disso, a persistência da disputa, dando origem a dúvidas e suspeitas sobre a real intenção e postura da parte de Espanha, inquina o diálogo entre ambos os Estados, prejudicando - como tem sido verificado - a sua aproximação e envolvimento políticos. Enfim, o caso configura-se como um daqueles «esqueletos nos armários» que, quando menos se espera, aparecem à luz do dia a assombrar a realidade... Tudo isso acaba por se traduzir num preço demasiado elevado que os interesses de ambos os países não podem suportar, o que vai impor uma solução para o problema.

Afirmam que os habitantes de Olivença, embora sejam considerados cidadãos espanhóis, se sentem mais portugueses. Esta postura significa que estão convosco na luta por esta causa?
Durante dois séculos, os oliventinos estiveram totalmente isolados do resto de Portugal. A separação politicamente imposta foi rigorosa e total o que teve, necessariamente, custos e consequências. Os oliventinos, de facto umas pequena comunidade portuguesa no interior de Espanha, foram isolados, vítimas de repressão cultural, com a proibição da língua portuguesa, sendo-lhes escondida a sua identidade, sonegada e deturpada a sua história. A época franquista foi especialmente activa nos esforços para apagar a portugalidade de Olivença... Actualmente, com as novas circunstâncias políticas, a abertura da fronteira e a existência de uma nova ponte a ligar Olivença a Elvas, a aproximação entre as duas margens tem sido pronunciada. Mas isso ocorre por vontade dos oliventinos, que em Portugal se sentem naturalmente bem.

A nível nacional, foi criado este movimento, com adesão de um número expressivo de portugueses. A união faz a força, mas a Espanha continua a persistir na ocupação deste território. Quais são os principais fundamentos do Grupo dos Amigos de Olivença?
A associação, que foi fundada em 1938, por influência directa de um oliventino refugiado em Portgugal, Ventura Ledesma Abrantes, conta com o apoio e participação de cidadãos de todos os quadrantes políticos e sociais, representativo do comum desejo dos portugueses, tendo como propósito, como regem os seus estatutos, «defender, por meios não violentos, a reintegração da Vila de Olivença e seu termo no Território nacional». Este programa corresponde à política oficial de Portugal e ao direito legislado, nomeadamente ao comando constitucional. O Grupo pretende, na sua actuação permanente e quotidiana, mobilizar a opinião pública, dando-lhe a conhecer a situação iníqua do território, bem como pressionar os órgãos de soberania de modo a que assumam, de maneira mais determinada, a actualidade e urgência da questão de Olivença, designadamente colocando-a na agenda diplomática luso-espanhola.

Como funcionou o GAO nestes 68 anos de esforços para a devolução daquele território?
O Grupo passou por distintas situações políticas e sociais, em Portugal e no âmbito do relacionamento peninsular, naturalmente com reflexos directos no modo como a questão de Olivença foi encarada pelo poder político e pela opinião pública, esta sendo condicionada pela maior e menor liberdade em que o assunto era tratado na sociedade portuguesa. Durante o Estado Novo, o Grupo não teve qualquer tratamento de favor ou apoio oficiais, tal como o litígio foi afastado da política pública do regime. Com a democratização, o assunto também não foi prioridade da Administração política nem mereceu a devida atenção dos poderes públicos. De tudo resultou e resulta que o Grupo sempre foi, como continua a ser, uma criação da sociedade civil, sendo mantida com as contribuições dos sócios e apoiantes, editando materiais de divulgação, estabelecendo contactos próprios e directos com Olivença e com os oliventinos, contactando os órgãos de soberania portugueses, encontrando-se e informando os  políticos nacionais, os deputados, as associações populares, etc.

Recentemente ganharam uma causa no Tribunal de Évora, que deu razão ao GAO. O que pode resultar desta sentença?
Trata-se de uma acção penal que visa apurar as responsabilidades penais pela realização de obras não autorizadas na Ponte da Ajuda, que como imóvel de interesse público exige a concordância da tutela (IPPAR), obras essas efectuadas a mando do Estado espanhol e que, ao que tudo indica, se traduziram na prática de crime de dano. Um tribunal superior (a Relação de Évora) determinou agora que o processo continuasse, o que implica que representantes políticos do Estado espanhol, nomeadamente o Ministro do Fomento da altura (2003), venham a ser constituídos arguidos. É fácil perceber a delicadeza do assunto...

