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"Crer e Querer para Vencer"

Olivença - Portugal Livre

Movimento Patriótico

www.portugal-livre.00freehost.com

OLIVENÇA e JUROMENHA: 750 Km2 do Alentejo, Portugal, estão iligítimamente e ilegalmente ocupados e colonizados pelos espanhóis desde 1801.  Com Az(n)ar ou sem ele, ainda a Espanha insiste por uma estratégia universal de apoderar-se e desmembrar, como tentou fazer em 1807 pelo  Tratado (hispano-francês) de Fontainbleu,  todo o nosso país. 

O imperialismo castelhano de Madrid ainda está bem vivo em 2005, contradizendo a Constituição Europeia!

Notícias de Olivença Julho 2005

Agradecemos a intervenção de Carlos Luna a corrigir erro historico:

 28 Jul 2005
      
   ERRO HISTÓRICO

    No "site" LA MAYA EN OLIVENZA", buscando "SAN BENITO DE LA CONTIENDA", encontrei uma informação errada. Ei-la:

"Dicen los habitanes mas mayores de la aldea que San Benito de la Contienda, tambien conocido como "san bentu de los alayadus" que antes era portuguesa, de la iglesia hacia arriba era portugesa y hacia abajo era española, y que se juntaban todos en la iglesia portugueses y españoles, por eso la mayoria de los habitantes ancianos y no tan ancianos hablan el portugues, bueno un portugues algo mas bulgar de lo normal, aunque muy muy parecido al portugues de ahora. "

   A informação CORRECTA é que, no final do Século XIV, houve uma disputa entre os espanhóis de Alconchel e os portugueses de Olivença. A fronteira pretendida pelos de Alconchel obrigava à divisão da Igreja de SÃO BENTO ABADE entre Portugal e Castela. Os oliventinos protestaram. Em 1511, o rei D. Manuel logrou convencer os Reis Católicos de Espanha a voltarem a reconhecer a fronteira na Ribeira de Táliga, ou de Alconchel, e tudo voltou à normalidade. Uma pedra com os Escudos de Portugal e Castela foi retirada, e colocada, COMO RECORDAÇÃO, dentro da Igreja de São Bento, desde então conhecida como São Bento da Contenda (parece que também lhe chamavam "Aldeia dos Asnos"; numa quadra popular local, e para "fazer" rima, dizia-se ser São Bento "dos aleijados" (como se dizia ser São Domingos "dos Coxos"). NUNCA FOI SÃO BENTO DOS ALEIJADOS O NOME DA TERRA!!!
   Assim se faz...aliás...se desfaz... "História"...

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25 de Julho de 2005

Desplantes e Gestos Feios

Os espanhóis são treinados nos desplantes. Treinam-nos nos ruedos comtourinhas e camisas, exercitam-nos nas praças com touros e capas, etentam-nos pelo mundo vestidos de luces e com língua mesclada. Nos ruedos hárisos e exclamações, nas praças há silêncios e ovações e, no mundo, hábasbaques que se confundem com os touros. E quando a coisa se complica há
morte em todo o lado: nos ruedos, nas praças e no mundo.
Os portugueses são formados no confronto. Treinam-nos nos tentaderos comvacas e cintas, exercitam-nos nas praças com touros e barretes, e tentam-nosno mundo vestidos de Oliveira da Figueira e com a língua local. E quando acoisa se complica há confronto e abraços e quezílias e perdões em todo o
lado: nas ruas, nas praças e no mundo.


Infelizmente há alguns portugueses basbaques que manifestamente gostam deser toureados. Uns aceitam discutir um suposto “mar comum” que há quinhentosanos foi sabiamente dividido entre portugueses e espanhóis. Outros anseiampor receber com palmas e ovações os representantes máximos dessa genteestranha que nos visita pela mão do Presidente da República enquanto os seus
representados nos querem roubar o mar que nos vai na alma.
O conceito de “Mar comum” é uma afronta com adornos de aldrabice. Primeiroporque surge no seguimento do chumbo da constituição europeia que previaexactamente a criação desse mar comum. E como foi derrotado aparece-nos
agora pelos principais interessados chamando comum àquilo que não o é. Segundo porque a designação de comum se traduz normalmente em balda e emdelapidação dos recursos existentes. É assim que se refere a conhecida“tragédia dos comum” que leva à degradação de todos os recursos que não têm
dono.


A visita dos Reis de Espanha aos Açores quando os pescadores das ilhas estãoem guerra latente com os pescadores espanhóis que invadiram as águas doArquipélago, e ao mesmo tempo que se brinca com o “Mar Comum” ou com a“Gestão dos Recursos do Mar geridos exclusivamente por Bruxelas” do projectomorto de constituição europeia, é um desplante que importa traduzir em
afronta. Temos muito gosto em que venham a nossa casa e que provem do nossopeixe pescado no nosso mar. O que não podemos admitir é que nos pisem aterra enquanto os seus representados nos roubam o mar.Podem vir mascarados de traje de luces ou com a categoria que de facto têmde reis e rainhas. O que importa é o gesto. E o gesto é feio.

Tomás Dentinho

*

 09 Jul 2005
      
"ARGUMENTOS POUCO SÉRIOS"

    O mês de Junho de 2005 fica marcada pela aparição à venda de mais um livro sobre a Questão de Olivença. O seu título é "Olivenza, las razones de España", e o seu autor é Luis Alfonso Limpo Píriz, bibliotecário na localidade.
    Trata-se de um livro favorável aos argumentos de Madrid, que pedirá uma análise cuidada, impossível de concretizar para já. Todavia, o livro apresenta um prólogo/introdução de quatro páginas, assinadas por um intelectual de relevância, de nome Juan García Gutiérrez (JGG). Neste texto, há algumas afirmações de imediato polémicas e pouco consistentes, que merecem alguns reparos.
    Lê-se (páginas 14 e 15) no mesmo, e traduzindo, "...nesse longo período de História que vai do Tratado de Alcañices (1297) ao de Badajoz (1801), Olivença não esteve de forma ininterrupta sob domínio português; desde 1580 com Filipe II até 1640 com o neto deste, Filipe IV, foi Portugal inteiro que esteve debaixo de domínio espanhol; e ainda foi ocasionalmente que Olivença foi retomada depois da segunda dessas datas, quando em 1658 um destacamento vindo de Badajoz a voltou a ocupar, ainda que por pouco tempo. O ocaso dos Áustrias com Carlos II fez com que a praça voltasse a mãos portuguesas, até à sua definitiva incorporação em Espanha pelo Tratado de Badajoz."
    Há que interromper aqui a transcrição, e fazer desde já alguns comentários. JGG confunde os desejos com a realidade. Olivença foi portuguesa sem discussões a partir de 1297, e só esteve ocupada episodicamente por Espanha durante algumas guerras, tal como sucedeu com outras praças, e tal como Portugal também ocupou praças espanholas. O argumento, no que toca ao período de 1580-1640, é confrangedor. Portugal esteve unido à Coroa Espanhola, Olivença como todas as outras localidades lusas. Sempre como parte do Reino de Portugal... ao ponto de ter sido uma das localidades alentejanas a revoltar-se em 1637/38. E, se em 1658 esteve ocupada por Madrid (até 1668), é um facto histórico que toda a sua população, salvo trinta pessoas, resolveu refugiar-se noutras localidades portuguesas, regressando só em 1668, quando a praça voltou para Portugal. E isto quando não se podia ainda falar do ocaso dos Áustrias, que só se deu de facto em 1700. Estamos perante 504 anos de presença portuguesa...mesmo porque em 1658 Olivença foi considerada como parte do Reino de PORTUGAL, recuperada para a administração da coroa espanhola.
    Não resisto a recordar que Gibraltar só veio para a Coroa Castelhana, por conquista aos muçulmanos, em 1462, ainda que em 1309 tenha sido conquistada pela mesma, mas perdida logo a seguir. Tendo sido ocupada pela Grã-Bretanha em 1704, e cedida à mesma no Tratado de Utrecht em 1713-14, só esteve integrada em Castela/Espanha durante 242 anos. A História tem ironias divertidas.
    Regressando ao texto que se pretende analisar, JGG dedica um parágrafo a referir outros aspectos, principalmente a ocupação de território espanhol por Portugal no início do século XIX, em parte decorrente da Guerra de 1801. Esquece que tal situação não foi citada em nenhum tratado da época, e que a ocupação do actual Uruguay, um pouco mais tarde, decorre já de nova Guerra, em que a França napoleónica invade, com Espanha, o território português. Mais, Portugal persistiu nessa ocupação principalmente para obrigar Madrid a devolver Olivença, conforme o estabelecido no Congresso de Viena de 1815.O exército espanhol que, com o acordo português, se preparava, em 1820, para ir tomar conta do Uruguay, revoltou-se e proclamou o primeiro Regime Liberal em Espanha...coisa  com que Portugal nada teve a vêr. De qualquer forma, tendo a Espanha reconhecido a independência de todos os novos países da América Latina nas décadas de 1820 e 1830, evidente é que prescindiu de recuperar qualquer território na região.
    O parágrafo seguinte, já na página 15, merece ser reproduzido na íntegra (traduzido):"...o assunto de Olivença não admite paralelo com o de Gibraltar; este sim, que foi uma rapina, um acto de pirataria perpretrado pela (pre)potência marítima que na época foi significativamente denominada "pérfida Albión"; o (assunto) de Olivença foi, antes de mais, como já o afirmámos, uma questão de família em torno de uma herdade que esteve alternadamente nas mãos de um ou outro dos pleitantes; o argumento geográfico dos limites naturais (cordilheiras, rios, lagos) esteve sempre a favor de Espanha."
    Eis talvez os argumentos mais desprovido de lógica, pelo menos de lógica actual, digna dos tempos que correm. Começo pelo segundo (o geográfico), pois talvez seja mais simples. De facto, por uma questão de lógica geográfica, mudar-se-iam muitas fronteiras, pois os seres humanos não se dispõem segundo regras lógicas matemáticas. Portugal teria de entregar Barrancos a Espanha, mas esta teria de entregar Cedillo a Portugal. Haveria inúmeras "transacções" deste género. Ceuta e Melilla passariam de imediato para Marrocos, e Llivia, localidade espanhola isolada, seria desde logo entregue à França. Prosseguir neste caminho é inútil.
   O primeiro dos argumentos é, todavia, o mais curioso...infelizmente, o mais "chocante" também. Parte do princípio de que há conquistadores com boas intenções (os espanhóis), e outros preversos (os ingleses, claro! ). É a visão histórica (?) própria dos finais do século XIX e princípios do século XX, em que cada povo via em si quase só virtudes, e nos outros quase só maldade. Tudo o que corria mal a um país era culpa sempre de acções de outros países. Sabe-se o que tal significou nas dolorosas experiências ditatorias e nas políticas militaristas em que o século XX foi fértil.
    Podemos mesmo examinar este argumento(?) noutras vertentes! Por exemplo, o colonialismo francês dizia-se respeitador dos direitos dos cidadãos, o britânico respeitador de estruturas locais, o holandês tolerante. Do colonialismo português, dizia-se ser assimilador, e até dado a miscigenações. Do espanhol, dizia cristianizador, e orientado por princípios em conformidade.
    Todavia, todos despertaram nos colonizados (talvez ingratos)  desejos de independência. E diz-nos a História que todos estes colonialismos usaram processos eticamente muito reprováveis.
    Defender que há conquistadores, ou colonizadores, cujos comportamentos são mais aceitáveis do que outros é sempre legitimar algum tipo de conquista. Faz-me recordar a publicidade, quando cada marca de detergente apregoa que o seu produto "lava mais limpo".
    Talvez não seja má idéia, aqui, prosseguir com mais uma transcrição/tradução, a última, pois, pela extensão do original, será descabido, num texto como este, tudo reproduzir. E esta última transcrição afirma que "...Olivença está plenamente inserida em Espanha e isto torna utópica qualquer tentativa de retrocessão a Portugal; não é realista pretender, nesta altura, que a situação mude; não é igual o caso de Gibraltar(...); aqui, sim, verifica-se uma sobrevivência residual de colonialismo, cem por cento anacrónica."
    Portanto, uma ocupação de 300 anos (Gibraltar) não legitima nada. Uma ocupação de 200 anos (Olivença) legitima a manutenção de uma situação de legitimidade duvidosa. No segundo caso, é utópica uma retrocessão; no primeiro, não é. Olivença está plenamente integrada, enquanto Gibraltar é administrativamente uma colónia, situação anacrónica. O facto de a despersonalização histórica e cultural em Olivença ter seguido todas as normas de um colonialismo clássico ( e pouco importa aqui como a potência administrante resolveu, em termos oficiais, denominar a sua forma de administração ) não parece impressionar JGG. Muito menos que os gibraltinos, por duas vezes, uma já no Século XXI, tenham votado a favor ( e por 99%!!!) do seu estatudo de "pobres" colonizados. Claro, dir-se-á que os gibraltinos têm sido desinformados. Esquece-se que também os oliventinos...cuja História que lhes tem sido ministrada, a julgar desde já pelos exemplos referidos neste preciso texto, mais não é que u
ma campanha de propagando pró-espanhola ( numa perspectiva pouco científica ), como se poderá  verificar por um inquérito independente sobre "verdades históricas" junto dos mesmos.
    Do ponto de vista humano, tais análises pseudo-históricas têm explicação. Mas já aqui se referiu como partem de argumentos quase inteiramente falsos.Por isso, quase nada têm a ver com os factos tal como eles se produziram. E muito menos têm a ver com a moderna Ciência Histórica!
    Qualquer debate sério sobre a Questão de Olivença não pode assentar neste pipo de preconceitos. Aliás, nenhum debate sobre coisa nenhuma...
     Estremoz, 06 de Julho de 2005     Carlos Eduardo da Cruz Luna  

