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"Crer e Querer para Vencer"

 

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CONFLITO INTERNACIONAL DE OLIVENÇA

Diário de Notícias (Lisboa), 21-01-2003

Entrevista com o Novo Embaixador de Espanha em Portugal

Olivença:


«Se há problema de fronteiras, que falemos»

DN-O alargamento da UE vai certamente prejudicar a obtenção de consensos que eram fáceis na Europa reduzida.

-Sim, não diria que prejudique. O alargamento não vai prejudicar os consensos, mas apenas torná-los mais difíceis.

DN-Acha que a Convenção pode consolidar as relações Portugal-Espanha?

-Têm que ser consolidadas, porque Espanha e Portugal têm que trabalhar juntos.

DN-Nas pescas, por exemplo...

-Nas pescas o tempo dirá.

DN-Nesse assunto, tem havido dois pesos e duas medidas, como nas negociações com Marrocos.

-Não conheço bem a posição portuguesa, mas a União Europeia alcançou um acordo com Marrocos.

DN-E na área militar, concretamente no quadro da NATO? Admite que os dois países aceitem um comando peninsular comum?

-As forças armadas espanholas e portuguesas estão a falar disso, mas aí trata-se de uma reestruturação que não depende só de Espanha ou de Portugal, depende da NATO. Mas é um problema curioso porque vai haver muito mais comandos em áreas mais pequenas na Europa.Cada país quer ficar com o seu próprio comando.

DN-Isso é válido para Espanha e Portugal...

Evidentemente, mas teremos que chegar a um acordo.

DN-Há muito então para negociar...

-Com certeza, as relações são importantes. Quando não há problemas, também não há relações.

DN-A propósito do Prestige. Espanha e Portugal assinaram em 1991 um acordo juntamente com Marrocos, França e Comissão Europeia, visando a cooperação e prevenção contra a poluição na zona atlântica partilhada. A Espanha admite recuperar esse instrumento que não ratificou?

-O acordo ficou bloqueado em 1996, precisamente por causa da questão das Canárias.

DN-Outra questão, a rede de alta velocidade. O traçado para Badajoz foi para servir a Extremadura ou para forçar algum consenso com Portugal?

-O traçado de alta velocidade não está decidido. Foi apenas anunciado que a rede chegaria a Badajoz, mas o traçado de ligação a Portugal está em aberto. Um problema idêntico temos nós com a França.

DN-Essa ligação a Badajoz não poderá desvirtuar as bases de negociação para a futura ligação da rede de alta velocidade a Portugal?

-Não, de nenhuma maneira. Uma coisa é a razão económica, política e social dessa ligação para a Extremadura e para a Espanha e outra coisa é o traçado da ligação a Portugal que está em estudo. O problema é fundamentalmente da parte portuguesa.

DN-A propósito da Extremadura. Há uma zona de fronteira, a área que implica Olivença, que a Espanha considera delimitada, mas Portugal não. Ambas as chancelarias reiteram que o problema não consta na agenda política bilateral, mas o certo é que o problema existe. Porque não há um diálogo directo sobre esta matéria?

-Naturalmente que não há um acordo entre as duas posições. Muitas vezes, quando há uma diferença de opiniões, a maneira como se fala quer dizer que foi impossível chegar a um acordo. O mesmo se passa com Gibraltar, com os ingleses.

DN-Gibraltar é diferente. Entre Portugal e Espanha há uma contiguidade de vizinhança. Os dois Estados não deveriam falar do problema?

-Se há problema, admito que sim. Acho que as chancelarias falam com franqueza.

*

Perfil: Carlos Carderera - embaixador

O novo embaixador de Espanha chega à capital portuguesa com vasta experiência político-diplomática. Após ter dirigido o Serviço Exterior da diplomacia de Madrid, chefiou as missões na Argentina (1996) e Turquia (1993). Em Junho de 2000 foi nomeado subsecretário dos Assuntos Exteriores, cargo desempenhado até rumar para Lisboa. Madrileno (nasceu a 30 de Outubro de 1934) Carlos Carderera é ministro plenipotenciário de 1.ª classe e entrou para a carreira em 1968.

Apresentação de Boas-Vindas ao Embaixador de Espanha 23/Jan/2003