Que vantagens reais existem na verdadeira conquista de Olivença para território português?
Fundamentalmente, e isso bastará, trata-se de recuperar e trazer à mãe-pátria uma parcela do seu território.

Que outras formas de luta o GAO prepara para o futuro?
Todas as que, dentro da absoluta legalidade, se apresentem, em cada momento, como as mais apropriadas a despertar as consciências dos portugueses de modo a desenvolver e incrementar um movimento verdadeiramente nacional, através do qual se faça saber aos nossos representantes políticos que a sociedade portuguesa, pugnando pela assunção pública da questão de Olivença, não se conforma com a menorização e falta de dignidade em que alguns parece quererem lançá-la.



Grupo dos Amigos de Olivença

O Grupo dos Amigos de Olivença - Sociedade Patriótica, é uma organização nacional, apartidária, de fins patrióticos, culturais, históricos e beneficentes, sem interesses lucrativos. Com a defesa da unidade nacional, a salvaguarda da integridade territorial e a afirmação da soberania portuguesa como pano de fundo, o Grupo dos Amigos de Olivença, conforme prescrevem os seus estatutos, tem como objectivos pugnar por meios não violentos, pela reintegração de Olivença em Portugal, pressionar os órgãos de soberania a não alienarem esta parcela do território nacional, em obediência à Constituição da República, conservar e alimentar o interesse nacional sobre a história, a cultura e o bem-estar das populações de Olivença, colaborar com os órgãos de soberania na defesa dos direitos portugueses sobre Olivença, designadamente os resultantes do Congresso de Viena de 1815, promover o culto do amor pela Pátria portuguesa, o respeito e a admiração pelas grandes figuras da História de Portugal, especialmente as relacionadas com Olivença e todo o Alentejo e defender, activamente, o nosso património cultural enquanto matriz da identidade portuguesa.
O grupo ultrapassa largamente as cinco centenas de associados, espalhados por todo o País e na emigração. Igualmente são sócios muitos estrangeiros naturais do Brasil, França, Reino Unido, Espanha (especialmente Galegos e Catalães). Sendo o grupo uma associação nacional, aberta a todos os que se interessam pela Questão de Olivença e por Portugal, independentemente das suas convicções ideológicas, políticas, religiosas ou outras, incorpora pessoas de todas as profissões, condições sociais e culturais e vindas dos mais diversos quadrantes. A maioria dos associados tem entre 20 e 45 anos e a generalidade possui habilitações de nível superior.

Entrevista de: Joaquim Santos

 9 de Dez de 2006
Mário Rodrigues, historiador leiriense ex-presidente do GAO
"É dever moral de defender a integridade territorial de Portugal"

Mário Rodrigues tem 39 anos, é natural de Angola, reside em Leiria, é licenciado em História e é professor no ensino secundário, sendo efectivo da Escola Secundária de Porto de Mós e destacado há 3 anos na Escola Básica Integrada de Santa Catarina da Serra. Foi vice-presidente da direcção do Grupo dos Amigos de Olivença entre 1997-1999 e presidente da direcção no período 1999-2001.

Como historiador e ex-presidente do GAO, porque levou a cabo uma luta pela recuperação de Olivença?
Ouvi falar na Questão de Olivença pela primeira vez quando tinha 14 ou 15 anos, numa aula de História, em Fátima, e desde então não mais deixei o assunto fora das minhas preocupações e interesses. Basta ser-se Português para se assumir o indeclinável dever moral de defender a integridade territorial de Portugal. E, além do mais, o problema de Olivença é uma questão de Justiça e de Legalidade a que não podem ficar indiferentes todos quantos desejam viver numa autêntica Comunidade Internacional de Direito.