*

CURIOSIDADE!

 Enquanto o desafortunado Ministro do Ambiente, Nunes Correia, presta vassalagem ao Estado espanhol e prejudica todos os portugueses, é oportuno ler a artigo que segue e fazer as suas conclusões.

07/Jul/1995

Grupo dos Amigos de Olivença

Comunicado à Imprensa

Alerta - O Plano Hidrológico Espanhol e o problema fronteiriço de Olivença

Chegaram ao conhecimento do Grupo dos Amigos de Olivença vários rumores, segundo os quais o Governo Espanhol iria propor, ao Estado Português, a retrocessão do Território de Olivença, exigindo, como contrapartida, cedências na posição portuguesa no âmbito das negociações que estão a decorrer sobre os rios ibéricos.

Procurando indagar da veracidade de tais informações, o Grupo dos Amigos de Olivença efectuou várias diligências junto do Ministério dos Negócios Estrangeiros e do Ministério do Ambiente e Recursos Naturais, sem que, até ao momento, nos fossem prestados quaisquer esclarecimentos. Dada a superior importância do assunto, o Grupo dos Amigos de Olivença estabeleceu contactos com as principais organizações ambientalistas e com algumas personalidades da Assembleia da República.

Não obstante todas as nossas iniciativas, que se pautaram pela total prudência e absoluta discrição, como o caso requeria, pouco avançámos na indagação da verdade. Assim sendo, continuamos a ignorar a veracidade dos rumores que chegaram até nós, desconhecendo se, sendo verdadeiros, o Governo Espanhol formalizou já tal proposta junto das autoridades portuguesas. Em face do silêncio generalizado que sobre este problema se abateu e atendendo à extrema gravidade dos informes por nós conhecidos, sentimos a obrigação moral de alertar a opinião pública portuguesa para esta dilacerante preocupação que nos vem atormentando e que julgamos imperioso divulgar, de forma a que a consciência colectiva dos cidadãos portugueses actue no sentido de incrementar a proficiência negocial daqueles que de nós dependem como detentores de um poder popularmente sufragado.

Sendo indubitável que atribuímos à retrocessão do Território de Olivença uma importância incomensurável, razão de ser primordial da nossa organização, é opinião do Grupo dos Amigos de Olivença que os interesses vitais representados pelos recursos hídricos exigem uma determinação e tenacidade que impeça a nossa diplomacia de cair numa urdidura, lançada pela Espanha, que se revestirá, no futuro, de incalculáveis prejuízos para a perpetuidade da Nação Portuguesa.

O desejo de reavermos Olivença, sucessivamente reafirmado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, ainda que sem o conhecimento da generalidade dos portugueses, não pode ofuscar e muito menos comprometer a garantia de que a Nação Portuguesa possa gozar dos recursos imprescindíveis à sua continuidade. Conforme fizemos saber ao Ministro dos Negócios Estrangeiros, «as limitações negociais portuguesas para fazer face às pretensões hidrológicas espanholas jamais poderão conduzir à aceitação de uma proposta tão aberrante. O Território de Olivença, ainda que importante do ponto de vista simbólico, não pode servir de contrapartida para um projecto tão tenebroso para o futuro do nosso país. Em circunstância alguma o estado português poderá aceitar uma proposta tão absurda, mesmo para fugir à incapacidade de defrontar uma Espanha poderosa e pronta para levar avante o seu plano hidrológico.»

Acresce a isto o facto indesmentível de Olivença constituir Terra Portuguesa à luz do Direito Internacional, situação que a Espanha reconheceu através dos diversos compromissos que connosco assinou. Sendo português por direito, porque haveríamos de negociar algo que de um modo inalienável nos pertence? Não queremos ver repetida a humilhante situação do Tratado de Saragoça, pelo qual tivemos de adquirir, por avultada soma, os territórios asiáticos que legalmente nos cabiam pelo Tratado de Tordesilhas. Há muito a Espanha nos habituou ao incumprimento dos compromissos a que se deveria submeter, como vem fazendo continuadamente no que aos recursos hídricos concerne. Olivença é, pois, inegociável! A confirmarem-se os rumores que nos vêm assaltando, a proposta espanhola afigura-se-nos inteiramente inaceitável. Mas, pelo menos, constitui a prova insofismável de que, não tendo nenhum argumento que legitime a sua ilegal ocupação sobre o Território de Olivença, mantém cativa aquela terra alentejana como moeda de troca pronta a negociar por qualquer vantagem, seja na questão do Plano Hidrológico Espanhol, seja futuramente se o Governo do Reino Unido aceitar restituir Gibraltar.

A estratégia dos factos consumados seguida pela Espanha, aliada ao enfraquecimento da nossa postura face ao país vizinho, não podem impedir o Estado Português de optar por uma acção firme e determinada na defesa do interesse nacional. É tempo de a Espanha enveredar pela nossa linha de cumprimento escrupuloso dos acordos internacionais e de Portugal imitar o país vizinho no hábito da defesa intransigente das conveniências da Nação. Esperamos que os orgãos competentes do Estado se elevem à altura dos desígnios do Povo Português e não permitam que oito séculos de história se esfumem, em breves dias, por inépcia e pusilanimidade daqueles a quem se exige um esforço hercúleo em defesa da Pátria Portuguesa e muito especialmente dos recursos do Sagrado Solo Português.

Lisboa, 7 de Julho de 1995.
O Presidente da Junta Directiva
Nuno de Oliveira

 

"BREVES"

30/jul/2005

80 anos depois...



“Desfeitos na poalha álgida da sepultura, nós proclamaremos ainda a revivescência admirável da Grey no sacrifício em que os nossos anos ardentemente se consumirem. É Castela quem o afirma, é Calderon de la Barca quem o afiança. Tão fundo o insigne dramaturgo lera na nossa fereza de povo livre que no Príncipe Constante obrigou o castelhano vernáculo de seiscentos a ceder diante de um verso seu moldado em pura língua de Camões. Esse verso, meus Senhores, somos todos nós – é toda a Pátria amada que estremecemos. Ele, o verso de maravilha, reconhece as razões invencíveis que sustentam Portugal de pé, por muito que os vendavais se desencadeiem sobre as nossas cabeças, como outrora em cima das casquinhas de noz em que dávamos a volta à Esfera. Ele, o verso formidável, reconhece o direito sagrado de Portugal a ser senhor dos seus caminhos e manter-se com honra na assembleia das nações. Saiba-se de cor o verso vingador – o verso como o qual outro não há, bradando tão alto a nossa vitalidade de assombro! A Pátria não morrerá, meus Senhores! E não morrerá, porque nós somos tais – lá diz Calderon de la Barca: Que ainda mortos, somos portugueses."

António Sardinha (Monforte 9 de Setembro 1887 - Elvas 10 de Janeiro1925)

Outras excelentes evocações da figura e da obra de António Sardinha foram feitas pelo Último Reduto, Santos da Casa, O Sexo dos Anjos (que tem escrito bastante sobre o tema) e claro no Unica Semper Avis.

Luís Tirapicos Nunes

http://geraldosempavor.blogspot.com/2005

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GALIZA - "Dia da Pátria" - 25 Julho 2005

Hoje, data do nascimento de D. Afonso Henriques ou D. Afonso I (25 de Julho de 1109 - 6 de
Dezembro de 1185), o primeiro Rei de Portugal.

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21/July/2005

The following account might help readers to understand why there still exists to this day such a deep rooted problem of distrust between the people Portugal towards Spain:

"Now when King Sebastian was come to the age of 4 and 20 years, the said King Sebastian at last determined to push into Africa with a great and powerful army.....and for the better accomplishment thereof he prayed his uncle King Philip of Castile to vouchsafe some aid unto him in that behalf. The King of Castile (Philip II), granting his petition, promised to aid him with 50 galleys well appointed and furnished and 4,000 armed soldiers.

King Sebastian trusting thereunto, with all care and dilligence prepared his army, wherewith in the month of June 1578 he departed from Lisbon....But the King of Castile... ..not only denied his promise but also (that is far worse) caused a proclamation to be made.....whereby all his subjects were commanded upon great penalties that none of them should accompany King Sebastian in that voyage, whereof certainly there can be no other conjecture be gathered, saving only that the King of Castile, by his unmeasurable ambition and insatiable desire to have dominion, neither coveted nor hoped for any other thing that only that the young Prince King (sic) Sebastian his nephew, for want of sufficient force, should be overthrown and come to destruction in the same journey, so as thereupon the said King of Castile might by that means have opportunity to join the Kingdom of Portugal to his Kingdom of Castile or so it came to pass."

Source: Dutch documents and also found in: "Spain 1474 - 1598", by Jocelyn Hunt, published 2001, and quoted in Geoffrey Woodward's "Spain in the Reign of Ferdinand & Isabella", published 1997, page 106.