Um dos primeiros artigos que escreveu sobre a questão de Olivença foi publicado no jornal O Mensageiro, em 1994. Quis movimentar a nossa região para esta causa?
Em 1994 estalou a problemática da reconstrução da Ponte da Ajuda, situada entre Elvas e Olivença. Em Maio desse ano escrevi um artigo no jornal O Diabo, intitulado "Olivença, a ponte do desentendimento". E em Outubro, por via dos contactos e da relação de amizade que estabeleci com o então director d' O Mensageiro, o Professor Matias Crespo, publiquei neste semanário um extenso artigo, que se prolongou por quatro números, com o expressivo título "Olivença: Uma Questão Nacional". Se não me falha a memória, foi um dos primeiros artigos com alguma dimensão que dei à estampa.
Como questão eminentemente nacional, sempre tentei agir à escala de todo o País e sempre que possível no estrangeiro, nos países que podem ser relevantes na solução do problema ou que nele podem ter interesses ainda que indirectos.
Nunca tive uma preocupação especial com a região leiriense. Quando muito, tentei pôr em prática a ideia contida numa frase muito usual: «pensar globalmente, agir localmente».

Os cidadãos do distrito de Leiria aliaram-se aos fundamentos da Causa de Olivença?
Muitos anos antes de ter nascido ou de me interessar pela Questão de Olivença, desde os anos 50 e 60, já existiam activistas da Causa nesta região, vários deles sócios do Grupo dos Amigos de Olivença, como Tomé Feteira, Sertório Hingá Ferreira, Adriano Lopes dos Santos, entre vários. Poderia acrescentar outros grandes patriotas que aderiram mais recentemente à associação como Ruy de Moura Ramos e José Travassos dos Santos. O próprio Professor Matias Crespo, apesar de nunca ter sido associado do Grupo, interessava-se muito por Olivença, estando na origem da ideia de geminação desta localidade com Leiria.

A questão de Olivença é política ou económica?
Prefiro entender a Questão de Olivença como uma questão essencialmente simbólica, na acepção mais rica da palavra. Parafraseando Fernando Pessoa, diria que «o símbolo é o nada que é tudo». Neste sentido, Olivença tem de ser vista como o centro simbólico da mais profunda realidade portuguesa. A situação jurídico-política em que se encontra Olivença simboliza todas as fraquezas, defeitos e limitações do Povo Português e sobretudo da sua classe política. Olivença é o símbolo da pequenez territorial e mental a que estamos reduzidos, da falta de coragem dos que nos governam ao longo de muitas décadas, do desleixo de quase todos para com a nossa integridade física e moral, da indiferença quase geral face à indignidade que macula a nossa existência, do atraso que se cavou nos últimos tempos entre Portugal e Espanha, da subserviência relativamente a Madrid que se tornou o timbre da maioria dos nossos dirigentes políticos. Urge transformar Olivença num símbolo de coragem, tenacidade,
hombridade, honorabilidade e sentido de justiça. Impõe-se recuperar todos os valores que fizeram do Homem português um ser respeitável nas "quatro partidas do Mundo". Quando merecermos o respeito da Espanha, em Olivença voltará a tremular a Bandeira Nacional. A Questão de Olivença é, por tudo quanto representa, a Questão de Portugal. É preciso que se cumpra Portugal!

Até quando se prevê esta "luta oliventina"?
O Estado português tem-se limitado a não reconhecer a soberania espanhola sobre Olivença, o que só por si já é jurídica e diplomaticamente relevante. Mas, pouquíssimos têm sido os políticos portugueses que nas últimas décadas ergueram a voz por Olivença. Não espanta, pois, que independentemente de quem nos governe, o País esteja como está.
As prioridades têm sido a Espanha e a Europa, duas entidades que sempre nos foram adversas ao longo de muitos séculos de História. A situação só mudará quando a nossa prioridade for Portugal e o Mundo Português, duas realidades perigosamente ameaçadas pelos projectos madrilenos da Ibéria e da Hispanidade.
A luta por Olivença é precisamente o combate que se nos impõe contra o Iberismo na Península Ibérica e contra o Hispanismo no mundo onde ainda se fala português...
Enquanto houver verdadeiros Portugueses, a luta continuará. É uma peleja incessante, porque é necessário não só restaurar Olivença, mas sobretudo restaurar Portugal. Não é tanto Olivença que está cativa pela Espanha. É mais se a Alma Portuguesa que jaz prisioneira numa Olivença ocupada, por causa da nossa resignação perante um fatalismo que não existe. Recuperar Olivença será voltar a fazer de Portugal um País Livre e Independente.

 

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Comentário/

Comment 2007

 5 de Jan de 2007, Jornal "TAL & QUAL"
A PONTE É NOSSA

Muito se tem escrito sobre o ano que agora finda (2006). Vários acontecimentos têm sido destacados, reflectindo muitas vezes mais a opinião de jornalistas e comentadorex do que a real importância dos mesmos.
Não se trata de criticar este aspecto. É inevitável, pois o ser humeno distingue-se dos outros animais pela sua capacidade de pensar, e, portanto, de pensar ( o que não é claro para os muitos ditadores que ainda sobrevivem ).
Entre tantas opiniões e balanços, causa alguma estranheza que não tenha sido referido o "Caso da Ponte da Ajuda", entre Elvas e Olivença.
Foi em Outubro de 2006 que o Tribunal da Relação de Évora mandou reabrir inquérito às obras feitas sem licença pelas autoridades espanholas na velha Ponte da Ajuda
(recorde-se: uma construção manuelina hoje em ruínas que liga as duas margens do Guadiana, entre Elvas e Olivença). Trata-se do desfecho de um processo de 2003, que os Amigos de Olivença levantaram em virtude da execução, pelas autoridades espanholas, de um conjunto de obras não licenciadas na Ponte da Ajuda.
De acordo com aquela associação, os responsáveis espanhóis pelos trabalhos então feitos na ponte, classificada como imóvel de interesse público pelo Ippar, teriam cometido o crime público de dano, enquanto os portugueses incorreram na prática do crime público de denegação de justiça, por nada, ou só tardiamente, terem agido no sentido de pararem os ditos trabalhos.(...)
Afinal, o clima de abertura e de total honestidade alardeado em Cimeiras não parece abranger aquele que é, queira-se ou não, o único problema de fronteiras pendente entre Lisboa e Madrid. Um problema que dois Estados amigos devem discutir abertamente. O clima político, a amizade, proporcionam-no.
Senhores responsáveis: por favor, nos vossos encontros, tenham a coragem de, serenamente, falar francamente, e resolver de forma digna este pequeno espinho diplomático!
Carlos da Cruz Luna ( ESTREMOZ)

24 de Dez de 2006 REVISTA PÚBLICA (supl. grat. Domingo do "Público"
NÃO AO IBERISMO!
É deprimente, ainda que legítimo enquanto manifestação de Liberdade de Expressão, ver como o pessimismo toma conta de sectores de opinião portugueses (generalizando-se...) quãndo algo corre mal. Afinal, crises, piores ou melhores, ocorrem em todos os países. Normalmente, tenta-se
resolvê-las, contando com as próprias forças (ainda que não desdenhando ajudas....), promovendo as necessárias mudanças, inclusivamente a nível de élites, a não ser que estas mudem por sua iniciativa. Parece é que temos élites muito pouco empreendedoras em Portugal...
A actual Espanha, que, como qualquer país, tem tido, e terá, os seus altos e BAIXOS a nível económico e outros, agrupa, graças a casamentos reais ( um
processo muito democrático...), vários Reinos, alguns com identidades "étnicas" específicas. Historicamente, desde principalmente Filipe V (Século
XVIII), estas especificidades têm sofrido um processo de castelhanização que tem encontrado muitas resistências.
Sobre esta questão da "União Ibérica", é difícil resistir a citar Olivença.
Ocupada em 1801, e então quase tão grande como Elvas e Badajoz (assim o afirma a historiografia ESPANHOLA), deveria ter sido reintegrada em Portugal
em 1814,1815,1817. Tal ainda não sucedeu. Durante o século XIX e inícios do XX, foi perdendo gente e importância.
A língua e a Cultura portuguesas foram adulteradas, reprimidas, negadas.
Ainda hoje, aí uns 80% da população ignora a sua História, em lado nenhum ensinada ( a democracia espanhola tem destas coisas...). Conhece agora algum
desenvolvimento, que não compensa o que perdeu.De momento, o nível de vida é
superior ao de Portugal (em 20%, mais ou menos)...mas...o que se fará se a situação se inverter dentro de alguns anos? O que se argumentará? O que se pode dizer é que, na década de 1950, quanda se vivia menos mal em Portugal
do que em Espanha, isso era escondido...tentando-se discretamente impedir
contactos entre oliventinos e portugueses.
Como já se disse, hoje há democracia em Espanha, mas tardam a democratizar-se as mentalidades. Muitas vezes, o que há é um "verniz" democrático.
É um pouco o exemplo de Olivença que me leva a ver com olhares ainda mais reprovadores uma subjugação a Madrid. Quero ter consciência da minha História. Porque a conheço, posso até dizer mal dela. Mas não quero ser
obrigado a esquecê-la.
Carlos Luna, Estremoz