Rui A.M. da Silva

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"HOY", Badajoz   08-Julho-2005

«DISPUTAS COMO LAS DE OLIVENZA NO TIENEN NINGÚN SENTIDO».

.....

El escritor y periodista Jesús Maqueda pronunció una conferencia sobre las relaciones entreEspaña y Portugal, concretamente en lo que se refiere a las comarcas raianas. Aunque Maqueda aseguró que su visión sobre las relaciones hispanolusas es completamente subjetiva, defendió la idea de que las comarcas raianas extremeñas carecen de
problemas graves y según él, «DISPUTAS COMO LAS DE OLIVENZA NO TIENEN NINGÚN SENTIDO». Mostró una visión de La Raya basada en su propia experiencia donde expuso, a través de diapositivas, el casi centenar de fotografías que él mismo realizó durante su viaje.

.....

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06 Jul 2005

"La margen española del lago de Alqueva"

http://www.comarcadeolivenza.com/

breves/detalles_titular.php?id=264

"..patrimonio histórico del espacio español.."

.....

"Exponer y discutir las actuaciones llevadas a cabo como plan de minimización de impactos en el medio ambiente y patrimonio histórico del espacio español ocupado por la presa del Alqueva."

.....

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04 Jul 2005

Espanha desvia água do Rio Tejo

Manuel Moreira

Seca: ministro do Ambiente minimiza efeitos do transvase em Portugal

http://www.correiodamanha.pt/noticia.asp?
id=165348&idselect=10&idCanal=10&p=94

A Espanha vai tirar ao Tejo 82 milhões de metros cúbicos de água (82 mil milhões de litros) . O desvio será feito na região de Castela-La Mancha e a água encaminhada para o Rio Segura, em Múrcia, no Sul. O caudal desviado ao Tejo dava para abastecer durante um ano o Barlavento algarvio - cujo consumo ronda os 75 milhões de metros cúbicos anuais.
 
A decisão do Governo espanhol deixou os ambientalistas portugueses em estado de alerta.

O presidente da associação Quercus, Hélder Spínola, afirmou ao Correio da Manhã que "mesmo garantindo o caudal mínimo do Tejo à entrada de Portugal, a Espanha retira recursos àquela bacia ao
permitir a trasfega". O ambientalista recomendou ao Governo português que se mantenha atento.

O ministro do Ambiente, Nunes Correia, minimizou o impacto do transvase, notando, ontem à saída de um debate na Assembleia da República, que faz parte dos acordos entre os dois países ibéricos. "Temos de aceitá-lo como um direito da Espanha. Vivemos um
período de seca muito grave, mas a Espanha também", sublinhou.

O ministro garantiu que esta transferência de água -em termos que serão definidos na quarta-feira - não vai prejudicar Portugal nem o caudal do rio Tejo. Informado antes acerca do transvase, Nunes
Correia recordou que Portugal exige do país vizinho a manutenção de caudais mínimos dos rios internacionais e está "vigilante", medindo-os à entrada em território nacional.

.....

EXPRESSO; GUIA ("Expresso") de PORTUGAL, vol. 3, Alto Alentejo, 02-Julho-2005

.....

O TEXTO propriamente dito "fala" do Alandroal, de Juromenha (nunca afirmando que fazem fronteira com Espanha), da Ponte da Ajuda, de Olivença, e do Museu do Café. O texto sobre a Ponte da Ajuda reza o seguinte:

 "Parcialmente destruída em 1801 pelo exército espanhol (ERRO!) durante a Guerra das Laranjas, contrbuíu PARA A ANEXAÇÃO ILÍCITA DE OLIVENÇA por parte do Governo de Madrid. Classificada como monumento nacional, foi semi-reconstruída recentemente pelos espanhóis que entretanto NÃO RESPEITARAM os termos do protocolo assinado por ambos os países com vista à sua recuperação para utilização restrita. A passagem de carro faz-se agora pela nova ponte, CONSTRUÍDA E PAGA INTEGRALMENTE PELO ESTADO PORTUGUÊS."


    O TEXTO SOBRE OLIVENÇA é do seguinte teor: "Antigo município do Alentejo USURPADO POR ESPANHA é, na sua monumentalidade histórica e na forma de viver, totalmente semelhante a outras LOCALIDADES FRONTEIRIÇAS PORTUGUESAS DA ZONA RAIANA. Até o melhor da sua gastronomia passa pelos PRATOS ALENTEJANOS. Pontos de interesse a visitar são o Paseo de Portugal, o castelo mandado levantar por D. João II (ERRADO EM PARTE!!!) e cuja Torre de Menagem tem 37 metros, e a Igreja de St.ª Maria Madalena, que foi sede do Bispado de Ceuta entre 1502 e 1532. Veja ainda os vários baluartes sobejantes das defesas seiscentistas e empreenda a retirada tomando a estrada que leva a Badajoz, sem se esquecer que os oliventinos tiraram largos proveitos do contrabando durante a Guerra Civil de Espanha e a II Guerra Mundial."

Fonte: Carlos Luna

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Blogs sobre  Olivença

http://porolivenca.blogs.sapo..pt/

 Miguel Roque


http://olivenca.blogspot.com/

 Shadows Stars (Doctor Z)

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Outras Notícias/Other News

 

 NESTE MES DE Julho/THIS MONTH in July.......

Vila Real Pertence a Portugal

Territórios Portugueses de Olivença e Vila Real (Alandroal) Ilegalmente Ocupados pela Espanha

Click to enlarge

Alegação Histórico-Jurídica sobre a localização da Ponte de N.ª Sr.ª da Ajuda entre os concelhos de Elvas e do Alandroal e não entre Elvas e Olivença, como erradamente se vem pensando

1 de Julho de 2001 - Mário Rodrigues

1. - Erradamente, vem-se julgando que a Ponte de N.ª Sr.ª da Ajuda - hoje muitas vezes designada apenas por "Ponte da Ajuda" e no passado chamada "Ponte de Olivença" - se situa entre os concelhos de Elvas e de Olivença.

2. - Tal erro, longe de ter apenas um significado meramente histórico, tem graves consequências políticas e jurídicas, em especial, por causa do atribulado processo diplomático de negociações luso-espanholas para a reconstrução daquele imóvel e para a construção da nova ponte situada a jusante daquela.

O esclarecimento deste equívoco é ainda mais relevante atendendo às graves implicações políticas, diplomáticas e eventualmente judiciais da cedência à Espanha do direito de proceder à reconstrução do imóvel, ocorrida em 12 de Janeiro de 2000, na Comissão Técnica Mista entre Portugal e Espanha para as Acessibilidades ao Sul do Douro.

3. - Não oferece dúvidas a ninguém que a obstinação da Espanha em reconstruir a Ponte de N.ª Sr.ª da Ajuda longe de se traduzir num gesto altruísta de dispêndio de várias centenas de milhares de contos num imóvel classificado pelo Estado português, visa essencialmente objectivos diplomáticos de afirmação da sua soberania sobre o território de Olivença e de reconhecimento internacional, pelo Estado português, da sua supremacia de facto de modo a transformá-la em soberania de direito.

E a justificação para a Espanha pretender realizar o pretendido empreendimento funda-se no erro ou no embuste de se julgar que o Guadiana serve de limite entre os concelhos de Elvas e de Olivença no preciso local onde está erguida a ponte.

4. Esse erro resulta, por um lado, do desconhecimento histórico de que a aldeia de Vila Real pertencia em 1801 a Juromenha, e por outro, da ignorância do que estabeleceu o Art.º III do Tratado de Badajoz desse ano relativamente à parte do território de Juromenha situado na margem esquerda do Guadiana.

5. A aldeia de Vila Real, situada na margem esquerda do Guadiana, hoje anexada a Olivença, fazia parte em 1801 - data da ocupação espanhola - do termo de Juromenha, povoação localizada na margem direita deste rio.

São inúmeros os documentos que o provam. Basta citar o Diccionario Geographico, do Pe. Luís Cardoso, que, referindo-se a Juromenha, diz: "Tem Esta Vila Seu termo, e nele (da outra parte do Rio) huma Aldea, chamada á de Vila Real" (Arquivo Nacional da Torre do Tombo - Vol. 18, N.º 48, pág. 311).

6. Deste modo, o limite entre Olivença e Juromenha não se fazia pelo Guadiana, mas por uma linha terrestre, situada algures entre a aldeia de Vila Real e a vila de Olivença. O Guadiana servia de limite a Olivença apenas num pequeno troço situada a norte da foz da ribeira de Alconchel (Vide Apêndice Documental, Doc. 6).

7. Quando em 1801, pelo Tratado de Badajoz de 6 de Junho, Portugal cedeu Olivença ao Estado espanhol, excluiu dessa cessão a parte do termo de Juromenha situado na margem esquerda de Olivença.

O Art.º III estabelecia expressamente que Sua Majestade Católica "conservará em qualidade de conquista para a unir perpetuamente aos seus dominios e vassallos, a Praça de Olivença, seu territorio e povos desde o Guadiana; de sorte que este rio seja o limite dos respectivos Reinos, n'aquella parte que unicamente toca ao sobredito territorio de Olivença" (Borges de Castro, Colecção dos Tratados, T. IV, pág. 130).

Pois, o Guadiana não seria o limite entre os dois reinos - Portugal e Espanha - junto a Juromenha mas apenas no pequeno troço do rio que servia de limite ao termo de Olivença, e que ia desde a ribeira de Alconchel até ao monte de Abegões (Vide Apêndice Documental, Doc. 6).

A Espanha tinha, assim, de restituir a aldeia de Vila Real. O mesmo artigo estabelecia, expressamente, a obrigação de a Espanha restituir a praça e povoação de Juromenha "com todos os seus territórios" até esse momento conquistados ou que viesse a conquistar (Vide Apêndice Documental, Doc. 1). Tanto as autoridades políticas como as eclesiásticas protestaram, a partir de 1802, contra a anexação da aldeia de Vila Real realizada em violação do próprio Tratado de Badajoz (Vide Apêndice Documental, Doc. 2). Mas, até hoje, a povoação e o seu território continuam sob administração espanhola. A Espanha que, contra a posição oficial do Estado português, considera válido o Tratado de Badajoz, terá de respeitar o que o Art.º III estabeleceu, devolvendo, pelo menos, a aldeia de Vila Real e todo o território que lhe pertence.

8. - Não resta qualquer dúvida de que uma parte do actual território do "Ayuntamiento de Olivenza" pertence histórica e juridicamente a Juromenha, a qual, de acordo com a actual divisão administrativa portuguesa, faz parte, consequentemente, do concelho do Alandroal. Dúvida poderia existir quanto ao exacto limite da aldeia de Vila Real.

Especificamente para o que aqui nos interessa, o importante é saber se a Ponte de N.ª Sr.ª da Ajuda se situa entre o termo de Elvas e o termo de Olivença ou entre o termo de Elvas e o termo de Juromenha. A dúvida que a investigação historiográfica nos suscitou prende-se com a seguinte questão: Malpica de Portugal, situada junto à Ponte de N.ª Sr.ª da Ajuda, na margem esquerda do Guadiana, fazia parte de Vila Real ou de Olivença?

Da resposta a esta questão ficará a saber-se entre que concelhos se situa a ponte.

9. Quando Portugal protestou contra a anexação de Vila Real ao termo de Olivença, as autoridades espanholas procederam à investigação do caso. E tiveram de concluir que a aldeia de Vila Real pertencia efectivamente a Juromenha, pelo que deveria ter sido devolvida a Portugal. Um mapa elaborado em 29 de Janeiro de 1802, existente no Servicio Historico Militar, em Madrid, não deixa dúvida quanto à reivindicação portuguesa. Mas, não esclarece suficientemente bem se a ponte se situa entre Elvas e Olivença ou entre Elvas e Juromenha, já que o limite dos termos de Olivença e de Juromenha é, nesse mapa, estabelecido pela estrada que conduz à ponte (Vide Apêndice Documental, Doc. 3).

10. A resposta às dúvidas que subsistiriam exigia uma investigação apurada. A solução é-nos dada por um historiador residente em Olivença, de origem espanhola, cuja isenção, honestidade e competência não é por ninguém posta em causa: Miguel Ángel Vallecillo Teodoro.

A partir da investigação de diversa documentação, designadamente registos notariais e o Livro da Fábrica da Igreja de N.ª Sr.ª da Assunção de Vila Real, Vallecillo Teodoro concluiu que tanto Malpica de Portugal como Joana Castanha, dois montes situados a caminho de quem vai da Ponte de N.ª Sr.ª da Ajuda para Olivença, pertenciam à aldeia de Vila Real (Vide Apêndice Documental, Doc. 4).

Assim sendo, a Ponte de N.ª Sr.ª da Ajuda, no seu lado poente situa-se no termo de Elvas, enquanto no seu lado nascente se situa no antigo termo de Juromenha, hoje pertencente ao concelho do Alandroal.

11. Considerando a Espanha que o Tratado de Badajoz é válido, a aldeia de Vila Real e o seu território pertencem juridicamente ao actual concelho do Alandroal.

A Ponte de N.ª Sr.ª da Ajuda situa-se indiscutivelmente entre dois concelhos portugueses - Elvas e Alandroal - pelo que nenhuma justificação pode existir para que a Espanha pretenda reconstruir um imóvel situado dentro do território nacional.

12. O Instituto Geográfico do Exército, que na sua cartografia segue com rigor os tratados de limites vigentes entre Portugal e Espanha e que tem acesso a boa informação histórica, não tem deixado de representar a aldeia de Vila Real como portuguesa, ainda que cometa o exagero de integrar o território a sul do monte Abegões dentro do território do Alandroal quando historicamente pertencia a Olivença (Vide Apêndice Documental, Doc. 5 e Doc. 6).

13. Do que se expôs, nem sequer é necessário alegar que Olivença seja território juridicamente português para impedir a Espanha de reconstruir a Ponte de N.ª Sr.ª da Ajuda. Nem o "Ayuntamiento de Olivenza" nem o Estado espanhol possuem qualquer fundamento para pretender reconstruir a referida ponte.

Apêndice Documental

Doc. 1 - Tratado de Badajoz de 6 de Junho de 1801 (Borges de Castro, Colecção dos Tratados, T. IV, pág. 130).

Doc. 2 - Excertos da obra "Compilação de Elementos para o Estudo da Questão de Olivença", do Embaixador Luiz Teixeira de Sampayo.

Doc. 3 - Mapa elaborado em 29 de Janeiro de 1802, existente no Servicio Historico Militar, em Madrid, representando a aldeia de Vila Real como parte do termo de Juromenha (Cópia extraída do Arquivo Municipal de Olivença - Leg../Carp.: 29/4)

Doc. 4 - Excertos da obra "Olivenza en su Historia", Miguel Ángel Vallecillo Teodoro.

Doc. 5 - Excerto do Mapa das Estradas do Instituto Geográfico do Exército (2000), representando a aldeia de Vila Real como portuguesa.

Doc. 6 - Esboço cartográfico do território de VilaReal/Juromenha/Alandroal situado na margem esquerda do Guadiana.

3/Jul/2002

Fui à Igreja mas não Comunguei

O feiticeiro de Madri deslumbrou a sua audiencia dando uma espontanea ostentação de surdo e mudo. Isto como os americanos confiantes afirmam: "Recuso a dizer qualquer coisa que me possa incriminar". E talvez no entendimento dos mais simples na UE "Não digo nada para que mais tarde não me chamarem mentiroso!".

Mas que lamentável que haja alguns ainda que não acreditam no feiticeiro e não o adoram, mesmo que seja realmente "uma personalidade estranha". Ele então não tem um sorriso que já encantou os nossos corajosos e valentes líderes, Gutierrez e Durán?

Apenas alguns dias antes os Guardas do feiticeiro tinham tão fácilmente frustrado aqueles que tentaram passar a fronteira portuguesa, dando-lhe umas pancadinhas aos seus queridos irmãozitos para darem-lhe a perceber que tanto os "quiere". Não ouviram claramente o magnífico feiticeiro oferecer um "lamento" do acontecimento?

Então, em Bruxelas no dia 2 de Julho houve uns portugueses que se oposeram e ousaram estragar o dia último do poder sobre a UE do feiticeiro, o provocando e picando com perguntas inconvenientes. O sábio feiticeiro soube pretender que eles não existiam...

Por sua parte os governantes da nossa ilustre nação seguem prostrados no chão, medrosos perante tão poderosa personagem, gemendo a sua gratidão pelo magnanimo "lamento". E sem nenhuma vergonha, de consciencia dos anjos o líder do nosso país parece anunciar a todo o mundo: Está tudo bem. Fui a Igreja mas não Comunguei!

Vamos Portugueses! Livramo-nos desta podridão de feitices que já chega até os céus! Levantando uma voz única e bem forte gritamos: "Portugal Livre e Unido Será Sempre Defendido".

Rui A.M. da Silva


 

4/Jul/2002 - ExpressoOnline

EP Raps Spanish Police Action over Incidents at Portuguese-Spanish Border

The European Parliament (EP) condemned today, in Strasbourg, the action by the Spanish police authorities who stopped a Portuguese group from going on to Seville, on 22 June. to join the free manifestations, in keeping with the European Council.

The EP "condemns the actions by the Spanish authorities who prevented a group of Portuguese citizens, including a member of Parliament from crossing the border to take part in an authorized demonstration in Seville, in keeping with the European Council", the document reads.

"The action is contrary to the principles of fundamental liberty expressed in the Treaty and which are essential elements of European citizenship", it adds.

The issue came about as a result of several clarification requests by the Socialist MP Carlos Lage and the Communist MP Ilda Figueiredo, who succeeded in directly challenging the Spanish Prime Primister, José Maria Aznar, and the EP President, Pat Cox, during the debate on the outcome of the Spanish Presidency of the European Union (EU), which took place on Tuesday.

Explanatory requests were also aimed at the Spanish PM by the the President of the European Socialist Party Group, Enrique Barón Crespo, and by the Representative of the European Unitary Leftist Group, Salvador Jové Peres, without receiving a single reply.

Comment:The decision by the Spanish PM has only served to justify Portuguese claims that the Spanish government through its Guardia Civil, took unprovoked and illegal action towards Portuguese citizens, including physical assault against one Portuguese MP, which caused uproar in Portugal, and strong press criticism. The Portuguese government of Durão Barroso has also not escaped huge political and public criticism for its conciliatory stance, because of its so-called "good Spanish-Portuguese relations". - Rui da Silva

4/Jul/2002 - ExpressoOnline

Incidentes na Fronteira Luso-espanhola
PE Reprova Acção Policial espanhola

Olivença Bullring

O Parlamento Europeu (PE) condenou hoje, em Estrasburgo, a acção das autoridades policiais espanholas que impediram um grupo de portugueses de se manifestar livremente em Sevilha, à margem do Conselho Europeu, a 22 de Junho.

O PE «condena as acções das autoridades espanholas que impediram um grupo de cidadãos portugueses, incluindo um deputado nacional, de atravessar a fronteira para participar numa manifestação autorizada em Sevilha, à margem do Conselho Europeu», pode ler-se no documento.

«A acção contraria os princípios e as liberdades fundamentais consagradas no Tratado e que são elementos essenciais da cidadania europeia», refere ainda.

O assunto foi alvo de vários pedidos de esclarecimento do deputado socialista Carlos Lage e da deputada comunista Ilda Figueiredo, que chegou a interpelar directamente o primeiro ministro de Espanha, José Maria Aznar, e o presidente do Parlamento Europeu, Pat Cox, durante o debate sobre o balanço da presidência espanhola da União Europeia (UE), realizado terça-feira.

Pedidos de explicações foram ainda dirigidos ao primeiro-ministro espanhol pelo presidente do Grupo do Partido Socialista Europeu, Enrique Barón Crespo, e pelo deputado do Grupo da Esquerda Unitária Europeia, Salvador Jové Peres, sem qualquer resposta.

Opinião - 04 de Julho de 2002

A Questão de Olivença

Vem-se escrevendo ultimamente com maior atenção, infelizmente ainda insuficiente para explicar à opinião pública portuguesa o seu real significado, a propósito de Olivença.

António João Teixeira Marques

Colaborador

Afinal, conhecer a Questão de Olivença é, também, um modo de abordar e entender a «Questão de Portugal». A ignorância sobre a usurpação de Olivença e suas implicações internas e externas tem arrimo na falta de amor-próprio e auto-estima dos portugueses, no seu desalento e derrotismo, em alguma descrença nas capacidade e valias próprias... E tudo, infelizmente, encontrando o seu reflexo na própria direcção política do Estado.

Para quem desconheça, lembramos que a Questão de Olivença nasceu há dois séculos:

No decurso das campanhas napoleónicas que então abalavam toda a Europa, Espanha, concertada com a França, invadiu o nosso país, sem qualquer pretexto ou motivo válido, em 20 de Maio de 1801, tomando Olivença e quase todo o Norte-Alentejano, naquela que se chamou «Guerra das Laranjas».

Vencido, Portugal assinou em 6 de Junho o Tratado de Badajoz pelo qual entregou ao país vizinho, «em qualidade de conquista», a «Praça de Olivença, seu território e povos desde o Guadiana». Olivença, terra entranhadamente portuguesa, participante na formação e consolidação do Reino, no florescimento da cultura nacional, nas glórias e misérias dos Descobrimentos, na tragédia de Alcácer-Quibir, na Restauração!...

Findas as «guerras napoleónicas», reuniu-se, com a participação dos dois estado peninsulares e de todas as potências europeias, o Congresso de Viena, concluído em 9 de Junho de 1815 com a assinatura da Acta Final. O Congresso retirou, formalmente, qualquer força jurídica aos tratados anteriores que contradissessem a «Nova Carta Europeia», nomeadamente o Tratado de Badajoz, e consagrou solenemente a ilegitimidade da ocupação de Olivença por Espanha, reco- nhecendo todos os direitos de Portugal. E assim, no Tratado de Viena, base jurídica da nova ordem europeia, ficou afirmado no seu art.º 105.º «a justiça das reclamações formuladas por Portugal sobre a vila de Olivença cedidos a Espanha pelo Tratado de Badajoz de 1801» e impôs-se «a restituição da mesma como uma das medidas apro- priadas a assegurar entre os dois reinos da península a boa harmonia completa e estável», comprometendo-se todos os países signatários a desenvolver os seus mais eficazes esforços para que a retrocessão de Olivença a Portugal se efectivasse «o mais cedo possível»...