15 de Dez de 2006"courrier dos Leitores"(pág. 3; carta única)
OLIVENÇA OU OLIVENZA

 Parabéns pelo excelente trabalho sobre Olivença. No entanto, existem omissões. Em Agosto de 1994, a Espanha aceitou a construção, por Portugal, das duas pontes. Aqui vai uma transcrição do jornal "Hoy", de Badajoz, de 25 de Agosto de 1994: "Portugal opta pela reconstrução da Ponte da Ajuda, pagando as obras. Espanha, em contrapartida, construirá uma nova ponte, rodoviária, a jusante, no Guadiana. Portugal recuou na recusa em reconstruir a Ponte da Ajuda, entre Olivença e Elvas, assumindo o estado luso todos os gastos.(...) Em Maio deste anoo [1994], a administração portuguesa paralisou a convocatória do concurso do projecto, com financiamento conjunto hispano-luso, por entender que isso equivaleria a reconhecer a soberania espanhola sobre Olivença. O artifício encontrado pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento Regional portuguesa foi financiar na totalidade a reconstrução da ponte. Portugal deixa de conceber a ponte como "fronteiriça" e considera-a "nacional". Espanh
a, em contrapartida, construirá, a jusante, no Guadiana (...)"
A 26 de Agosto de 1994, o "Hoy" explicava melhor: "A nova ponte que Espanha vai construir em vez da Ponte da Ajuda não ficará situada em Olivença" e "A nova ponte que (...) Espanha construirá (...) não ficará em Olivença, mas num local de fronteira ainda por determinar (...). A Ponte da Ajuda será totalmente reconstruída por Portugal depois de Espanha ter aceite a solução lusa de assumir todos os gastos (...)."
Todo este texto se baseava numa notícia do "Público", de 24 de Agosto de 1994, no qual se lia, entre outras coisas, que "O artifício (...) traduz-se na assunção integral, por parte do Governo de Lisboa, de todo o investimento necessário ao projecto. (...) A aprovação desta solução pelo governo de Felipe González foi comunicada a Lisboa, há cerca de duas semanas, pelo Ministério [das Finanças], e recebeu agora o sim definitivo do Ministério de Durão Barroso [então Ministro dos Negócios Estrangeiros](...)O projecto já aprovado contempla a reconstrução da ponte manuelina propriamente dita, a construção de uma nova ponte, nas proximidades, por onde circulará o tráfego automóvel, e os acessos ao local de ambos os lados do rio.(...)."

Carlos Luna

NR: Esta carta foi enviada a "El País, jornal em que foi publicaddo, no passado dia 4 de Dezembro, o artigo "La eterna disputa de Olivenza-Olivença" que o Courrier reproduziu na sua Edição n.º 88.

14 de Dez de 2006

IBERISMO
António Mega Ferreira(AMF) está indignado por ter havido um grupo de cidadãos (do qual faço parte) que entregou uma participação na Procuradoria Geral da República(PGR),contra o Ministro Eng.Mário Lino(ML),por este ter defendido ser aprazível e desejável submeter os nacionais aos únicos vizinhos que temos. Está solidário com ele,insurgindo-se contra os autores da participação aos quais "agradaria"que ML "fosse parar à cadeia pelo menos por uns bons 10 anos".Não temos nada contra entendimentos com a Espanha que sirvam os interesses nacionais portugueses e defendemos todo o o tipo de cooperação e boa vizinhança que nos favoreça.Mas a queixa refere-se a afirmações do ministro ML,que diz ser "iberista confeso" e acrescenta estas pérolas:"tenemos una historia comun,una lengua común.Hay unidad histórica y cultural y ibéria es una realidad que persigue tanto el gobierno espanõl como el português". Se AMF for ao dicionário verá que "iberismo"é o"partido dos que pretendem a uni
ão politica de Portugal e Espanha"; e "ibérico"refere-se ao "partidário da união politica com a Espanha". Não queira confundir os leitores,dizendo que hoje em dia é diferente porque ele,e outros correligionários de partido, assim o entendem. A Ibéria de que tanto fala é uma realidade geográfica e não representa uma unidade politica. Castela não deixou de ser uma realidade dentro da Espanha, e a mais forte, pois foi ela que aglutinou todas as outras nacionalidades peninsulares,à excepção justamente da nação dos Portugueses. Intriga-se AMF que os autores da participação tenham esperado sete meses. Ãs declarações de ML,podendo ser consideradas como crime público,não prescrevem ao fim de 15 anos.E foi isso sim,curioso de observar,como uma postura que pode claramente incorrer em matéria penal grave,não tenha suscitado qualquer reacção consentânea de nenhum órgão de soberania. Foi preciso ser o "povo",pela mão de muitos que se rebelou contra a verborreia do sr ministro,ao escrever numerosas cartas para as redações dos jornais.
José Brandão Ferreira