Espanha assinou o tratado em 7 de Maio de 1817 e assim reconheceu os direitos de Portugal. Passados 185 anos, porém, o Estado vizinho jamais deu provas do carácter honrado, altivo e nobre que diz ser seu, não dando cumprimento ao compromisso assumido nem ao di- reito estabelecido, retendo até hoje, do modo mais ilícito, a velha Olivença portuguesa.

Entretanto, em terras oliventinas, ao longo de dois sofridos séculos de brutal, persistente e insidiosa repressão castelhanizante (hoje, falar-se-ia de etnocídio e crimes contra a Humanidade...), tudo o que estrutura e molda a comunidade, a sua História, cultura, tradições, língua, permaneceu e permanece vivo e pleno de portugalidade!

O Estado português que, entretanto, nunca aceitou nem reconheceu oesbulho, embora não fazendo o que pode e deve (repudiar, determinada e desembaraçadamente, a situação ultrajante de Olivença e exigir a sua retrocessão), veio transmitindo a Espanha um inadmissível sinal de fraqueza e retraimento. Sinal este que, como muito recentemente se viu, deu azo a que fossemos tidos, pelo Estado espanhol, como entidade menor, subalterna e dependente...

Eis, singela, a «Questão de Olivença»: uma parcela do nosso território encontra-se usurpada por Espanha, extorsão não reconhecida por Portugal e ilegítima face ao Direito das Nações.

Desafortunadamente, para além da inacção do Estado Português, ocorre ainda a falta de brio de muitos que, parece, de portugueses só já têm o bilhete de identidade e dão razão a Oliveira Martins quando, na sua.

História de Portugal, nos descreveu como «um povo que não só desconhece o patriotismo, que não só ignora o sentimento expontâneo de respeito e amor pelas suas tradições, pelas suas insti- tuições, pelos seus homens superiores, que não só não possui uma alma social, mas se compraz em escarnecer de si próprio com o desdém mais burlesco. Quando uma nação se condena pela boca dos seus próprios filhos, é difícil, se não impossível, descortinar o futuro de quem perdeu por tal forma a cons-ciência da dignidade colectiva».

05/Jul/2002

População Madeirense Não Pretende a Desanexação do Território Nacional

 

"POPULAÇÃO MADEIRENSE NÃO PRETENDE A DESANEXAÇÃO DO TERRITÓRIO NACIONAL", afirmou ao "Diário de Notícias" da Madeira de 5 de Julho de 2002*, o Ministro da Républica para a Madeira.

DNM:Esta é a convicção de Monteiro Diniz, para quem as "afirmações virulentas, corrosivas e excessivas" dos últimos dias pouco impressionam. "Valem o que valem", desvaloriza.

A sucessão de declarações polémicas, primeiro de responsáveis políticos madeirenses e depois de Vicente Jorge Silva e de Miguel Sousa Tavares, sobre a autonomia, autodeterminação e até independência da Madeira, não preocupam o representante da soberania do Estado nesta Região. Confrontado pelo DIÁRIO, Monteiro Diniz assegurou que as afirmações em causa "valem o que valem" e não representam o "sentimento profundo" da população madeirense.

O Ministro da República para a Madeira sustenta a sua posição nos termos jurídico-constitucionais que impedem que Portugal abandone o "princípio da unidade e da integridade territorial". Por outro lado, a alteração destes pressupostos, mesmo que através da Assembleia da República, nunca seria um processo simples. "Aliás, o Código Penal até considera crime de traição à Pátria a desanexação parcial ou entrega total de qualquer parcela do território nacional a entidades exteriores", recorda Monteiro Diniz...DNM

Fonte:Agostinho Silva

Comentário:

O senhor Monteiro Diniz está perfeitamente correcto. Ao fazer esta afirmação parece colocar-se a defender a integridade nacional. Mas que diz então o senhor Diniz acerca de Olivença? Poderá haver ainda algum ministro, membro do governo, ou político de qualquer "cor" que desconhece que uma parcela de território nacional está entregada a "entidades exteriores"?

Qualquer indivíduo que desrespeita ou pretende ignorar a Constituição portuguesa nos seus encargos de política nacional pode-se ver acusado de cometer "crime de traição à Pátria" e o seu nome encontrar-se na lista de traidores de Portugal, que poderá resultar em acções penais severas.

Estará plenamente no poder de todos os portugueses amigos de Portugal levar à a juízo seja quem for que comete um acto de traição à nossa Pátria.

Rui A.M. da Silva

06/Jul/2002 - Jorge Simão, ExpressoOline

Parlamento Espanhol Pede Desculpa a Mota Amaral

Com mais este episódio o incidente ficou definitivamente encerrado

A PRESIDENTE do Parlamento espanhol, Luisa Fernanda Ubeda, enviou esta semana uma carta a Mota Amaral em que afirma lamentar «profundamente» os incidentes com os deputados do Bloco de Esquerda e do PCP, agredidos e impedidos de entrar em Espanha na semana passada. A forma e as expressões usadas na missiva são consideradas mais incisivas do que as explicações dadas pelo Governo espanhol - pelo que o presidente da Assembleia da República considera o assunto encerrado.

«Quero dizer-lhe que lamento profundamente que a actuação da polícia espanhola, na sequência das medidas de segurança tomadas por causa do Conselho Europeu de Sevilha, tenha afectado deputados da Assembleia da República de Portugal», afirma Luisa Fernanda Ubeda. E salienta que o Executivo espanhol a informou «pontualmente do sucedido» e que a embaixada em Lisboa também a pôs ao corrente «da repercussão deste assunto nos meios de comunicação social» e do voto de protesto aprovado por unanimidade pela AR. Fernanda Ubeda termina salientando a franqueza e a amizade entre os dois parlamentos.

Na semana passada, Mota Amaral decidiu suspender os preparativos de uma visita oficial ao Parlamento espanhol e escreveu a Luisa Ubeda pedindo uma tomada de posição sobre os incidentes. Por estarem em causa deputados, o presidente da AR considerou não poder contentar-se com a nota do Governo espanhol, que afirmava ter «lamentado sinceramente» o sucedido.

06/July/2002 - Jorge Simão, ExpressoOnline

Spanish Parliament says Sorry to Mota Amaral

With this episode the incident is definitely closed

The President of the Spanish parliament, Luisa Fernanda Ubeda, has sent a letter this week to Mota Amaral in which she is ""deeply" sorry for the incidents involving the Left Block (BE) and Comunist Party (PCP) MPs, assaulted and stopped from entering Spain on 22 June. The form of writing and the expression used in the letter are considered more specific than that given by the Spanish government, and so the President of the Assembly of the Republic (AR) considers the issue closed.

"I want to tell you that I am deeply sorry for the conduct of the Spanish Police, following security measures taken because of the Eurpean Council (meeting) held in Seville, that affected the MPs of Portugal's Republic Assembly" affirmed Luisa Ubeda. And she emphasises that the Spanish Executive informed her "punctually of the events", and that the embassy in Lisbon also had kept her up to date "of the repercussions of the issue in the press", and the vote of protest unanimously approved by the Portuguese Republic Assembly. Fernanda Ubeda ends emphasising the frankness and friendship between the two parliaments.

Last week Mota Amaral decided to suspend his preparations for his official visit to the Spanish Parliament and wrote to Luisa asking for a position over the incidents. As it involved Portuguese MPs, the AR President considered not sufficient the reply received from the Spanish government, that affirmed having "sincerely regretted" the events.

17/Jul/2002

Portuguese Court Rules Against the Government

Artist's impression of destroyed Ajuda Bridge

The "Grupo dos Amigos de Olivença" have succeeded at the Lisbon District court, in reversing the Portuguese government's intention to hand over the reconstruction of the old "Ajuda" bridge over the Guadiana to Spain, which is considered by Portugal as a "building of public interest".

The action movement is defending the sovereignty and fighting for the return of Olivença to Portugal, a 750km2 territory legally Portuguese but administered by Spain for the last 200 years. It had introduced an injunction in court on 11 July to prevent IPPAR (Portuguese Institute of Architectural Heritage) from giving Spain the go ahead to rebuild the Ajuda bridge, that used to connect Elvas with Olivença until the Spaniards destroyed it in 1709.

The judicial verdict last Tuesday, 17 July, the content of which was notified to the Grupo dos Amigos de Olivença, considered "totally proved and to act upon" the injunction presented by the association, and determined that those responsible in the Portuguese government "are prohibited from authorizing the work" for which the Spanish Ministry of Public Works has already set aside 300 million escudos.

The decision of the Mixed Portuguese/Spanish Commission held on 12 January 2000 for Spain to rebuild the bridge "could lead to a reversal of the situation..." The court referred to Portugal having during the last 200 years "maintained Olivença de jure in its territory" although "not de facto".

The court considered that "if this process of rebuilding is not stopped, Spain will invoke with much more determination its right and claim over that piece of the peninsula, placing in a perilous situation Portugal's rights of sovereignty over the territory and bring Portuguese heritage into question".

After this decision, the Grupo dos Amigos de Olivença now await the outcome of the complaint put forward to the Attorney-General of the Republic. In that document the group asked for eventual criminal proceedings against those responsible in public administration and in the government, who had taken the decision to hand over the bridge to Spain.

Sources for this article: Diario de Noticias (Lisbon); Jornal Digital.com; Hoydigit@l.com (Badajoz)

Rui da Silva

19/Julho/2002

Grupo dos Amigos de Olivença

Comunicado de Imprensa

Disputa Sobre o Ilhéu da Salsa

A propósito dos acontecimentos no Ilhéu da Salsa, com ocupação militar e afrontamento entre os Estados vizinhos de Espanha e Marrocos, o Grupo dos Amigos de Olivença torna público o seguinte:

1. Tendo presente a proximidade geográfica e o perigo de desestabilização da região em que Portugal também se insere, expressa os seus votos de que a crise presente seja rapidamente ultrapassada, no estrito respeito pelo Direito Internacional e salvaguardando os interesses legítimos em presença.

2. Lembrando a posição ora assumida por Espanha de que «não aceita factos consumados» e chamando a atenção para a incongruência que resulta do facto de o Estado espanhol reivindicar a soberania sobre Gibraltar com base na «integridade territorial», quando não parece aceitar a aplicação do mesmo princípio a propósito do Ilhéu da Salsa, faz notar que o mesmo entendimento há-de, decerto, ser assumido no que toca à ocupação de Olivença pelo Estado vizinho, ocupação ilegítima face ao Direito Internacional e exemplo gritante de um pretendido mas inaceitável «facto consumado»...

3. Sublinha, quanto à actual ocupação de Olivença, que o alegado respeito pelo princípio da «integridade territorial» e a não admissão de uma política de «factos consumados» por parte de Espanha há-de, forçosamente, levar a concluir que o Estado vizinho está disponível para discutir a retrocessão do território a Portugal.

4. Confia que o Governo português faça a conveniente leitura da situação ora criada quanto aos casos de soberania por resolver na região e, nessa medida, imponha na agenda diplomática luso-espanhola a resolução da Questão de Olivença.

5. Apela aos Cidadãos Portugueses para que façam sentir, por todos os meios e publicamente, o seu anseio de que, finalmente, Olivença seja resgatada e devolvida a Portugal.

Lisboa, 19-07-2002.

A Direcção do Grupo dos Amigos de Olivença

Diário de Notícias - 19/Jul/2002

Também Há "Salsas" no Minho

-ANTÓNIO RODRIGUES

Portuguese Nation

Ninguém as invadiu, mas elas aí permanecem no meio do rio Minho, disputadas por Portugal e Espanha sem pertencer a ninguém. O Faro de Vigo lembrou-se dessas cinco ilhas na desembocadura do Minho a propósito da disputa espanhola-marroquina pelo ilhote de todas as soberanias e intitulou o texto de "O "perejil" galego", ou seja: "A "salsa" galega".

Há seis anos, uma associação de caçadores de Caminha "invadiu" as ilhas para as transformar em reserva para criação de espécies e causou um burburinho diplomático que chegou a Madrid. O caso acabou em nada: o Governo português, ao contrário do que se passa com Olivença, fez saber não ter interesse nas ilhas. Retirados os símbolos de identificação portuguesa, o episódio caiu no esquecimento e as ilhas lá permanecem patrulhados pela GNR e pela Guardia Civil.

A maior das ilhas chama-se Canosa e tem vários hectares, as outras dão pelo nome de Bimbios, Barandas e Pozas; as quatro situam-se perto das margens dos concelhos espanhóis de O Rosal e A Guarda. A que falta, a Morraceira, situa-se perto da freguesia portuguesa de Seixas. Para os galegos só a última pertence a Portugal, pois, por uma questão de proximidade geográfica, as outras quatro só podem ser galegas. Do lado português, usa-se o argumento histórico. O Tratado de Limites de 1864 estabelece que a linha de separação entre os dois países é a corrente principal do rio, ora o rio mudou e hoje essa corrente deixa grande parte dessas terras do lado português.

Mais que patriotismo ou necessidade estratégica, a questão, neste caso, é prática e económica. A humidade faz crescer mais rapidamente a erva nas ilhas, muito importante em épocas de escassez. Entre cavalos e vacas, há 70 cabeças de gado a pastar no arquipélago, mas já chegaram a ser mais de duas centenas.

Diário de Notícias-21/Jul/2002

J. Luís Andrade - Lisboa

A Insinuante Vizinha do Lado

Não sou daqueles que têm por hábito barafustar contra tudo o que é ou cheira a espanhol. Entendo que estamos condenados a entendermo-nos, quanto mais não seja por razões geográficas. É verdade que Portugal se está a tornar um vazadouro de produtos espanhóis de baixa qualidade; mas a culpa reside, provavelmente, mais na subserviencia, pusilanimidade e terceiro-mundismo dos agentes do nosso Estado do que em Espanha.

Há muito que se sabe que as nações e os países agem em função dos interesses e não das amizades. Mas creio que já basta de tanta arrogância ignorante dos governantes espanhóis. Não posso deixar de me indignar quando oiço a ministra dos Negócios Estrangeiros do país do lado afirmar perante as Cortes que os espanhóis estão em Ceuta desde 1415! A gaffe até seria desculpável, se ela nao correspondesse à informação que os espanhóis têm já inculcada. A título de exemplo, é possível ler-se numa publicação da RBA Coleccionables que Ceuta e Tânger, entre outras, foram conquistadas durante a regência de Fernando, o Católico. Se, como se comprova no resto da obra, o autor Gabriel Cardona é absolutamente medíocre, já mais dificuldade se tem em perceber como é que o tradutor (Miguel Corte-Real) e os revisores (Fernando Moser e Pedro Alçada Baptista) deixaram passar estas alarvidades.

Tanto mais que não são únicas; noutro fascículo, a intervenção fundamental das tropas portuguesas comandadas por D. Afonso IV, na batalha das Navas de Tolosa é completamente ignorada. A publicação acompanha soldadinhos de chumbo de colecção e é vendida em quase todas as bancas de jornais por esse País fora. A talho de foice e estimulados por estas atitudes, não podemos deixar de falar do caso de Olivença. Se a sua posse efectiva não constitui hoje um crítico problema para a segurança nacional, já a reivindicação da nossa soberania, para além de uma justa questão de Direito, e um ponto fulcral na coesão anímica que consolida a nossa identidade nacional. Abdicar dessa acção, por pusilanimidade, falta de convicção ou subserviência aos espanhóis, e não só uma tremenda deslealdade para com a nação, como um erro grave em política internacional.

Olivença pode não ser hoje uma terra portuguesa, pela vontade dos seus habitantes, como certamente Gibraltar não é espanhola, mas o que não pode haver dúvidas é que ela é de Portugal tanto quanto o Rochedo o é de Espanha. Ceder nesse ponto é, na prática, entregar simbolicamente a nossa alma à insinuante vizinha. E nunca nos esqueçamos de que Espanha está em Olivença há cerca de cem anos menos do que Inglaterra está em Gibraltar...

22/Jul/2002 - Dieter Dellinger, Gestor empresarial Lisboa - ExpressoOnline

O Boicote a Portugal

É um fenómeno curioso que não se admitia como possível na Europa da livre circulação de bens e serviços o sistemático boicote a Portugal por parte das grandes empresas multinacionais com especial relevo aquelas que usufruem de posições monopolistas. Trata-se aqui do boicote à venda directa dos seus produtos a partir dos respectivos países de origem para Portugal.

Os tradicionais importadores portugueses são obrigados a comprarem a um qualquer representante espanhol, pagando por isso uma espécie de «direito de importação» sob a forma da margem de lucro usufruída pelo espanhol que se apresenta com o título de representante para a Península Ibérica. O facto encareceu muito os produtos importados e prejudicou os termos de troca da economia de Portugal que passou a pagar mais caro e a vender sem alterações. Julgavam os importadores portugueses que tinham entrado num regime de livre circulação de mercadorias quando sucedeu o contrário por imposição dos monopólios multinacionais, e a Espanha tornou-se na Alfândega secreta de Portugal que cobra verbas altíssimas sem nada produzir de válido para Portugal.

No campo dos "inputs" para a agricultura, o fenómeno é notório; são os produtos químicos alemães que têm de ser adquiridos em Barcelona, ou sementes israelitas que só podem vir de El Egido no Sul de Espanha, ou sementes francesas que só podem vir de Valença e agora sementes e outros produtos holandeses a vir obrigatoriamente de Espanha. Algumas multinacionais vão ao ponto de organizarem as suas rendes de venda, ligando Portugal à sua delegação na Estremadura. Para essas multinacionais, Portugal não só não é um dos mais antigos países independentes do Mundo como passou à categoria de província da Região espanhola da Estremadura.

Um empresa israelita que passou a boicotar Portugal percebeu o fenómeno e resolveu editar uma espécie de cartão de visita com a bandeira portuguesa, mas o produto continua a vir de El Egido a preços astronómicos. As impressoras e computadores HP vêm de Espanha, tal como milhentos outros artigos, incluindo automóveis, matérias-primas, etc., etc. O custo para a economia portuguesa cifra-se em cerca de 20% do valor CIF das mercadorias importadas, valor muito superior às antigas taxas aduaneiras, cobrando o Estado espanhol uma boa fatia por esses vultuosos lucros sem contrapartida de trabalho. E isto porque, fundamentalmente, as multinacionais vendem a partir de Espanha ao preço de revenda normal e não ao de importação e entre um e outro há margens de 20% ou mais ainda.

O fenómeno foi muito facilitado por uma certa mentalidade portuguesa que aceita tudo o que vem de fora e quase se consola em autoflagelar-se quando a realidade portuguesa é bem diferente. Os portugueses deixam-se enganar por muitas estatísticas superficiais que colocam Portugal na cauda da Europa, esquecendo que atrás dessas estatísticas se escondem realidades bem diferentes.

Veja-se só a Irlanda com apenas 1,2 km de auto-estradas por mil km2 de superfície quando Portugal tem quase 20, mais que a Espanha e que a maior parte dos países europeus e três vezes mais que os EUA. Veja-se o número de casas, uma para cada 1,9 portugueses, muito mais que qualquer país da Europa e os 21% da população na escola e os 40 mil estudantes universitários por milhão de habitantes quando a Alemanha e a Europa dita «desenvolvida» tem metade.

Os portugueses têm razões para se orgulharem de si mesmos e para não se deixarem enganar por um espanhol que apareça a vender uma «banha da cobra» qualquer, ou por outro qualquer representante de uma pseudo grande empresa. Vivemos todos numa Europa unida, mas ninguém pode esquecer a sua Pátria. O exemplo mais edificante é o do povo alemão que desdenha muito os produtos importados e nunca um supermercado alemão evidencia produtos concorrentes como os de fabrico nacional. E este exemplo é seguido por outros povos, os franceses por exemplo.

Basta circular nas estradas da Alemanha ou da França para verificar que os franceses adquirem quase só carros franceses e os alemães preferem o seu próprio produto. Todos sabem que a livre circulação é indispensável para evitar fenómenos de especulação e manter níveis adequados de qualidade, mas o interesse de cada um está em comprar nacional, sempre que o produto nacional exista e tenha um nível suficiente de qualidade e preço. Na Holanda ou na Bélgica, por exemplo, ninguém imagina comprar na Alemanha um produto francês ou espanhol só porque a Alemanha tem 80 milhões habitantes.

Os países pequenos da Europa também têm o seu amor-próprio e devem, como tal, ser respeitados por todos os que actuam nos mercados mundiais. Portugal está a ser muito afectado pelas multinacionais, mas terá de reagir com um espírito construtivamente nacional.

Última Página - Posta Restante - Jornal Digital, e Diário do Alentejo - (26/Jul/ 2002)

Portugal Vai Reclamar Olivença?

22/Jul/2002

Portugal deve reclamar Olivença à Espanha, do mesmo modo que a nossa vizinha está a reclamar à Inglaterra, com suas oportunas exigências nacionalistas, o território de Gibraltar!

E vamos reclamar Olivença da ocupação selvagem e ilegal que a Espanha perpetrou abusivamente, nem que para isso tenha de surgir um novo Partido Político Português que defenda a Esperança estampada na Bandeira Nacional! Porque a Esperança, simbolizada no Verde, significa um Projecto Nacional e uma Estratégia Suprapartidária que, enfim, irão completar a Obra iniciada há 500 anos, patente na Esfera Armilar.

No presente insinua-se o pedantismo com uma mentalidade patriótica negativa, obscura e sem qualquer identidade com a Civilização que Portugal mostra nos Lusíadas de Camões e profetiza na Mensagem de Pessoa.

É isto que podemos deduzir quando ouvimos os pregões políticos e lemos as crónicas dos burocratas da praça pública: Oh! Já lá vão duzentos anos! Já é tarde para reclamarmos a reposição da legalidade! Estamos na Europa! Não se justifica este acto de nacionalismo primário e de antiglobalização!

De facto parece muito tempo se compararmos dois séculos de História de um País, com um século de vida de um ser humano! Mas é errado fazermos tal comparação! Não devemos julgar idênticos o tempo de vida de um ser humano, com o tempo de vida colectiva ou comum de um Povo ou Nação, que tem Orgulho de ser Povo e dos Símbolos Nacionais que possui! Orgulho de ser uma Nação, uma Pátria, um País que poderá até vir a construir a sociedade paradigmática ou o modelo societário da Europa para o Mundo...