11/12/2006 Edición Impresa LITIGIO FRONTERIZO EN LA PENÍNSULA IBÉRICA
Los últimos de Olivenza

1. . Un grupo de 700 miembros se queda solo reclamando a España la devolución a Portugal de esa localidad
2. . Reconocen que los oliventinos se sienten españoles

Portugueses reclaman que Olivenza es Portugal.

VIRGINA LÓPEZ
LISBOA

Cada 1 de diciembre, Portugal celebra la expulsión de los españoles y la restauración de su independencia en 1640. Este año, en la céntrica plaza de los Restauradores, se conmemoró la fecha. No son muchos los que asisten a los actos. Quienes nunca fallan son el Grupo Amigos de Olivença, que defiende que la localidad extremeña pertenece "por derecho, por cultura y
por historia a Portugal", como enfatizó el presidente de esta asociación, António Marques.
En 1801, España le declaró la guerra a su vecino y decidió invadir la localidad, obligando después a Portugal a firmar el Tratado de Paz de Badajoz, por el cual se quedaba con Olivenza. El Congreso de Viena le dio la
razón a Portugal reconociendo la soberanía lusa a esa localidad fronteriza y España lo aceptó, pero sin llegar nunca a devolver el municipio. Ante la falta de consenso, la actual línea de la frontera entre España y Portugal se desdibuja a la altura del río Caia y no se retoma hasta el río Cuncos.

Prohibida la lengua
Con estos antecedentes nació el Grupo Amigos de Olivença en la década de los 40, justo cuando se prohibió hablar en portugués en el municipio extremeño,  que cuenta en estos momentos con 700 asociados que reivindican la
nacionalidad portuguesa. "Si se le pregunta a los oliventinos si quieren volver a ser portugueses, la mayoría dirá que no", confesó Marques. Aún así, el presidente de los amigos entiende que "hay una parte de la población que, a pesar de ser española, también se considera portuguesa".
El pasado 1 de diciembre, una docena de amigos mostraron a las autoridades la pancarta en la que insisten en que Olivenza "sigue siendo tierra portuguesa", la misma que exhiben cada año en las cumbres hispano-lusas.
"Queremos que este asunto vuelva a estar en las agendas diplomáticas de los dos gobiernos", afirmó un miembro del grupo.
Desde inicios del siglo XIX hasta ahora, el municipio de Olivenza ha sufrido una total españolización pero los "amigos" insisten en que hay un "pasado portugués incuestionable que no olvidan".

Agradecidos a Catalunya
Apuestan en las nuevas generaciones, con más estudios que sus padres, para "cuestionar" la situación. "Si dejamos pasar otros 200 años se agotará la
memoria", dicen. Por eso no desisten. "La independencia de Portugal se la debemos a los catalanes", comenta Heduíno, un amigo, que precisa: "Castilla
no podía con los dos frentes y acabamos venciendo la revolución".
 