E se o Portugal de ontem não soube ou não foi capaz de resolver o problema da delimitação da fronteira! O Portugal de hoje... terá de o resolver, para anunciarmos à União Europeia que País somos... E esta atitude o que significa? Nem mais nem menos que: o Respeito pela nossa Soberania; a Afirmação da Dignidade dos cidadãos portugueses; a Credibilidade dos Partidos; o Funcionamento do Estado! E para que isto se concretize é necessário colocar, Urgentemente, o primado da Consciência Ontológica de Portugal, o seu Corpo (o território...) a sua Alma (as suas raízes, o seu idioma, a sua História...) e o seu Espírito (o dinamismo cultural e intelectual...) acima do individualismo, do corporativismo, da partidocracia, dos grupos, das seitas, dos lobies e das máfias e das tribos... E aqui surge a responsabilidade da Educação para a Cidadania...

Luís Artur Sousa - MIRATEJO - CORROIOS

22/07/2002 - InforOlivençaNet

TEXTO DE PUBLICAÇÃO LIVRE

Fomento Espanhol Considera Ponte de Olivença como Internacional

O Ministério do Fomento espanhol considera oficialmente a Ponte de Olivença ou de N.ª Sr.ª da Ajuda como «Puente Internacional sobre el Guadiana». Esta informação está disponível na página oficial deste organismo do Estado espanhol na Internet (www.mfom.es), na secção "presupuestos e inversiones", na rubrica "Actuaciones en 2002" da "Dirección General de Carreteras", para a Província de Badajoz.

Apesar de a Ponte da Ajuda estar classificada como Imóvel de Interesse Público, pelo Estado português, através do Decreto n.º 47.508, de 24/01/1967, o Ministério do Fomento espanhol integrou a reconstrução da obra no seu programa de "Intervenção no Património Arquitectónico e nas Obras Públicas com Valor Patrimonial ou Histórico" da Espanha.

Este entendimento do Ministério do Fomento espanhol parece dar razão à interpretação que em 15 de Julho de 2001 a 12.ª Vara Cível da Comarca de Lisboa fez de uma eventual intervenção da Espanha na Ponte da Ajuda. Este tribunal determinou, então, que «o Estado Português e o IPPAR se abstenha de emitir "parecer" relativo ao "Projecto de recuperação e reabilitação da Ponte Antiga da Ajuda para fins pedonais e turísticos" apresentado pela "Direcção Geral das Carreteras", e se abstenha de autorizar a respectiva obra», com o argumento de que a participação da Espanha no projecto põe em perigo os direitos portugueses sobre Olivença.

Como, entretanto, o Governo dirigido por António Guterres recorreu desta sentença judicial, a qual neste momento está no Supremo Tribunal de Justiça, o Governo espanhol continua a basear-se na decisão de 12 de Janeiro de 2000 da «Comissão Técnica Mista entre Portugal e Espanha para as Acessibilidades ao Sul do Douro», onde foi acordado que a «Espanha, através da Direcção Geral de Carreteras do Ministério do Fomento, procederá à reconstrução da antiga Ponte da Ajuda, com fins culturais e de acesso pedonal».

Recorde-se que em 1994, Durão Barroso, que então era Ministro dos Negócios Estrangeiros, determinou suspender o projecto "transfronteiriço" de reconstrução desta ponte, que havia sido subscrito na Cimeira Luso-Espanhola de 1990, igualmente com o argumento de que punha em causa os direitos portugueses sobre Olivença. Ironicamente, o problema regressa agora, oito anos depois, às mãos de Durão Barroso já como Primeiro-Ministro. Embora o Ministério Público português, no recurso que apresentou em fins de Setembro de 2001 por instruções expressas do Governo, afirmasse que a Espanha ao solicitar parecer ao IPPAR para reconstruir a ponte «se coloca em posição de fragilidade» perante Portugal, pelo que não há perigo de lesão dos direitos portugueses sobre Olivença, a consideração oficial do Ministério de Fomento de Espanha sobre o carácter internacional da Ponte da Ajuda não parece deixar dúvidas sobre o interesse e a motivação que está por trás do objectivo espanhol de reconstruir o imóvel.

Olivenca

23/07/2002 - InforOlivençaNet

CCR Alentejo Colabora com "Ayuntamiento de Olivenza"

A Comissão de Coordenação da Região Alentejo, juntamente com a Câmara Municipal do Redondo e a Universidade de Évora, está envolvida com o "Ayuntamiento de Olivenza" num projecto "transfronteiriço" que envolve, também, a "Asociación de Desarrollo de la Comarca de Olivenza", a "Unión de Pequeños Agricultores de Extremadura" e o "Instituto Tecnológico Agroalimentario" dependente da Junta da Extremadura.

O projecto seria normalíssimo no quadro da União Europeia não fosse o caso de se considerar "transfronteiriço" mas ter como área geográfica de actuação a única região entre Portugal e Espanha onde não existem limites definidos em resultado de o Estado português não reconhecer a soberania espanhola sobre Olivença. Com efeito, está por delimitar, e consequentemente por demarcar, o espaço situado entre a foz do Caia e a foz do Cuncos, deixado em branco pelos actuais tratados de limites de 1864 e de 1926. O facto é tanto mais estranho ou grave quando é um organismo da administração regional do Estado que se envolve num projecto de que fazem parte tanto o "Ayuntamiento de Olivenza" como uma instituição da Junta da Extremadura.

Não deixa de criar perplexidades ou dúvidas que, ao mesmo tempo que o Ministério dos Negócios Estrangeiros, a Assembleia da República e o Ministério Público, reafirmaram no último ano a subsistência dos direitos portugueses sobre Olivença, a CCR Alentejo esteja envolvida num projecto considerado "trasfronteiriço" tomando o Guadiana como um limite que o próprio Estado português não reconhece como jurídica e historicamente válido. Trata-se do projecto 'AGRIPRES' que desde há um ano vem envolvendo instituições e agricultores da região que vai ser apresentado à "Iniciativa Comunitária INTERREG III". No âmbito deste projecto, durante quatro anos, seis empresas agrícolas portuguesas e espanholas cederão as suas explorações para que se realizem experiências de investigação e de desenvolvimento de novas tecnologias.

O envolvimento de Olivença em projectos considerados como "transfronteiriços" vem sendo habilidosamente desenvolvido há cerca de uma década, tentando transformar Olivença num centro de realização de iniciativas luso-espanholas. No quadro desta estratégia, foi importante a criação, em Olivença, de uma espécie de Gabinete de Iniciativas Transfronteiriças que funciona no edifício do antigo Hospital de São João de Deus, cujas funções são executadas pela "Aderco-Ceiprex". Curiosamente, estas instituições usam vulgarmente a imagem da Ponte da Ajuda, um imóvel integralmente português, como símbolo da sua actividade...

Não deixa, ainda, de ser estranho que a CCR Alentejo, por determinação governamental, não tenha estado presente na cerimónia de inauguração da nova ponte que liga Elvas a Olivença, em 11 de Novembro de 2000, mas que pouco tempo depois tenha estado oficialmente em Olivença numa reunião para tratar de assuntos ligados ao projecto de criação de um "Circuito Turístico de Cidades Históricas da Raia".

Diário de Notícias-23/Jul/2002

Mário Rui Simões Rodrigues

A Duplicidade Territorial de Madrid

A Espanha - qual virgem pudica estuprada - proclamou ao mundo a sua incontida indignação por Marrocos ter ocupado um rochedo deserto a 200 metros da costa africana, que a Espanha considera sob a soberania de Madrid. Ao seu histérico protesto juntou-se a União Europeia ameaçando cobardemente Marrocos com eventuais prejuízos nas relações bilaterais.

Ironicamente, no mesmo dia em que desembarcava em Perejil um grupo de militares marroquinos quase desarmados, surgiam na comunicação social mais notícias sobre as reivindicações espanholas relativamente a Gibraltar (...). Os governantes de Madrid, ao mesmo tempo que consideravam Gibraltar um anacronismo colonial e uma humilhação nacional, hipocritamente recusaram qualquer negociação com Marrocos para a devolução de Ceuta e Melilla.

(...) Que diremos nós portugueses quando a mesma Espanha ocupa ilegalmente 600 quilómetros quadrados do nosso território - Olivença -, sem que exista qualquer dúvida sobre os nossos direitos de soberania? E que dizem a isto os senhores da Europa, sempre tão solícitos em apoiar a Espanha, mas invariavelmente cegos, quedos e mudos quando Madrid viola o espaço aéreo das ilhas Selvagens, quando desrespeita as normas da livre concorrência comunitária ou espezinha a liberdade de circulação europeia?

Até quando poderá a Espanha continuar impunemente a alegar para Gibraltar o que nega para Ceuta e para Melilla? Por quanto tempo mais pode a comunidade internacional tolerar esta duplicidade de Madrid que acha justo no Norte de África o que reputa de injusto no sul da Península Ibérica(...) ? (Leiria)

27/Jul/2002 - OPINIÃO -EXPRESSO

O Interesse de Perejil

CERTOS analistas tendem a minimizar a importância do território como factor primacial na eclosão de conflitos, e alguns deles decretaram o fim das fronteiras territoriais, substituindo-as totalmente por outras (económicas, políticas, avançadas, de interesses, etc.). A verdade é que, sem menosprezar o peso da actuação estratégica, de forma mais «soft» do que «hard», em outros tipos de «fronteiras», os limites territoriais constituem o verdadeiro «dead line» onde vale a pena matar ou morrer.

Na região geopolítica onde Portugal se insere, situam-se três zonas territoriais susceptíveis de provocar conflitos de nível diferenciado entre as unidades políticas que a ocupam - Espanha, Marrocos e Portugal. Gibraltar, como potencial ponto de fricção entre a Espanha e o Reino Unido; Ceuta, Melilla e algumas ilhas e ilhéus, entre a Espanha e Marrocos; Olivença, entre Espanha e Portugal.

Todos têm um interesse essencial para os Estados envolvidos. Mas Gibraltar e Ceuta/Melilla assumem presentemente dimensão relevante no quadro estratégico global.

Convergem numa área fulcral de movimentação de meios, nomeadamente militares, entre o Mediterrâneo e o Atlântico, localizam-se na fronteira Sul da NATO e da União Europeia, linha de demarcação entre os mundos islâmico e cristão e passagem de pessoas das regiões do Sul em vias de desenvolvimento para as do Norte desenvolvidas.

Os Estados Unidos, a potência directora mundial, pretende a estabilidade desta área e cultiva boas relações com os países aí localizados: a Espanha, que procura ter um entendimento privilegiado com os EUA; Marrocos, com quem tem tratados militares desde o período da Guerra Fria, recentemente renovados; o Reino Unido, seu principal parceiro estratégico na Europa; e Portugal, que, tal como os outros dois países europeus, pertence à NATO.

Quando, num quadro geoestratégico tão circunscrito, surgem tensões num dos pontos de fricção potenciais aí existentes, os restantes tendem a despertar, em especial se for oportuno retirar vantagens em outras áreas do relacionamento entre os Estados em contacto.

Parece ter sido o que se passou no caso do ilhéu de Perejil.

As relações entre Marrocos e Espanha atingiram picos de tensão elevada, de há um ano a esta parte, cujas causas, com o diferendo territorial como pano de fundo de todo o relacionamento bilateral, residem nos problemas relacionados com a imigração ilegal, as pescas, o petróleo e o Sara Ocidental.

O «pormenor» da soberania sobre Perejil, assunto pendente desde o início dos anos sessenta, foi escolhido por Marrocos para abrir o caminho para os dossiês em que está interessado, visando modificar a respectiva situação a seu favor. Uma provocação?