 

A Repressão espanhola na Galiza

Fazer parte da Espanha?  O que fazem na Galiza, fariam os espanhóis em Portugal!!

www.galizalivre.org

     

OPL

ForumOlivença

GAO

 

Links

Forum Olivença

Grupo dos Amigos de Olivença

OLIVENÇA

Usurpação/Etnicídio Perfeito

 

http://www.biologydaily.com

/biology/Olivenza(gives an excellent description about Portugal's claim to Olivença (in English)

Enciclopédia "Kiwi"
http://www.wikipedia.org

/wiki/Portugal

 

http://www.odci.gov/cia/

publications/factbook/

geos/po.html#Issues
http://www.odci.gov/

cia/publications/factbook/

geos/sp.html

 

 Arquivos 2006

Dezembro - Meteorologia e diplomacia Luso-espanhola

Novembro - "A CASA DO VIZINHO"

Outubro - DISCUTIR O IBERISMO

Setembro - VISITA DE CAVACO SILVA A ESPANHA

Agosto - 100% Português

Julho - Primeiro Ministro, roçando a traição

Junho - HOMENAGEM A MÁRIO VENTURA HENRIQUES

Maio - 205.º Aniversário da Ocupação de Olivença

Abril - CIA Factbook

Março - "AS SENSIBILIDADES NACIONAIS NÃO PODEM VIOLAR AS REGRAS DO MERCADO INTERNO EUROPEU"

Fevereiro - (Olivença)O NOVO PRESIDENTE E A DIFERENÇA PROMETIDA

Janeiro - Olivença:um colonialismo esquecido

 

Arquivos 2005

Dezembro - QUESTÕES DE SOBERANIA

Novembro - MAIS UMA CIMEIRA IBÉRICA

Outubro - XV Cimeira Ibero-Americana

Setembro - 708 anos sobre o Tratado de Alcanices

Agosto - Olivença pelos Ares

Julho - ERRO HISTÓRICO

Junho - PONDEROSA QUESTÃO DE ESTADO

Maio - A Espanha não é um país amigo!

Abril - FACE  AO  COMPLEXO  DO «COMPLEXO ANTI-ESPANHOL»

Março - "CONTRA OLIVENZA"

Fevereiro - Olivença: A Espanha, tem Vergonha!

Janeiro - "...A Questão de Olivença Continua Actual..."

Arquivos  2006 2005  2004  &  2003

 

Arquivos 2004

Dezembro - «Compilação de Elementos para o Estudo da Questão de Olivença».

Novembro - A Questão de Olivença está pendente desde 1815: De quanto tempo mais é que precisam?

Outubro - GRAVE VIOLAÇÃO DA LIBERDADE DE EXPRESSÃO

Setembro - Grupo de Amigos de Olivença queixa-se das autoridades espanholas

Agosto - Mapas de Portugal com Olivença e Gravuras Antigas de Portugal

Julho - "Acordem Portugueses: Olivença é Nossa!"

Junho - Parlamento pede ao Governo esclarecimento da posição oficial sobre Olivença

Maio - USURPAÇÃO DE OLIVENÇA: OFENSA À CULTURA E À LÍNGUA PORTUGUESAS!

Abril - Trindade e Olivença

Março - Haverá um perigo espanhol?

Fevereiro - Olivença: Crime Contra a Humanidade!

29/Dez/2003 - 31/Jan/2004 - "OLIVENZA ES HOY EL ÚNICO TERRITÓRIO EN DISPUTA"

 

Arquivos 2003

08/Dez/2003 - 28/Dez/2003 - Sobre a Anexação de Portugal pela Espanha...

01/Dez/2003 - 07/Dez/2003 - Olivença é Portugal!

10/Nov/2003 - 30/Nov/2003 - "¿Ocupación ilegal de Olivenza?"

03/Nov/2003 - 09/Nov/2003 - Cimeira luso-espanhola

27/Out/2003 - 02/Nov/2003 - "...una cosoberanía sobre Olivenza"

20/Out/2003 - 26/Out/2003 - "Ceuta, Melilla, Gibraltar, Olivenza"

06/Out/2003 - 19/Out/2003 - PORTUGAL-SPAIN:   Olivença or Olivenza - CIA List Revives Old Border Dispute

29/Set/2003 - 05/Out/2003 - Olivença, Espanha e a CIA

22 /Set/2003 - 28/Set/2003 - Os Espanhóis é que «descongelam» Olivença

15/Set/2003 - 21/Set/2003 - A CIA Anima o Aniversário do Tratado de Alcanizes

08/Set/2003 - 14 /Set/2003 - AR: Grupo Amigos de Olivença congratula-se com referência da CIA  a "diferendo"

01/Set/2003 - 07/Set/2003 - Declarações de Martins da Cruz e as deturpações espanholas

19/Ago/2003 - 31/Ago/2003 - A Velha Ponte da Ajuda