Ao mesmo tempo recordava ao seu vizinho a questão dos territórios de Ceuta/Melilla, como questão fulcral cuja resolução exige, tal como a Espanha pretende, a solução do problema de Gibraltar.

Com a rotura do «statu quo» por parte de Marrocos, utilizando uma pequena força militar (portanto, sem hipóteses de resistir) e o convite à imprensa mundial para uma visita ao ilhéu «reconquistado», a Espanha sentiu grande desconforto.

Só assim se compreende o recurso a uma desproporcionada operação militar, com o fito de, através de uma manobra intimidatória, colocar ponto final rápido numa situação que poderia deteriorar-se.Os seus efeitos poderiam ser muito negativos, mesmo para os problemas internos de soberania com que Aznar se depara (veja-se as posições do governo basco face a Ceuta/Melilla e do catalão face a Gibraltar). Espanha prontificou-se ao mesmo tempo a retomar negociações alargadas sobre divergências pendentes. Afinal, o que Marrocos pretendia.

Conseguidos os objectivos, entre os quais a mobilização dos marroquinos contra um inimigo externo para abafar quezílias internas, e não considerando ainda o momento oportuno para levantar o problema vital - a questão territorial -, interessava a Marrocos arrefecer o braseiro de Perejil até uma temperatura comportável. A mediação de Colin Powell era a medida adequada.

Conforme se disse, a estabilidade na área é essencial para os EUA. E a Espanha, além de querer agradar à hiperpotência, também está interessada em reatar a via diplomática com Marrocos, na qual pode usar fortes argumentos, em especial económicos.

Mas os pontos de fricção na região mantêm-se. Enquanto eles existirem, mesmo que aparentemente adormecidos, estarão sempre disponíveis (incluindo Olivença) para poderem ser utilizados, no mínimo, para despertar tensões cujo desenvolvimento servirá para a resolução de outras questões laterais consideradas mais urgentes. Cedo ou tarde, essas zonas de atrito poderão transformar-se em autênticos tumores, à volta dos quais se desencadearão conflitos.

Conclusões. pontos de fricção potenciais devem ser extirpados, através de negociações, antes de provocarem males irreparáveis, como o Reino Unido procura fazer para Gibraltar.

Confirmaram-se os EUA como verdadeira potência imperial e a UE como nulidade estratégica. São previsíveis efeitos «colaterais» ao incidente: reforço do fundamentalismo islâmico em Marrocos e possível abertura de uma nova frente contra o «Ocidente», incluindo a eclosão de atentados terroristas na Península e nos enclaves espanhóis no Magrebe.

Loureiro dos Santos, general na reserva

EXPRESSO - 27/07/2002

Uma Ponte na Outra Margem

A ruína que atravessa o Odiana (Guadiana) em Olivença está mais perto de ser restaurada por Espanha

Ponte manuelina da Ajuda: a sua reabilitação foi atribuída a Madrid mas uma iniciativa dos Amigos de Olivença bloqueou tal tarefa. Agora, um tribunal português acaba de levantar esse obstáculo.

A ESPANHA está mais próxima de realizar o seu propósito de reconstruir a velha Ponte da Ajuda, situada nas imediações de Olivença, e de a integrar no seu Património Arquitectónico e Histórico. Esta pretensão parecia comprometida por uma decisão da 12ª. Vara Cível da Comarca de Lisboa, que deu seguimento a uma acção e a uma providência cautelar requeridas pelo Grupo de Amigos de Olivença (GAO) em 11 de Julho de 2001. Estas haviam determinado a suspensão do acordado na Comissão Técnica Mista Luso-Espanhola para as Acessibilidades ao Sul do Douro, e que atribuía a Espanha a responsabilidade pela execução da referida obra.

O Governo de António Guterres não aceitou a decisão e incumbiu o Ministério Público de interpor recurso por considerar que o Tribunal Cível não era competente para tomar posição sobre a matéria.

No passado dia 2 de Julho o Tribunal de Conflitos — constituído por 3 juízes conselheiros do Supremo Tribunal de Justiça e outros tantos do Supremo Tribunal Administrativo e que só reúne excepcionalmente para deliberar sobre assuntos desta natureza — acordou «em julgar competente para conhecer do meio processual dos autos o Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa».

O que vale por dizer que a decisão anteriormente tomada pelo Cível fica sem efeito. Faltará saber como reagirá Durão Barroso, que em 1994, quando ministro dos Negócios Estrangeiros, determinou suspender o projecto de reconstrução da ponte, assinado na Cimeira Luso-Espanhola de 1990, argumentando que o mesmo punha em causa os direitos portugueses sobre Olivença.

Em Janeiro de 2000, em reunião extraordinária da citada Comissão Técnica Mista Luso-Espanhola para as Acessibilidades ao Sul do Douro, ficou acertado que caberia a Espanha a reconstrução e restauro da velha Ponte da Ajuda. A concessão da obra foi uma contrapartida exigida pelas autoridades espanholas que, a pretexto de não terem sido cumpridos diversos trâmites administrativos, embargaram a construção da nova ponte — concluída em Novembro desse mesmo ano — durante um mês.

Toda a maquinaria da empresa portuguesa que dirigia os trabalhos foi apreendida pela Guardia Civil, obedecendo a ordens do delegado do Governo espanhol na Extremadura, Óscar Baselga. Recorde-se que a construção da nova ponte foi levada a cabo pela Câmara de Elvas e financiada por fundos europeus.

Estipulou-se então que a reabilitação da ponte manuelina da Ajuda, erguida em 1508 e destruída em 1709, exclusivamente para fins pedonais e turísticos, seria cometida à Direcção Geral de Estradas do Ministério do Fomento Espanhol, mas cujo projecto final ficaria «dependente do parecer vinculativo do IPPAR-Instituto Português do Património Arquitectónico» dado estar classificada, desde 1967, pelo Estado português.

Quem não se conformou com esta deliberação foram os amigos de Olivença, que em 11 de Julho de 2001 entregaram no Tribunal Cível de Lisboa uma providência cautelar, depois aceite. Nela requereram que o IPPAR fosse inibido de emitir qualquer parecer e se abstivesse de autorizar a respectiva obra, «porque põe em perigo os direitos portugueses sobre Olivença».

Madrid anuncia financiamento

Entretanto, segundo noticiou o diário «Hoy», de Badajoz, na sua edição de 11 de Julho, o Ministério do Fomento de Espanha acaba de destinar 1.675.997 euros para a reabilitação da Ponte da Ajuda. O jornal extremenho cita o Boletim Oficial de Estado do dia anterior.

Curioso é o facto de o anúncio do total financiamento da obra se efectuar oito dias após a decisão do Tribunal de Conflitos, o que faz supor que em Espanha se dão por superados todos os obstáculos, com o efeito nulo da deliberação que impedia o IPPAR de dar parecer sobre o projecto, da autoria do arquitecto Fernando Ordoñez.

António Marques, jurista e vice-presidente do GAO, recorda que a decisão ainda não transitou em julgado e garante que os amigos de Olivença vão «requerer nova providência cautelar e nova acção junto do Tribunal Administrativo de Lisboa, que terá de se pronunciar com carácter de urgência».

Fonte:José Frota

Jornal Digital - Notícias em Tempo Real - Posta Restante - 04h11m 29/07/2001

A Ponte da Vergonha

Em 1990, numa Cimeira Luso-Espanhola, os governos de Portugal e de Espanha acordaram na construção de uma ponte rodoviária entre Elvas e Olivença e na reconstrução, mesmo ao lado, da semiderrubada Ponte de N.ª Sr.ª da Ajuda, como obras "transfronteiriças". Mas estes empreendimentos localizavam-se numa zona que, por causa da Questão de Olivença, permanece indelimitada entre os dois países e não está abrangida pelos tratados de limites em vigor datados de 1864 e 1926.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros impôs a anulação do convénio, tendo-se chegado, em 1994, a uma solução que salvaguardou os direitos portugueses sobre Olivença: Portugal construía a nova ponte e reconstruía a antiga, sem intervenção espanhola.

Após um vasto conjunto de dificuldades e de problemas, que não chegaram ao conhecimento público, em Outubro de 1999, quando a nova ponte estava a ser construída, a Guardia Civil tomou de assalto o estaleiro, que ocupou por vários dias, alegando que as máquinas tinham entrado em "território espanhol": o território de Olivença, entenda-se.... Uma vez mais, nada chegou à comunicação social...

Em Janeiro de 2000, uma comissão técnica mista luso-espanhola, reunida em Évora, acordou ceder a reconstrução da Ponte de N.ª Sr.ª da Ajuda aos espanhóis, espezinhando uma série de normas e de princípios legais: contrariou o convénio de 1994 através de uma simples acta da reunião; fundamentou a sua decisão numa convenção internacional que ainda não estava ratificada e publicada; para além de passar por cima do que o Estado português tem afirmado ser a sua posição sobre Olivença e de desprezar o que a Constituição da República Portuguesa estabelece sobre a definição histórica do território nacional.

Quase todas as tentativas de numerosos cidadãos e de algumas associações para confirmar o conteúdo deste acordo foram infrutíferas. Os ministérios e demais organismos públicos requeridos recusaram sistematicamente cumprir a lei que regula o acesso à documentação da administração pública, numa demonstração clara do que verdadeiramente vale o Estado de Direito Democrático em que nos afirmam vivermos...

Uma queixa na Procuradoria-Geral da República, entrada em Janeiro de 2001, ficou sem andamento conhecido. Todas as tentativas para apurar os seus resultados revelaram-se inúteis junto da instituição que deveria ser um exemplo de respeito pela legalidade.

Centenas de ofícios e cartas e dezenas de petições dirigidas, ao longo de dois anos, a todos os órgãos de soberania e a numerosíssimas instituições públicas, alertando para os intentos espanhóis e solicitando diligências, não produziram quaisquer efeitos práticos.

A 11 de Julho deste ano, uma Providência Cautelar dá entrada num tribunal de Lisboa requerendo que o IPPAR seja impedido de emitir um Parecer entregue pelo Governo espanhol para a reconstrução da ponte e que o Estado português não conceda ao Estado espanhol permissão para realizar o seu projecto que não visa mais do que, sob a capa de um restauro arquitectónico, garantir à Espanha o reconhecimento da sua soberania sobre Olivença. No dia 15 de Julho o tribunal dá plena resposta ao que se lhe pedia, reafirmando todos os direitos portugueses sobre Olivença. Foi necessário que um grupo de cidadãos apresentasse queixa contra o seu próprio Estado, cujo Governo aceita ceder não apenas um monumento nacional a um país estrangeiro, mas com isso alienar o direito sobre 600 quilómetros quadrados de superfície...

Perante as pressões espanholas, o "Governo de Portugal"... vai recorrer da decisão judicial. O "Governo de Portugal"... está obstinado a ceder à Espanha o poder para este país exercer um acto de soberania sobre um monumento nacional... O "Governo de Portugal"... parece discordar da decisão de um tribunal que declarou expressamente ser Olivença território nacional!...

Comentários? Cada um faça os seus!...

Mário Rodrigues

 

.....Leia mais...

Portuguese Territory Illegally Occupied and Colonized by Spain

Olivença: O Etnocídio Perfeito http://filorbis.no.sapo.pt

Olivença: O Etnicidio Perfeito http://imigrantes.no.sapo.pt/page6.Olivenca.html

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